Segunda-feira, 30 de Março de 2009

MAIS UMA REVISTA - A PLAYBOY, PARA HOMENS SOFISTICADOS

 

Ontem saíu mais uma revista. Chama-se PLAYBOY - se quiséssemos traduzir à letra diríamos: «divertimento para os boys» (rapaziada). E, realmente é uma revista para os homens «sofisticados», diz o o director americano que fundou a revista  há muitos anos.  Revista que, agora, está em dificuldades, também atingida pela crise. Os escritórios da Playboy em Nova Iorque fecharam, os leitores são cada vez menos e as perdas cada vez maiores.

Quer dizer, com um atraso dos diabos, chega precisamente  Portugal quando começa a fenecer no país que lhe serviu de berço. Nós somos assim: andamos, em tudo, com um atraso de, pelo menos, 20 anos. Mas o mais curioso é que aqui medra o que não medra noutros sítios. E eu auguro um grande porvir a esta revista com edição portuguesa. Já a tive nas mãos, já a folheei e penso que, graficamente, é um espanto e as fotos são outro espanto: muitas, bonitas, transparentes q.b., com uns sobreados para lhes dar mais apeite e glamour. Mulheres nuas são muitas, mulheres com peitos à mostra, muitas mais.  Eu, embora goste  de manter o hábito de comprar todos os jornais e revistas nº 1, não a comprei, fiz aqui excepção. Custa a módica quantia de 3,95 euros (uma pequena fortuna). Agora estou à espera do que dirão os críticos e os desentendidos nestas coisas.

Para acabar, derei que seria uma vergonha que os portugueses - os endinheirados e os pobretanas, não mantivessem a tradição tão portuguesa: comprar tudo o que seja revistas do coração e esta revista que mais do que do coração, é de homens sofisticados - não sei o que é que isto quer dizer, porque desconfio que os menos endinehirados serão os que mais comprarão a revista. A revista masculina que é, também, para mulheres (30%), afirmam os responsáveis pela edição.

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publicado por argon às 12:14
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Domingo, 29 de Março de 2009

AMOR DE PERDIÇÃO

 Nota introdutória

O texto que se segue escrevi eu há alguns anos e deixei-o a hibernar. Hoje, lembrei-me de o trazer ao conhecimento público. Trata-se de imginar como seria, com as diferenças de qualidade, o romance de Camilo Castelo Branco, adaptado às circunstâncias de hoje. Foi uma brincadeira literária de quem gosta de brincar. Espero que os meus leitores gostem.

 
 
Prefácio da presente edição
 
            Publiquei a primeira edição deste livro que dá pelo nome de «Amor de Perdição» em 1861. À medida que as edições se iam esgotando, - capitalismo oblige!-, ia sendo obrigado, para poder viver, a publicar novas edições.
            Mas, de edição para edição, sou obrigado a actualizar os dados, de modo a que o livro acompanhe, a par e passo, a voz da modernidade, característica principal do sucesso. Desta sorte, dou hoje à estampa a última edição, aquela que o prezado leitor tem em mãos. Isto obriga-me a um trabalho dos diabos que consiste em ter que ler toda a literatura moderna, todos os jornais, inclusive os desportivos como A Bola e o Record e o Jogo que passaram a sair em edição diária, como é do conhecimento público, a ver todos os programas dos 4 canais da TV, a ouvir todos os programas de radio e eu sei lá que mais! Todos os jornais diários e todos os semanários informaram os seus leitores deste grande evento nacional. Só não o fez o Independente porque não aparecia no palco da vida nacional como digno de escândalo público, antes pelo contrário. Note-se que até mereceu uma nota de distinção do programa Noite da Má Língua da SIC. Aqui chegado, peço desculpa da minha falta de modéstia, mas uma das coisas que melhor me poderaim ter acontecido foi receber do Marcelo Rebelo de Sousa - o tal que costuma dar notas aos políticos e quejandos,- a nota de 19!, na escala de zero a vinte.
            Pois, já que assim é, já que temos que nos deixar arrastar pelo voracidade do tempo, sigamos a nossa boa estrela e demos à estampa esta nova edição actualizadíssima. Só espero que a aceitação pública seja tão grande como tem sido desde o começo, já lá vai mais de um século. Amen!
 
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        Seguindo as regras do marketing,e depois de ter aceite os serviços de um comunicólogo e de um retocador de imagem, o autor do livro, Camilo Castelo Branco, para lançar o seu, deu uma conferência de imprensa, fez a apresentação da obra na Livraria Barata, procurou vários patrocínios do lançamento entre os quais se contam o Banco Totta e Açores, a C.G.D., a  Companhia de Seguros Tranquilidade, a TMN, a Telecel, a Telecom ,a IBM, a Olivetti, a Rank Xerox e a Ana Salazar, que puxaram pelos cordões à bolsa, por forma a que a obra em referência tivesse a maior divulgação possível. Só não passou a publicidade na Televisão por causa de um diferendo entre um dos patrocinadores e a TV que temos.
            Fez-se uma tiragem em papel normal, outra em papel couché, fez-se um CD e um CD-Rom, um Compac-Disk, um video, uma edição em Banda Desenhada e uma edição electrónica. Deste modo, as pessoas não se podem queixar de falta  de respostas para o conhecimento da maior obra publicada neste século.
            O autor, depois deste ceremonial todo, deu uma entrevista à SIC, foi astro de primeira grandeza no programa «Parabéns» do Herman José, foi à «Prova Oral» da Maria Elisa e José Eduardo Moniz, esteve no programa  «Frou-Frou» da Alexandra Lencastre, - ia sendo comido por aquelas quatro mulheres que lhe dedicaram um programa de luxo e o seu nome foi muito badalado no programa «Noite da Má língua» da SIC. O Artur Albarran é que não conseguiu obter dele uma entrevista para o seu « Jornal da Noite» na TVI.
 
            A Novela
           
            O senhor Domingos José Correia Botelho de Mesquita e Meneses, era o pai de Simão Botelho, o herói da novela «Amor de Perdição». Exercia a profissão de Juiz de Dentro e, embora  de sangue plebeu, era pessoa muito conceituada, além do mais, por ter livrado da forca muitos condenados. Sua esposa, Dona Rita Teresa Margarida Pérola Preciosa da Veiga Caldeirão Castelo Branco (natural de Castelo Branco), era uma joia de criatura, só que de poucas letras e completamente à margem dos movimentos contestatários para a emancipação da mulher, mas gostava de ler as revistas Olá e Hola, as colunas sociais.  O senhor seu marido exercia sobre ela uma verdadeira tirania e ela sujeitava-se, como cão doméstico, a todas as suas arbitrariedades..
            Tinham um filho chamado Simão Botelho, mais conhecido por Simão que, depois de fazer a instrução primária em Viseu, onde nasceu e cresceu, e onde o pai era juiz, meteu explicações e habilitou-se ao 12º ano, sem sair da terra de morada dos seus progenitores. O pai tinha receio que o filho se enamorasse de alguma rapariga que não pertencesse à sua classe e, por isso, todos os cuidados eram poucos, tanto mais que já houve ocasião em que uma moça de sangue plebeu mas pobre, se atirou  a ele amorosamente. Ele só não lhe disse sim porque se achava ainda muito novo e porque  os fados pensavam catapultá-lo para voos mais altos, encostado à sombra do pai.
            Teresa de Albuquerque era uma rapariga de sangue azul, com a idade de 15 anos no momento em que entra na história. Filha de Tadeu de Albuquerque, um homem de sangue azul e detentor de um grande património. Tinha no seu bestunto que a filha só havia de casar com um homem de sangue igual e com muito bago. Havia um primo, Baltazar Coutinho, que viria mesmo a calhar... era esta a vontade do pai de Teresa que já a tinha até prometido sem conhecimento dela, como mandam as regras da ditadura paternal. Só que ela o odiava e prometera a si mesma nunca vir a casar com ele.
 
            Simão e Teresa moravam na mesma rua e as janelas estavam uma defronte da outra, desde o dia em que o senhor pai de Simão foi transferido para Viseu. Viram-se pela segunda vez no cinema do Shoping Cascais, quando, por uma extraordinária coincidência, tinham vindo a Lisboa: ele a um jogo do Benfica - Académica, ela ra eceber ares de civilização como costumava dizer o pai. Tinham ouvido falar bem do filme NELL, o filme da rapariga selvagem, que se tinha estreado no início daquela semana. Por outras palavras: Simão tinha ido sozinho e Teresa ia pela mão do pai que a não largava nem um instante, orgulhoso  das virtudes físicas e psíquicas de sua amada filha e receoso de que algum guloso lha cobiçasse e quisesse com ela casar.
            Ele, Simão, um janota, vestia uma calça Levis à estreia, camisa Victor Emmanuel e ela trazia uma saia e uma blusa cor de açafrão que o pai lhe comprou na Zara. Também era a primeira vez que os vestia. Ele usava uns óculos escuros de pequena graduação, que usava mais para esconder a sua malícia ocular do que para dar remédio à falta de visão. Os dois trocaram olhares. Ele vira-a pela primeira vez, para amá-la sempre, ela a primeira vez o viu, para nunca mais deixar de o amar. All you need is love!
            Simão aproveitou o tardio da noite em Lisboa para ir tomar um café ao «Alcântara - Café» onde se demorou pouco e, seguidamente, ainda teve tempo de tomar um copo num dos bares da 24 de Julho.
            Dois dias depois, tinha viagem marcada para Coimbra, para a Universidade, onde ia frequentar o segundo ano de medicina, mas o rumo da sua vida foi alterado porque queria, por força, encontrar-se, cara a cara, com a linda menina da sua exacerbada paixão. Ela mostrou-se ao pai com um semblante em tudo diferente do feitio sorumbático de sempre. Coisas do amor, pensava ela. Mas o pai não compreendia a transformação tão repentina da filha. Mais aberta, mais faladora, menos reservada e mais alegre. O Amor tem destas coisas!
            Simão pensou ir a ocultas estar com Teresa e pensou na melhor maneira de lho transmitir. Resolveu mandar-lhe notícias a anunciar a sua chegada. Primeiro, pensou mandar-lhe uma carta por correio azul que era meio caminho andado, mas, dada a febre da sua paixão exacerbada, resolveu telefonar-lhe. Marcou o número mas do outro lado do fio ouviu uma voz feminina que, desde logo, o alegrou. Mas, quando reparou nas gargalhadas e nos temas picantes da conversa, pensou logo que fora engano e que tinha ligado para um telefone erótico. Era a Linha da Paixão - ou Ligações Picantes de valor acrescentado. Mesmo assim, ele respondeu do lado de cá do fio:
            - Sua desavergonhada! Com coisas sérias não se brinca! Vão para o diabo que as carregue! (usou o plural quando ouviu duas moças na linha).
            Voltou a discar e, para se não dar a conhecer, tapou as duas ventas do nariz com o indicador e o polegar, disfarçou-se sob a voz de mulher, não fôsse o pai aparecer do outro lado do fio. Mas, logo que ouviu uma voz masculina - calculou ser a voz do pai, assustou-se e deixou cair o telefone, interrompendo o contacto. Então, pensou mandar-lhe um bip mas, não sabia qual era o número dela nem se ela tinha a TMN. Imaginava que o pai tivesse um telefone celular no carro mas não tinha a certeza. Resolveu, então, ir ele mesmo em pessoa, correndo os riscos resultantes da falta de anúncio prévio.
            Por essas onze horas da noite, noite de breu, salta, com o senhor João da Cruz, ferrador de profissão e admirador reconhecido do pai de Simão, por aquele o ter livrado da forca num pequeno crime de morte que cometeu, para o quintal da casa mas, tendo caído com espalhafatoso aparato, o ruído despertou um visitante da casa que depois se veio a saber que era Baltazar Coutinho, primo de Teresa e seu pretendente com a  anuência do pai. Mas Teresa detestava-o e já lhe tinha jurado que tirasse o cavalinho da chuva, que ela nunca por nunca casaria com ele. Porque, além de ser bossal, - não tinha maneiras, era disforme e pançudo e só pensava em dinheiro. João da Cruz, ao ver o vulto no quintal, passou a arma ao Simão que lhe atirou  logo um zagalote que despachou do seu bacamarte de canos serrados e ali mesmo o deixou prostrado sem tir-te nem garde.
            «Este já o levou o diabo», - disse o ferrador com a sua voz franca e fria. « Agora o doutor, já tem o caminho mais desimpedido para chegar mais facilmente  à menina Teresa» - garantiu o mesmo a Simão.
            Este, face a tal percalço inopinado, propôs a João da Cruz uma retirada estratégica, apesar de estar sujeito a ser julgado cobarde pelo ferrador.
            O pai de Teresa, dono de um sexto sentido, começou logo a imaginar que o assassino de seu sobrinho Baltazar só poderia ter sido aquele marmanjo que aparecera a cobiçar a filha à porta do cinema. Como não podia chegar a ele directamente, queria chegar através da filha.
            - Minha filha, proibo-te de namorares aquele farsante que te apareceu à porta do cinema. Sabes que foi ele que matou o teu primo Baltazar? Eu quero castigá-lo com uma pena que lhe sirva de emenda para o resto de seus dias.
            - Meu pai, quer seja ele quer não, eu amo esse homem e não consinto que o pai o incrimine. Sabe que eu não gostava de casar com o primo e agora já vejo o caminho da minha felicidade mais perto de mim.
            - Sua desalmada! Proibo-te de pronunciares o nome desse desgraçado. Bem sabes que eu odeio o pai dele, apesar de ser Juíz, desde o dia em que ditou sentença contra mim.
            - Meu pai, pode matar-me, que eu não desisto de casar com  Simâo.
            - Já vejo que só tenho um remédio para cortar com este mal pela raiz: vou meter-te no convento para que aí esqueças esse desgraçado que desgraçou o futuro daquela que, de hoje em diante, já não é minha filha.
            - Meu pai, mande-me mesmo para o inferno, mas eu nunca deixarei de pensar nesse homem.
          
 
                    Estava já na rua a comitiva que havia de levar Teresa ao convento, quando uma mendiga se abeirou de Teresa e, sem que ninguém desse conta, entregou-lhe uma carta vinda em correio azul. Era de Simão que, em poucas palavras, dizia assim:
            «Teresa: Coragem que eu estou contigo para toda a eternidade. O meu amor para contigo é infinito e nem o Céu nem o Inferno conseguirão separar-me de ti. Eu vou para Coimbra estudar na Universidade para depois poder concorrer a um bom emprego. Tu porta-te bem para poderes continuar a receber novas do teu amor. Mil beijinhos do eternamente teu, Simão.».
            Teresa só pôde ler esta carta no convento quando a sós no seu quarto e logo ali prometeu em pensamento que não havia de desmerecer o amor de Simão. Pois amor com amor se paga.
            O pai fez mil recomendações à Madre Prioresa, chegando a ameaçá-la se ela vacilasse na guarda escrupulosa de Teresa. Ela prometeu por tudo o que há de mais sagrado que a obrigação dela, mesmo sem ameaça, é preservar a vida e a honra de todas as freiras que lhe são confiadas.
            Teresa deixou passar uns dias para as coisas serenarem e, ao quinto dia, pediu à Madre Prioresa se a deixava telefonar. (Simão tinha-lhe dado o número do seu telefone de Coimbra). A madre, com receio que o pai dela viesse a saber, e lembrada da recomendação expressa dele, disse logo um rotundo não que pronunciou com ênfase ( saiba-se aqui que Tadeu de Albuquerque tinha dado à Madre Prioresa uma avultada soma em dinheiro - indício de corrupção, mesmo entre freiras). Teresa ficou muito pesarosa e confiou na imaginação sua e de Simão para tornearem esta desgostosa situação.
            Entretanto, Simão em Coimbra deixou de ser aquele estroina que todos conheciam. Desde o 1º dia deste ano o rapaz era um compêndio de virtudes. A sensatez, o comedimemto e a aplicação aos estudos começavam a ganhar fama  nele e todos passaram a respeitá-lo, inclusive os professores. Agora, já consegue ter dez valores às cadeiras mais difícies... E, em razão  da circunstância não despicienda de bom comportamento e aproveitamento, até deixou de pagar propinas...
            No ano anterior ele estava ligado às grandes causas académicas, passava a maior parte do tempo a congeminar festas, a arranjar esquemas de luta e de protestos, a meter-se em tudo o que fôsse arruaça. Mas, este ano,  no meio da aplicação académica, não lhe saía do pensamento como deveria contactar com Teresa para lhe manifestar a sua grande paixão. Um amigo disse-lhe que conhecia um senhor que vivia perto do convento onde Teresa estava presa. Procurou saber o número do seu telemóvel  e, depois de lhe ter mandado um fax a pedir se podia servir-se do seu , esperou pela resposta que não tardou e era afirmativa. Desta sorte, tinha agora um meio de chegar a Teresa - o telemóvel do amigo do seu amigo. Mas a conversação não chegou a ter lugar porque a Madre Prioresa mandara pôr o telefone geral do convento sob escuta. E a porteira, logo que deu fé de uma voz inflamada e desconhecida a mandar chamar Teresa, - ai, o pai dela, sempre a presença fantasmagórica do pai! -, cortou a ligação e Simão sentiu que perdera uma batalha mas prometeu que havia de ganhar a guerra.
            Teresa, por seu lado, também não descansava, à procura de arranjar um estratagema para falar a Simão. Conseguiu comprar a porteira do convento com o dinheiro que a mãe de Simão, D. Rita Pedra Preciosa, lhe mandava às escondidas do sr. seu pai. Só a partir de então Teresa conseguiu contactar com Simâo. Então este já pôde aceitar os favores do amigo do amigo, ele próprio em pessoa conseguiu descobrir o número do telefone celular do convento. A partir de então, Simão mandava-lhe um bip e ela respondia. Até que a Madre Prioresa descobriu a marosca e desfez tudo.
            A Madre Prioresa pediu à porteira que não contasse nada ao pai de Teresa, com medo do seu feitio atrabiliário e belicoso. Simão começou a descrer dos meios de comunicação modernos e sofisticados que podiam ser muito bons para os negócios mas não se prestavam para namorar.Não há dúvida, pensava Simão: não há como o regresso aos antigos e artesanais meios de comunicação - as cartas, entregues por velhinhas disfarçadas de mendigas.
            Tudo ia correndo dentro daquela anormalidade, quando Simão recebe a visita de dois guardas republicanos que lhe entregam uma contra-fé que ele assinou, ficando obrigado a comparecer ao outro dia às nove horas, no Posto da Guarda Republicana próximo. Era a sua inculpação como presumível assassino de Baltazar. Às nove em ponto, lá estava ele  em Coimbra a responder a um inquérito do tribunal do Porto, que tinha chegado na véspera, onde ele iria ser julgado.
            De certo modo, ficou contente por saber que lhe seria permitido ir ao Porto onde se encontrava presa Teresa, no Convento de Monchique. Que chiquismo!
            Mas, não há verso sem reverso: Adeus estudos e adeus Coimbra! Teve que mandar desconvocar uma greve de que ele era o líder, como protesto pela arbitrariedade na atribuição de dispensas das propinas. (fora a única causa em que conscientemente se envolveu). Os estudantes tinham provas que havia ricos que não pagavam, estavam isentos e pobres que tinham que pagar. Que isto não era democracia mas autocracia da mais pura e embirrenta.
            Depois de ter prestado declarações onde se afirmou culpado, mostrando assim uma das características mais marcantes da sua personalidade pela assunção da responsabilidade das suas acções, seguiu para a cadeia de Viseu (só mais tarde foi transferido para a do Porto em cuja cidade se encontrava Teresa, no Convento de Monchique).
            O Juíz do tribunal, que ia julgar esta causa, era um grande amigo do pai de Simão desde os tempos em que, na qualidade de estudantes de direito em Coimbra, viviam na mesma república - a República dos Tesos. Apesar disso, o pai de Simão, caturra como era, não mexeu uma palha para livrar o filho da condenação, ainda que o amigo juíz lhe tenha manifestado o desejo de que o senhor Botelho intercedesse pelo filho. Mas ele, em vez disso, pediu ao juíz que o condenasse sem atender a atenuantes. Aquilo é que era um pai! Quando soube que o filho tinha sido condenado à forca, o pai escreveu uma carta a agradecer ao companheiro de Coimbra o cuidado que pôs na condenação do filho. Este, estava orgulhoso por poder ser condenado por motivo de ter assassinado o seu rival, pretendente à mão de Teresa. Quem ficou a rir foi o desalmado Tadeu de Albuquerque que, no dia seguinte à sentença, deu um jantar em sua casa para comemorar o acontecimento. Jantar que foi filmado pela SIC e que todos os telespectadores do país tiveram a oportunidade de ver ao vivo.
            A comunicação social fez um inquérito à população numa sondagem representativa para se saber da reacção social ,face à sentença. Isto deu uma grande celeuma, a população dividiu-se entre os prós e os contra. A sondagem deu como resultado que 70 por cento foram a favor da condenação do réu. Os restantes 30% pronunciaram-se a favor do desagravamento da pena. Foi assim a reacção da maioria porque ultimamente a violência nas ruas, nas casas, na TV, tem sido o pão nosso de cada dia e de cada noite. Ele é o roubo por esticão, roubo de carros, sequestros, já nem nos comboios se pode viajar sossegado.
            O Juíz, atendendo ao resultado da sondagem, resolveu, no âmbito dos seus poderes constitucionais, comutar a pena de Simâo para a pena de degredo para as Berlengas por dez anos. Simão não achou a pena pesada porque esperava que o indulto do Presidente da República haveria de reduzi-la para menos de um terço. Dizia isto porque conhecia um sujeito, político de profissão, que tinha sido acusado de alta corrupção com o desvio de 8 milhões e, tendo apanhado dez anos, ao fim de seis meses já estava cá fora. Como não o fizeram repor, o crime, neste caso, compensou!
            E Teresa?
            Teresa estava tentada a contactar o programa de televisão da SIC Ponto de Encontro, fingindo que não sabia, desde há um ror de anos, do primo Simão, para poderem ver-se cara a cara, conhecerem-se e ouvirem o timbre de suas vozes. Teresa, conformada com a sua situação, embora temesse pela sorte de Simâo que ia acompanhando pelos jornais e pela televisão, resolvera tirar, no convento, um curso por correspondência outro com o apoio do Fundo Social Europeu e outro inscrevendo-se na Universidade aberta, de forma a sair doutora quando fosse libertada do convento. Pensava que era esta a melhor forma de se valorizar, porque esperava um dia ser libertada. Quem sabe se o indulto presidencial não havia de incluir também, um dia, as presas dos conventos!
            Mas não esperava sair do convento, se se fiasse só no desamor do pai. Por isso, tinha prometido ao pai que preferia morrer a deixar de amar Simâo. E o pai, por mais tentativas feitas, não conseguiu dar liberdade à filha, porque ela nunca abdicou da sua paixão.
            Porque nas Berlengas Simão se sentia morrer aos poucos de pasmo - não tinha companheiros para jogar a bisca, nem gozava da complacência dos oito guardas (era o único preso da ilha) e porque sabia que Teresa continuaria por toda a eternidade no convento, pediu que o mandassem para a cadeia da Relação do Porto ou que o degradassem para Angola que estava em guerra civil. O Juíz determinou que seria enviado para Angola com o estatuto de soldado da guerra colonial a combater na frente de combate, e viajaria um mês mais tarde no navio Angola. Mas, dada uma avaria nas máquinas, o navio teve que se quedar ao largo da foz do Porto e, lá no alto,Teresa via-o partir com mil saudades. Ela, entretanto, tinha adoecido gravemente e pedia com insistência que a deixassem despedir-se de Simão. Mas de nada lhe valeram as lágrimas nem a doença que contraíu por causa das recusas. E Simão, um dia, viu a sua Teresa às muralhas do convento. Eram os últimos momentos da vida de Teresa. Pouco depois, viu-a cair nos braços de uma senhora que era a Madre Prioresa, para não mais voltar á vida. Tinha acabado ali, naquelas circunstâncias trágicas, uma teimosia de amor, à Romeu e Julieta, a que nunca ninguém conseguira pôr cobro - assim pensava a Madre. E esta  arrependia-se dos obstáculos que, a mando do pai ela, prioresa, interpusera contra Teresa. Lágrimas de crocodila!
            Simão, quando soube da sorte de Teresa e sentindo que o seu futuro já não tinha nenhum sentido, atirou-se ao mar. Este gesto era, nem mais nem menos, que, face aos impedimentos dos pais, aquela promessa que em todos os contactos telefónicos, epistolares e telmovelísticos eles se mimoseavam, a saber: «se os nossos pais não nos deixaram ser felizes na terra, ver-nos-emos no Céu, onde seremos eternamente felizes». Simão, voluntariamente, deixou que as ondas do mar abreviassem o seu encontro com Teresa no Céu, onde agora os dois se encontram.
            A morte voluntária, por amor, sublima todos os desgostos da vida e é passaporte para o céu..
FIM
 
           
 
 
publicado por argon às 14:46
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Sexta-feira, 27 de Março de 2009

O SANTO PADRE E AS VACAS

 

Até aos anos sessenta, as pessoas da aldeia estavam muito isoladas e, por isso, não sabiam nada do que se passava no país, quanto mais do que ia por esse mundo além! Andavam entregues às suas ocupações rurais que consistiam nas fainas agrícolas e na recolha dos alimentos que a terra produzia com muito trabalho. Estavam casados com a natureza da qual tiravam todo o seu sustento. Eram pessoas de poucos conhecimentos, pouco curiosas, sossegadas, laboriosas e de bons sentimentos. A sua vida diária repartia-se entre os cuidados da vida familiar, o cultivo dos campos e a criação e trabalho com os animais. Tinham o burro ou a égua para o transporte das pessoas e as vacas e o carro de bois para as fainas das sementeiras e para a recolha das colheitas. Uma vida simples, sem ambições, contentes com a vida que levavam.

Com o rodar do tempo, com a introdução da electricidade, a canalização da água ao domicílio, o desenvolvimento dos transportes, a rádio e, depois, a televisão, alteraram o seu sistema de vida em sentido qualitativo. A que o problema da emigração veio acrescentar uma nova, mais variada e mais rica visão do mundo.
Os emigrantes da primeira geração, ao atingirem a idade da reforma, regressaram definitivamente à sua terra natal, à qual se sentiam muito ligados, venderam os gados, abandonaram a vida do campo, fizeram obras em casa de adaptação aos novos costumes sedentários. Acharam que já tinham trabalhado o bastante, agora eram horas de descanso e despreocupação. E tinham razão.
Ora, foi neste clima de pós-emigração e de idade de reforma que presenciei o caso que passo a contar.
O dr. Videira, distinto médico ortopedista e os irmãos resolveram fazer da loja das vacas do pai uma cozinha e sala de estar, com uma escada interior, em caracol, de acesso directo ao 1º andar. A cozinha ficou equipada com uma lareira, estilo moderno e electrodomésticos. Ao fundo do espaço, estava um aparelho de televisão.
O senhor Joaquim Videira, pai do ortopedista, estava habituado, durante quase toda a vida de casado e de lavrador, a ver ali, ao fundo daquele espaço, a majadoira e as duas vacas com que tratava as terras, antes de atingir a idade da reforma. E, a certa altura da conversa, interveio, dizendo:
 -Eu alguma vez imaginei ver o Santo Padre além, onde tinha as vacas?
Na verdade, no sítio em que tinha outrora as vacas, tinha agora um aparelho de televisão. E o facto de esta, numa ocasião, ter estado a mostrar um programa com a figura veneranda do Santo Padre de Roma, sugeriu-lhe, agora, a ideia exposta.
Esta afirmação de espanto era bem o símbolo da modernidade e do progresso a que tinham chegado os habitantes da sua terra. E um sinal visível, palpável, da alteração de hábitos, mentalidades e comportamentos; um critério de aferição da melhoria da qualidade de vida e uma demonstração de abandono dos hábitos ancestrais de uma ruralidade de subsistência, herdada dos seus antepassados, depois de uma vida inteira a trabalharem no duro. A verdade é que este cidadão já merecia gozar «as delícias de Cápua», à sua maneira: com uma cozinha moderna, uma lareira a condizer, com electrodomésticos quanto baste, e um aparelho de televisão, qual janela aberta virada para todo o mundo, a completar a bateria de utensílios domésticos, demonstrativos do conforto e bem-estar do homem moderno.
 
Nota: texto do meu livro a editar «AS HISTÓRIAS QUE EU SEI».
publicado por argon às 22:25
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UM TESTEMUNHO VALIOSO E INSUSPEITO

Há dias, ofereci ao jardineiro da minha Praceta, chefe de equipa de um grupo de jardineiros de uma empresa de jardinagem, a quem a Câmara de Sintra entregou a tarefa  da preservação dos espaços verdes desta zona,  o meu livro «HUMOR EM PEDAÇOS». Há muito tempo que mantenho relações com ele. Mas agora, quando me encontra, é para se me dirigir a elogiar a hora em que lhe ofereci o livro.  A partir de então, vem ter comigo a dar-me conta das suas leituras. Hoje, cumprimentou-me nestes termos:

«À sua saúde, tenho apanhado cada pançada de riso que  minha mulher me disse: estás maluco, ou quê?»

Eis o melhor apreciador deste meu livro, o último que publiquei. Eu sei que muitos daqueles a quem eu o ofereci nem o abriram. É caso para dizer: é «dar pérolas a porcos».

Este testemunho insuspeito deste leitor devotado é mais valioso do que  quantas críticas elogiosas  tenho recebido de muitos leitores.

Todos sabem que é o livro mais cómico de todos os que s publicaram em Portugal, desde a fundação da nacionalidade. Aliás, eu tenho afrimado e mantenho que, se D. Afonso Henriques tivesse lido este livro, - não leu, certamente!-, não teria batido na mãe.

É, realmente, reconfortante, ouvir palavras VERDadEiraS, de vez em quando, deste apreciador das boas piadas.

No entanto, devo acrescetar que o livro tem um título um tanto enganador. É que o livro é, também, um livro de filosofia, que faz pensar e muito. Por isso, um crítico afirmou que é um livro que se deve ler a prestações, como quem bebe e saboreia um bom cálice de Porto ou, digo eu, como quem toma um remédio, com moderação. Porque também faz pensar! E de que maneira!

 

publicado por argon às 12:16
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Sexta-feira, 20 de Março de 2009

CÁ, COMO LÁ!

UNS COMEM TUDO...

 
Lembrei, há pouco, o caso da AIS, uma companhia de seguros que, para não ir à falência, foi subsidiada pelo governo americano em 180 mil milhões de dólares, ficando o Estado americano com 80% da AIS.. E que a AIS distribuiu aos seus executivos 165 milhões desse dinheiro dos contribuintes, como bonus.
Pois aqui, neste pequeno país, coisa semelhante se está a passar, segundo o Correio da Manã, de hoje:  diz que o BPP obriga ao pagamnto mensal, aos seus administradores, ou lá como se chamem, nada menos que a módica quantia de 19.500 euros, o que equivale, para se fazer uma melhor ideia, a 3.900 contos, em moeda antiga. Fora todas as outras regalias, acrescenta a notícia.
E o mais grave é que é o próprio regulador (mas regulador de quê?), isto é, o Banco de Portugal que «obriga» - são os termos do C.M, a fazer esse pagamento. Fora as restantes regalias.
Se isto não é gozar com o Zé, então o que é?
Obama está a a retaliar com o lançamento de um imposto de 90% sobre os pagamentos em bonus. aos executivos da AIG. Mas não se fica por , que aprovou o pgamento destes bonus. (medida semelhante cá, atingiria o Governador do Banco de Portugal) 
E por cá? O Governo não faz, nem diz nada?
A resposta é esta: não temos Governo, há muito, só desgoverno. O Governo não governa, governa-se,  ele, e os seus protegidos que são os que menos precisam de protecção.
Assim, não vamos lá!
Para oncluir direi o seguinte: O BPN pagou ao treinador Scolari 800 mil euros por ano, ou seja, um terço do seu ordenado mensal.!!! Em troca de quê? Calculem só: O BPN tinha direito a «bilhetes VIP para oferecer a algun
Scolari recebeu 2,3 milhões de euros por ano.
Isto é o que se vai sabendo. E o que não se sabe?

 

 
 

 

publicado por argon às 10:05
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Quarta-feira, 18 de Março de 2009

TEORIA TRADICIONAL DE TEMPERAMENTOS

 

 

TEORIA TRADICIONAL DE TEMPERAMENTOS DE EYSENCK, EM VÁRIAS SITUAÇÕES CONCRETAS REPRESENTADAS PELOS VÁRIOS PROFESSORES EM SITUAÇÃO DE CONFRONTO COM A MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
 
Ou as várias sensibilidades e reacções perante uma situação de agravo aos professores do ensino secundário oficial.
 
Teoria tradicional de temperamentos, baseada em Galeno, Kant e Wundt.
 
ANSIOSO
 
Tenho passado umas noites de insónia terríveis. Não sei se hei-se entregar os objectivos individuais, nem se não. Espero que as notícias em breve resolvam esta situação na minha escola que me traz em suspenso e com muita vontade de que o tempo passe, para se resolver este problema que me aflige.
 
PREOCUPADO
Trago sempre no meu pensamento este problema que me não deixa sossegado. Eu bem quero distrair-me, mas até parece que isto é uma obsessão. Afinal, há ou não há obrigação de entregarmos os nossos objectivos individuais? Vivo angustiado com esta incerteza.
 
INFELIZ
Até parece que o mundo, para mim, deixou de ter sentido. À medida que o ano lectivo avança., mais me fecho na minha concha a dizer mal do dia em que nasci, me casei e tenho os meus lindos filhos. É, realmente a minha, de professor, uma situação de tristeza e acabrunhamento. E tudo por causa de uma ministra que nos não deixa, sequer, respirar. Oh sorte malvada! Quando deixarei eu de sofrer e de fazer sofrer os meus familiares?
 
DESCONFIADO
Eu sou um optimista, nas presentes circuntâncias em que uma mulher chamada Maria de Lurdes nos quer dar voltas ao juízo. Estou em crer que isto vai dar bota. E creio que do lado dos professores, apesar de termos a nossa razão e o estímulo da maior parte dos colegas, vamos todos ser prejudicados ainda mais do que temos sido. Desconfio que o nosso conselho directivo vai alinhar com a ministra e seus acólitos, só para assegurar o seu lugar e com receio de ser punido. Oxalá eu me engane!.
 
SÉRIO
Há colegas meus no ensino que levam isto tudo para a brincadeira. Não é o meu caso. Toda a vida soube distinguir os assuntos pequenos, que passam com o tempo e aqueles sobre os quais devemos pensar bem para sabermos de que lado está a verdade e os nossos interesses. Nada de brincarmos com coisas que nos podem prejudicar. Devemos levar este assunto das nossas carreiras a peito firme! Afinal, está em jogo o meu futuro e o dos meus colegas!
 
PENSATIVO
Eu sou um introvertido. Sofro muito com a minha situação presente de professor. Maldigo o dia em que enveredei por este caminho. Que era gratificante se não fosse o ministério meter-se com o nosso trabalho de ensinar e querer obrigar-nos a burocracias que não conduzem a um sucesso escolar de qualidade. O meu silêncio não quer dizer que concordo com tudo. Tenho as minhas opiniões formadas que reservo para mim. E agirei em conformidade na altura própria. Sem espaventos. E tenho pensado muitas vezes no meu futuro e no dos meus familiares. Tenho posto o problema: valerá a pena tanto esforço, tanta canseira? Quem me dera poder reformar-me! E libertar-me desta pressão que me aflige!
 
RAZOÁVEL
Eu estou no meio termo: nem sou demasiado optimista, nem pessimista. Até penso que o ministério está a fazer algumas coisas bem. Mas outras são um atropelo à dignidade dos professores. Estou à espera, para ver no que dá este braço-de ferro professores/ministério. É evidente que tem de haver cedências de uma parte e de outra. Assim, não vamos a lado nenhum e seremos sempre prejudicados.
 
HOMEM DE PRINCÍPIOS
Eu não me deixo vender, nem entusiasmar pelas notícias que aparecem. Tenho que separar o trigo do joio. E ecrutiná-las. Tenho a minha opinião formada, firme e inabalável. Ninguém consegue abalar aquilo em que acredito. Nisto, quero ser um homem e não um vira-casacas. Continuarei a terçar armas pela dignificação dos professores, pelas normas que me têm regido até aqui.
 
CONTROLADO
Sou senhor de mim mesmo. Não me deixo manipular facilmente. Sei escolher entre várias opções. Sei o que quero e para onde vou. E reparo que o ministério da educação me quer levar para onde eu não quero. E eu não vou. O meu lema é este: antes quebrar, que torcer!
 
PERSISTENTE
Não me deixo vencer à primeira dificuldade. Sei que a desistência daquilo em que acredito é uma fraqueza. Que não vive comigo. A teimosia é a minha arma de combate. Tenho vencido muitas guerras com ser teimoso. E, nisto da educação, eu teimo que hei-de vencer, que havemos de vencer contra as prepotências do ministério da educação.Quem teima, vence! Havemos de vencer!
 
DECIDIDO
Não basta ser persitente. Tenho que ser afirmativo, ir para a frente, haja os obstáculos que houver. Tento vencê-los um a um com firmeza e determinação. E tenho alcançado muitas vitórias. Espero vencer mais esta batalha pela dignidade dos pofessores contra a tirania do ministério. Eu não vergarei perante as promessas falsas e as ameaças do ministério. Nós temos a razão e o direito do nosso lado. Não voltarei atrás com aquilo que estabeleci comigo mesmo e com os meus companheiros de luta.
 
TRANQUILO
Estou à vontade. Quem não deve, não tem. Eu não temo. E continuo a bater-me como sempre me bati por aquilo em que acredito. E não receio cominações, nem castigos do ministério. Afinal, que fiz eu de mal, se sempre cumpri os meus deveres na escola, inclusivamente, nunca dei faltas ao serviço que me foi distribuído. Que venham todos os os senhores do ministério! Não têm por onde me pegar. Essa é que é a verdade. Por isso, durmo sem sobressaltos.
 
EXALTADO
Tenho os nervos à flor da pele. Foi preciso chegar a esta idade e com estes anos todos de trabalho para me virem ofender na minha dignidade. Que venham todos os opositores, que os espero com a minha força de carácter, com a minha competência e honestidade. Querem lá ver o que nos fazem sem razão? Eu os desafio a meterem-se comigo, que verão o que lhes acontece! Isto já passa a mais! Eu não consinto que me pisem tão afrontosamente!
 
EGOCÊNTRICO
Quem me vir, sempre muito metido comigo mesmo, pensará que não sofro com estes ataques à Escola e aos docentes. Eu sofro calado, mas o meu interior ferve de raiva e de sede de vingança.
 
EXIBICIONISTA      
Eu sou muito espalhafatoso. Gosto de manifestar as minhas habilidades e o meu tempramento extrovertido. Gosto de falar em público, de me menifestar ruidosamente e de chamar a atenção para a minha pessoa. Nisto do diferendo com o ministério, não me posso calar e tive que me mostrar à cabeça da indignação, com um discurso sempre muito abundante e muito trauliteiro, dirão alguns. È a minha maneira de ser! Que mal há nissso?
 
IRASCÍVEL.
Já cortei relações com alguns colegas. Senti-me ofendido na minha dignidade com o seu comportamento. Deviam puxar mais pela sua escola e não deviam mostrar-se vendidos ao ministério. Eu já pus alguns colegas de parte. E zanguei-me de veras com alguns Qualquer coisa me irrita. E, então, nesta guerra que mantemos com o ministério, sobram as razões para eu me mostrar irritado com certos comportamentos. Que querem? Eu sou assim e não mudo! Porque não quero!
 
HISTRIÓNIICO
Dizem que eu tenho jeito para actor. Sou, na verdade espalhafatoso. Gosto de fazer acompanhar sempre as palavras com gestos. Às vezes, exagerados, concordo. Gosto de me exibir, é verdade. Mas, nesta coisa da intromissão do minisério da educação na nossa vida mais profunda, nas nossas convicções e no nosso carácter, é demais! Vejam que a ministra nos pôs de rastos. Descredibilizou a nossa reputação e a nossa dignidade perante os pais, os alunos e todos os portugueses. Ela quer voltar os pais dos alunos contra nós. Isso não se faz! Ela já devia ter sido demitida! Por mais gestos que eu faça, por mais gritaria que me saia da boca, não sei se valerá a pena tanta afirmação: uns de uma maneira, outros de outras, cada qual é como é e sabe. Eu sou um exibicionista. Também faz falta nesta grave conjuntura em que nos meteram, tão sem razão.
 
ACTIVO
Eu não sou capaz de estar parado. E mais, nestas cicunstâncias em que temos que nos mexer, temos que falar, protestar, berrar, para fazermos ouvir a voz da nossa razão e das nossas razões. Estou sempre em movimento e entro em parafuso quando penso na situação em que estamos metidos. Eu estou sempre na primeira linha quando se trata de protestar contra as prepotências do ministério da educação, que de educação tem, apenas, o nome. Sempre pronto para atacar a ministra e seus acólitos que, às vezes, ainda são piores do que ela. Podem contar sempre comigo!
 
TROCISTA
Já viram coisa mais mal engendrada? A ministra, nem parece uma ministra! Nunca acreditei que aquela mulher, com aquela cara, pudesse fazer alguma coisa de jeito pela educação. Contra, sim! Pois se ela não tem educação! Não sabe lidar com os professores e, o mais grave, é que não quer aprender a ser educada e respeitadora. Sim, porque só uma pessoa sem sensibilidade e sem consideração pelos outros pode dizer que lhe interessa mais ter os amens do povo português do que os dos professores. Não tem jeito mesmo nenhum para lidar com pessoas que merecem todo o carinho, consideração, admiração e respeito. Pessoas como os professores,  que, além de ensinarem, ainda fazem de pai e mãe dos jovens deste país, deviam ser mais respeitados na sua dignidade. Querem uma missão mais nobre do que esta? Não há!
 
SOCIÁVEL
Eu sempre me dei bem com toda a gente. Sou de trato fácil e benquisto. Procuro adaptar-me ao feitio das outras pessoas. Talvez seja por isso que todos se sentem bem na minha presença. Procuro ser agradável e ter conversas que cativem as pessoas. Dou-me bem com todos os colegas e todas as minhas colegas. Procuro não dar razões de queixa. Talvez por este meu feitio julguem que eu aceito os devarios da ministra. Não aceito. Simplesmente, não sou muito expansivo a dar à ma língua Mas vou para onde vai a maioria, que são os que não concordam com esta reforma educativa, nem com este Estatuto da Carreira Docente.
 
DE CARÁCTER FÁCIL
Por natureza, tenho facilidade em me dar com os meus e minhas colegas. Sei adaptar-me e procuro encurtar as distâncias por meio de conversas agradáveis e facilmente revelo a criatura leal, aberta e desempoeirada que sou. Não é preciso grandes pruridos para que as pessoas se possam abeirar de mim. Eu abro logo as oportunidades, quando vejo retardar uma aproximação envergonhada. Sou eu que vou ao encontro das pessoas. É por causa deste meu temperamento que alguns colegas poderão julgar que aceito com facilidade os atropelos da ministra contra as escolas e os seus professores. Estamos fartos desta mandona de ministra que quer fazer num ano o que se devia fazer em vários. E com diálogo, que é o que não há.
 
DESENVOLTO
Sou, por temperamento, despachado, desembaraçado. Não gosto de atrasar as suluções, prefiro os caminhos mais curtos. Poucas palavras e muita acção. Às vezes, dizem que sou um pouco travesso, pela maneira atabalhoada com que faço as coisas. Isso deve-se aio facto de querer apressar o final dos problemas. Até na linguagem sou um pouco destravado. É por isso que, às vezes, podem ficar com uma impressão menos boa de mim. Por exemplo, quando me refiro aos problemas que se prendem com a nossa escola, face às prepotências da ministra. Eu não sei disfarçar e confesso que, por vezes, me excedo. Mas não é por mal, acreditem.
 
OPTIMISTA
Vejo sempre as coisas pelo seu lado positivo. Porque todas as coisas, por mais feias ou por mais negativas que sejam, têm sempre um lado positivo que é preciso encarar. Fora com os pessimismos. Às vezes pergunto-me o que ganhamos nós com ver as coisas pelo lado negro. Também é verdade que, por vezes, apanho cada decepção! Estava à espera que as coisas saissem por cima e saem por baixo. Por exemplo, nesta questão do barço-de-ferro com o ministério. Eles talvez não sejam tão maus como muitos pensam. Reparem que eles estão a ceder. E já podemos, até, respirar um bocadinho mais folegadamente. Esperemos por melhores dias.
 
SATISFEITO.
Eu sei que é difícil, nesta conjuntura de oposição com o ministério, ser optimita e dizer que estamos contentes com esta guerra que já dura há meses. No entanto, eu creio que o resultado da nossa luta, embora não tenha um fim à vista, preencherá as nossas exigências. É que já chega de guerras e geurrinhas todos os dias. Precisamos de descansar e pensar na nossa profissão que é ensinar e formar os nossos jovens alunos.
Mas hoje uma notícia de jornal deixou-me contente: «Tribunal dá razão a professores na avaliação». Eu sei que é, apenas, a primeira vitória ljurídica nesta guerra sem sentido, contra os professores. Mas é uma vitória!
**
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Terça-feira, 17 de Março de 2009

UM PAÍS FUTEBOLIZADO

O nosso país está completamente futebolizado. Só quem esteja completamente fora da realidade poderá pôr esta verdade vergonhosa em questão.

Vamos aos factos:
Hoje três jornais diários dão-nos a ideia daquilo que eles julgam ser a maior preocupação dos portugueses: a tristeza em que vivem, mercê das circunstâncias mais adversas, os nossos queridíssimos jogadores de futebol.
Debrucemo-nos sobre a primeira página de cada um dos seguintes jornais de hoje: ‘Correio da Manhã’, ‘24 Horas’ e a ‘A Bola’.
 
Eis a manchete da 1ª página: do ‘Correio de Manhã’:
 
João Sabrosa perde sobrinho no mar
 
Eis a manchete de primeira página do ‘24 Horas’:
 
Sobrinho de Simão levado pelo mar
 
Eis a manchete do jornal ‘Record’:
 
Mar leva sobrinho de Simão
 
Até parece, por todos dizerem o mesmo pelas mesmas palavras, que se combinaram para fazerem o título.
E o ‘Record’ acrescenta, em letras mais miúdas, a acompanhar a mensagem da manchete:
 
«Tragédia de Matosinhos alarga-se ao futebol».
 
Mas há mais coincidências:
Os três ocupam a quase totalidade da 1ª página (a mesma área de espaço);
Os três exibem a foto de Simão e da mulher;
Os três jornais estão convencidos que esta é a a maior preocupação dos portugueses: condoerem-se, em espírito de solidriedade, com o Simão que toda a gente tem obrigação de conhecer. O Record acha que ao pronunciar-se o nome «Simão» tout court, toda a gente sabe de quem se trata.
E a pergunta que se põe é esta: então e a criança? Então e os pais ? Onde está o nome e a tragédia dos pais? Só Simão é digno da nossa compaixão!. (Não interessa nada focar a dor dos pais).
Só, sim senhores. É necessário saber-se que o futebol nacional está de luto. Porque morreu algum jogador de 1ª água? Não, senhores: porque a dor atingiu um futebolista de classe. O resto não tem qualquer interesse.
Os jornais continuam a massacrar os portugueses com este género de notícias.  Querem que os portugueses se preocupem, antes de mais, com a bola e com os seus ídolos. Aliás, as televisões comportam-se da mesma meneira. Para o futebol, tudo, para a cultura, por exemplo, que faz o valor dos povos, nada!
Só falta o futebol decretar três dias de luto. Pela morte da criança? Não, senhores. Pela dor que atingiu os pais? Não, mas pela dor do pobre coitado do Simão!
Pobre país que tem uma imprensa destas!
*
SOMA E E SEGUE
Mas a coisa não se ficou por aqui. A tragédia do desaparecimento no mar do sobrinho de Simão, alastrou às revistas do burgo. Elas, sempre tão atentas a tudo o que seja lamuriento ou digno de compaixão infinda, o que equivale a dizer, a tudo o que seja aumento de vendas, alinhou, também, no furo jornalístico.
 
A Revista FLASH!
titulou na capa em grande destaque:
 
Todos os dramas que a família tem vivido
 
MALDIÇÃO SIMÃO
-
A TV 7 dias - na mesma semana de 25 a 31 de Março de 2009, apareceu assim, com notícia na capa:
 
SIMÃO SOFRE PELO SOBRINHO
engolido pelo
 
Como se vê e lê, as revistas procuram, também, futebolizar uma notícia que nada tem a ver com o futebol. Como se não bastasse arregimentar a dor de todos os praticantes do desporto-rei, seus dirigentes,  bem como todos os adeptos que somam milhões, a sensibilizá-los para a dor incontida e infinda de Simão, as revistas procuram, também, e em sintonia, tocar todos os corações compassivos dos amantes da literatura de cordel cor de rosa que somam, também, muitos milhares, sobretudo senhoras.
E, se calhar, houve outras revistas a seguir o exemplo, numa atitude de solidriedade de sentimntos e que o meu olho vesgo não conseguiu vislumbrar, porque só vê o que aparece na montra.
E o menino? O menino, sgundo as últimas informações, continua sem aparecer.
Há dias, foi a consagração de Jos´Mourinho, com a atribuição da distinção  «doutor honoris causa», pela universidade onde se formou em desporto. Uma consagração merecida. Até, porque é um dos que tem levado mais longe e mais lto o nome de Portugal. Sem falar na sua competência profissional, sem contestação, com os resultados que todos sabem.
Mas a atribuição não podia ter sido em pior dia. Na verdade, era o dia seguinte ao penalti no jogo Benfica-Sporting que deu a vitória ao Benfica. O rescaldo foi abrasador porque foi um penalti errado, conforma confessou o árbitro.
Pois, meus senhores, de Mourinho, disse-se muito pouco. As telvisões passaram esse dia todos a todas as horas, em todas a televisões a dar o golo, a dar entrevistas, a fazer mesas-redondas e quadradas e rectangulares, sem fim. Foi uma fartura nauseabunda. A gente fazia zapping, mas íamos sempre a parar ao mesmo assunto: o golo, as estrevistas, os falatórios sem fim.
*

 

 
 

 

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Segunda-feira, 16 de Março de 2009

AMOR DE PERDIÇÃO, VERSÃO 2009

 

É evidente que, se Camilo Castelo Branco vivesse hoje e fosse um escritor com tanta arte e fecundidade como foi no seu tempo, o seu livro emblemático «Amor de Perdição» seria muito diferente.
 
Vamos, pois, imaginar, partindo da certeza de que eu não chegarei nunca aos seus calcanhares, como seria o romance «Amor de Perdição», nos dias de hoje.
 
AMOR DE PERDIÇÃO
 
Prefácio
 
Meus preclaríssimos leitores
 
É para vós que apresento este livro que imaginei e escrevi, enquanto estive preso às ordens dos revolucionários do chamado 25 de Abril, em pleno PREC ou «Processo Revolucionário em Crise». Quando me soltaram, depois de ter estado os primeiros três dias três dias a pão água numa cela imunda e imprópria de um ser humano, que cheirava a Salazar, disseram-me que me confundiram com um pide e pediram-me desculpa por me terem metido na prisão com um mandado de captura em branco. A verdade é que parecido comigo só há uma pessoa e essa é aquela que se encontra diante de mim, quando virtualmente reflectida no meu espelho de bolso.
Pois, já em liberdade, aqui estou eu com este livro que nenhuma editora me quis publicar porque diziam não me conhecer e não era portador de nenhuma carta de recomendação, vulgo, cunha. Tive que me socorrer das ajudas de amigos e da tipografia que me fez um preço muito especial e tive que fazer uma tiragem muito pequena. Disseram-me que se eu fosse uma figura mediática, um pivot da televisão, um actor, ou, até, um simples jogador de futebol, ou se a minha pessoa ou figura tivesse vindo estampada alguma vez nas chamadas revistas cor de rosa, a minha obra seria não só paga por um editor, como subsidiada pelo Estado e pela «Fundação Mário Soares». Assim, tive que me sujeitar a muitas limitações. Incluivamente, não tenho dinheiro para publicidade e o meu livro só poderá ser dado a conhecer às pessoas porta-a-porta, o que dá muito trabalho e se revela uma coisa quase ciclópica. Nestas cicunstâncias, ainda fiz um contrato com um distribuidor que me exigiu 85% do preço de capa (ficava-me com a parte de leão e eu ainda perdia dinheiro) e, depois de uma reunião que teve com o responsável cultural de um hipermercado, o livro foi rejeitado – eu era um desconhecido, e não pôde ser vendido nos hipermercados. Depois, lembrei-me de escrever ao director do «Jornal de Letras», para ver se me punha o livro numa das suas páginas, mandei-lhe um livro como oferta, mas ele nunca me respondeu. Eu sei que o meu livro é pouco atractivo, de aspecto. Repare que a capa quase dá vontade de fugir, só leva o título a preto e o nome do autor. Foi pena já estar publicado depois daquele livro com a capa de um artista, um tal Courbet, que traz uma mulher nua na capa como chamaril que, por sinal, até resultou, mas, agora, paciência. Não é encadernado como alguns que, além, disso, têm uma capa desenhada por um artista e que, como os olhos são os primeiros a comer, encantam logo os potenciais compradores, mal sabendo eles que, muitas vezes, o conteúdo não presta, mas já vão tarde. Também dizem que são atraídos pela publicidade em tudo o que é sítio, até nas ruas de Lisboa, em grandes cartazes. Mas, ao que me dizem, trata-se de publicidade enganosa, como a dos que oferecem dinheiro em 24 horas, sem entraves e, depois, face a uma situação concreta, de aperto financeiro, põem tantos entraves e exigem tantos papéis, que a pessoa acaba por desistir.
Finalmente, lembrei-me de ir oferecer a venda do livro a uma livraria das maiores do país. Fui lá eu, pessoalmente, mas o senhor disse-me que só pagando muito bem, me colocaria os livros à entrada da livraria em sítio muito visível. Eu rejeitei o negócio porque não tenho dinheiro e é, até, por isso, que eu serei o único escritor que publica livros para poder viver. Mas estes senhores não querem saber dos meus queixumes, nem das minhas necessidades, eles querem  é lucro, a qualquer preço.
Pelo exposto, apelo à generosidade dos meus potenciais leitores para que me comprem o livro. Reparem que eu nem lhes peço que se dêem a maçada de me lerem. Sei que têm outras preocupações de maior interesse. Mas poderão, porventura, fazer como a outros livros, segundo a opinião de um amigo do peito, ao menos comprem-mo para bibelot. Eu sei, por ele, que a maior parte dos portugueses compram muitos livros, mas lêem pouco. Mas, se eu estivesse no lugar deles, fazia o mesmo: é tão bonito entrar numa casa e dar de caras com uma estante cheia de livros, todos muito bem alinhados... Dão logo uma ideia de pessoa culta, de grande intelectual!...
Se esta minha obra tiver uma 2ª edição, é bom sinal: é sinal de que as coisas estão a melhorar e os leitores, que não são tolos, nem para comprar livros, nem para votarem, saberão separar o trigo do joio. Porque há livros, e livros, assim como dizia o meu colega de escrita pois, também no tempo dele, não ligaram nenhuma à sua obra e à sua arte. Refiro-me a Fernando Pessoa que disse que «Há mar e mar, há ir e voltar». Sim, porque qualquer badameco, hoje, publica livros! Já ouvi dizer e, até, acredito,  que alguns ‘autores’ mandam ecrever os seus livros!... Mas eu, se fosse a eles, fazia como dizia aquela criança para o pai: «ó pai, não faça livros, compre-os já feitos!». A criança tinha razão: é um trabalho muito trabalhoso, perdoai-me a tautologia, e dá pouco dinheiro e menos a escritores sem nome, como eu.
Agradeço ao leitor que acaba de me ler e de ver a situação em que me encontro. E estou certo que, se tiver coração e curiosidde, não deixará de comprar este meu livro.
 
S. Miguel de Sede, Março de 2009.
           
Camilo Castelo Branco.
 
(Continua)
 
publicado por argon às 21:26
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MAIS NOTÍCIAS

1. OS SUBMARINOS PORTÁteiS

 

Um dos jornais da capital titula, hoje, na primeira página: «Submarinos de Portas já estão prontos. Custam 900 milhões». E acrescenta: «e ninguém sabe muito bem como vão ser pagos». Isso não é problema nenhum. Já ouviram o Sócrates a queixar-se da falta de milhões para ele distribuir por aqui e por ali, nas suas visitas de propaganda e preparadas, para impressionar o Zé? E já viram os milhões que ele dá aos bancos sem um queixume? Onde vai ele buscar tanta massa? Pois é ao mesmo sítio que ele deve ir buscar os 900 milhões. Isso para ele não é nada! A não ser... para nós é que vai ser pior, que vamos pagar todas essas orgias com língua de palmo.

A não ser que faça questão em pagar, porque não foi ele que os encomendou. E que geraram grande polémica.

Os peixes que se cuidem. As águas profundas não são só para eles. Terão que partilhar o território subaquático com estes novos intrusos. Agora é que as nossa águas vão estar bem vigiadas! As águas profundas! Quanto às de superfície... nem é bom falar!

*

2. Mais um mini-texto 

 

publicado no 'Diário de Noícias', que enviei ontem, através de SMS.:

 

« Há, entre nós, uma cultura enraizada - é a cultura da mentira: mentem os políticos, os empresários, os gestores, os reguladores. O país pouparia imensos recursos se não ocultassem a verdade».

 

Esta foi a frase publicda.

Agora, eis a frase que eu enviei:

 

Há, entre nós, um cultura enraizada, quase institucionalizada - é a cultura da mentira: mentem os políticos, mentem os empresários, mentem os gestores, mentem os reguladores. O país pouparia imensos recursos se não ocultassem a verdade, ou não invocassem amnésias de mau pagador. »

*

3. ISTO É A AMÉRICA!

 

È um caso escandaloso que ultrapassa as  raias do incrível.

O Congresso americano subvencionou uma grande empresa de seguros para não falir. Deram-lhe 170 milhões para se recuperar. E que fez ela com este dinheiro? Desse dinheiro reservou 165 milhõe  para dar de bonus a sete administradores executivos!!! Dizem que está nos contratos, antes da falência a que esses mesmos bancos levaram o banco!!! Obama anda  a ver se consegue evitar este escândalo que brada aos céus. Duvida-se que o consiga.

*.

 

 

 

 

 

publicado por argon às 09:28
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Domingo, 15 de Março de 2009

AS MINHAS LEITURAS

Refiro-me à minha leitura do Diário de Notícias de hoje.

*

Ângela Merkel propõe controlos pontuais de armas. Depois do massacre daquele estudante que matou 16 pessoas numa escola e não sei que mais. A propósito, o que ela devia dizer é que o pai deste criminoso devia ser chamado à pedra porque tinha várias armas em casa. E a pergunta é esta: para que queria uma arma tão sofisticada que só com ela, sem a carregar de novo, deu aquelas mortes todas? (Noticia colhida da Internet.).

*

'Pais inundam escolas com problemas do 'Magalhães'. Só faltava mais esta: os profes terem que virar 'técnicos' informáticos', para consertarem os 'magalhães'. Os professores cada vez têm menos tempo para exercerem a função para que se formaram e dar aulas. Aliás, para o ministério, parece que isso é o que menos interessa. Isso não dá votos.*

*O menino bonito de Sócrates e seu lambe-botas, chamado Augusto Santos Silva, diz, numa longuíssima entrevista, que 'há duas campanhas contra Sócrates' Eu acho que há muitas mais. Tantas, pelo menos, como mais de meio país

O mesmo antipático afirma que não viu unanimidade no Congresso do PS. O homem é cegueta. Pois se, até os que não foram lá, viram, que Sócrates recebeu os aplusos de 100%! Ou não fossem todos devedores a Sócrates: devem-lhe emprego, favores, etc.

*

'Sem-abrigos vão ter casas pagas pelo Estado'. Isto é uma mistificação, melhor, uma notícia que se insere na campanha eleitoral. Ninguém acredita, só ele e os seus fãs. Ora verão. Aliás, ele nunca teve dinheiro para os pobres, Para estes é só promessas. Onde vai ele buscar tanto dinheiro que todos os dias vomita daquela boca? Fala em 50 sem-abrigos. Eles são  milhares.

'Socrates fecha visita a Cabo Verde com 270 milhões de investimnto. Ele que diga aos portugueses onde vai buscar todos os dias os milhões e a que preço, para nós, os portugueses, irmos, também, buscar ao mesmo saco.

*

Na visita a Cabo Verde, Sócrates recusou cantar e dançar. Disse que não sabia! Ele, que passa os dias a 'cantar e dançar'.! A cantar-nos o Fado malandro e a dançar na corda bamba, sem rede. Se nõ se acautela, cai! Para muios portugueses, já devia ter caído. Mas... quem o substitui? Não se vislumbra nada!

*

João Proença, o tal que parecia um crítico do governo e que tâo bem tem disfarçado para agradar aos trabalhadores de que é dirigente sindical, defende a maioria absoluta do PS. O homem desmascarou-se.

*

'Rezo mais por você do que por mim' afirmou Lula a Obama. Acho que faz bem. Obama precisa mais do que Lula. Mas o Lula esquece-se que está mais próximo de embarcar para o outro mundo - é mais velho, do que Obama, um rapazinho tão lindo e tão novo!

*

'Um toque de mão pode dar pena de prisão no Dubai'. E não só: 'consumo de álcool, danças, beijos' «e todo o tipo de nudez» são punidos com prisão. Como se vê, a Dubai ainda está na Idade Média em termos de costumes. E a mulher é uma desgraçadas sem direitos nenhuns!

*

Entretanto, Michael Jackson, soma e segue: 50 concertos já estão esgotados. na Inglaterra. E viva a crise! Porque os preços variam entre 180 euros e 10.800!  Este é o preço do leilão, isto é, da candonga. O preço original era de 81 euros.

*

E, se quiser encher a barriga até à náusea, vá até Santarém. Só espero que não lhe aconteça  como a mim, há anos: não tive lugar para estacionar o carro, nem espaço para percorerrer a feira gastronómica, nem para escolher um espaço para comer. Mas, com espera e muita teimosia e encontrões, lá conseguimos uma mesita e comer o que pudemos! Tenha, porém uma certeza: ali, não se vislumbra  a crise!

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publicado por argon às 17:21
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