Domingo, 31 de Maio de 2009

RETRATO DE ANTÓNIO GUTERRES

 

A CAMPANHA ELEITORAL DE 1995
 
O texto reproduz o frente-a-frente na RTP1 entre o candidato do PSD, Fernando Nogueira e António Guterres do PS. Foi um programa memorável onde Guterres se afirmou claro vencedor. Faz-se o retrato de António Guterres que veio a ganhar as eleições, tendo sido nomeado Primeiro-Ministro. Retrato que, durante toda a sua actuação nesta qualidade, se revelou fiel e quase imutável.
Discurso de segunda pessoa, dirigido a Guterres, agora Alto-Comissário das Nações Unidas para os Refugiados. Neste poema, nunca se declara o nome do retratado, António Guterres, que voltou a aparecer nos cartazes do PS para as Europeias.
 
Se és um português, como poucos sabem sê-lo
e amas o teu país com carinho e com desvelo;
 
Se és um homem bem-posto, afável e risonho,
inspirando confiança ao homem mais bisonho;
 
Se sabes caminhar bem com pé firme e decidido
e, qual bambino lindo, tu és o mais querido;
 
Se tens um timbre de voz harmonioso e agradável
e inspiras confiança e te mostras sempre afável;
 
Se não és gordo nem magro e vestes a contento,
segundo as circunstâncias de um qualquer momento;
 
Se tens sempre nos lábios um sorriso de confiança,
como a inspirar firmeza, mesmo em qualquer mudança;
 
Se és um optimista, mesmo em caso de não sê-lo
e prendes os auditórios que se encastram a ti com zelo;
 
Se tens um olhar risonho, ardente e de simpatia,
inspirando aos teus sequazes motivos de euforia;
 
Se tens «poderes absolutos de vivência mediúnica»
para resolver problemas graves com uma solução única;
 
Se tens resposta p'ra tudo, pronta e de gosto novo,
a cair muito bem caída sempre no goto do teu povo;
 
Se tens um verbo fácil, charmoso e convincente,
mais pelo sonido do que pelo senso envolvente;
 
Se sabes com a tua facúndia responder ao adversário
com um discurso sempre pronto, certeiro e muito vário;
 
Se sabes dizer às gentes o que elas querem ouvir
e lhes sabes prometer um muito melhor porvir;
 
Se no frente-a-frente na TV estás sempre, sempre pronto,
sem receios nem timidez de um semelhante encontro;
 
Se estás sempre disponível para o confronto mediático
e vês todos os assuntos pelo espelho democrático;
 
Se quando se fala em ditadura tu dizes «não sou dos tais»
e, nas promessas que se fazem, tu és o que prometes mais;
 
Se sabes fazer constar que em ti é proselitismo
o que nos outros, bem demonstras, se chama clientelismo;
 
Se há quem diga serem teus os media da escritura
com o Público à frente, a promover a candidatura;
 
Se soubeste escolher com o teu staff um bom conselho
E acertaste no slogan do «novo contra o velho»;
 
Se semeias o país com a tua compostura
em estéticos cartazes a favorecer a criatura;
 
Se «o homem que sabe o que quer para o país» ser melhor
só suscita tímidas críticas de qualquer opositor;
 
Se da segunda fase soft a «laranja» faz bem troça
do slogan mais feliz «a nova maioria é nossa»;
 
Se imbuído no cartaz tu puseste um «coração»
porque à frente do racional privilegias a afeição;
 
Se com o teu último outdoor te distingues dos demais,
extravasando para o povo as preocupações sociais;
 
Se numa síntese oportuna sabes agarrar a ocasião
para lançar aos quatro ventos a «razão e o coração»;
 
Se com os ícones e os índices ganhas uma nova ética
como meio fático privilegiado de «indicialidade estética»;
 
 Se esta síntese prospectiva é um ganho, na verdade,
como que uma visão do mundo - «simbiose da modernidade»;
 
Se numa só e mesma mensagem subjazes a subliminar,
de mudança para melhor, em todo e qualquer lugar;
 
Se a foto do último cartaz é o cúmulo da beleza
Marcelo (1) dixit mais parece um «Redford à portuguesa»;
 
Se no primeiro debate dos media todos te dão vitorioso
por teu mérito e qualidade e por seres o mais charmoso;
 
Se os teus dotes de triunfador não sofrem qualquer compita,
vide o staff dissecador da análise do Mesquita; (2)
 
Se os analistas mais encartados com a análise magistral
te acharam mais descontraído e muito mais normal;
 
Se em presença dos bibelots te achaste mais natural,
com melhor timbre de voz e mais capacidade gestual;
 
Se sabes juntar ao porte um quantum satis de ironia,
adoçado com xis de humor, em tom rosa de alegria;
 
Se sabes ler nas entrelinhas a mensagem codificada
em metáfora ‘graçamoira’ (3) de «paixão assolapada»;
 
Se tens uma visão genérica que abarque todos e tudo
e prestas mais atenção, mais à forma que ao conteúdo;
 
Se guardaste uma boa imagem para o teu segundo debate
que tiraste da cartola, para superar o empate;
 
Se te perguntassem os eleitores, como se pergunta a um doutor
que milagre, dirias bem, «são rosas, (4) meu senhor!»;
 
Se estás disposto a formar governo com maioria ou sem ela,
sem curares de saber do número da clientela;
 
Se lá nisso és mais afoito do que é o teu rival,
porque queres governar, mesmo com minoria real;
 
Se no confronto do primeiro debate, com a tua doce lança,
tu bateste, desde o início, «o homem de confiança»;
 
Se essa noite foi notória, foi a noite do tira-teimas
e afastou do horizonte as notícias mais toleimas;
 
Se venceste ainda mais no segundo frente-a-frente,
- foste um «claro vencedor», quem o diz é o Vicente; (5)
 
Se a noite SIC memorável foi esclarecedora, sim senhor!,
porque os portugueses gostam sempre de votar no vencedor;
 
Se, como disseram as sondagens, a «rosa» já venceu
sem ser preciso, diz Cerqueira, (6) «rabos nem plumas ao léu»;
 
Se em audiência os debates bateram o Big Show Sic,
o que quer significar que foi coisa muito chique;
 
Se o que diz a nossa imprensa é que vai cair nas urnas
e as campanhas são uma festa de combate às taciturnas;
 
Se «não fazes ideia nenhuma do que seja governar»,
mas tens um grande poder e subtileza no argumentar;
 
Se as câmaras das TVs, te favoreceram, com certeza,
porque tu foste mais dotado pela madre natureza;
 
Se «uma pose do primeiro-ministro tu tomaste por antecipação»,
porque tomaste sobre os ombros a responsabilização;
 
Se soubeste ouvir calado os argumentos do rival
e soubeste dar-lhe resposta, adequada, filosofal;
 
Se no tele-debate do segundo round usaste um guarda-roupa
que a crítica menos lisonjeira sabidamente poupa;
 
Se também bateste aos pontos mais uma vez o teu rival
através de um bom combate de boa expressão corporal;
 
Se pelas câmaras e cenários, fizeste uma boa figura
conseguindo iludir a verdade da diferença de estatura;
 
Se a tua forma de olhar era um sinal de esperança
que conseguiste incutir em todos com uma pose de segurança;
 
Se até a disposição da mesa, aproximando os dois,
te favoreceu com vantagem, conforme se viu, depois;
 
se a memória veio em teu socorro, em um momento de aflição
e te agarraste com denodo à «tábua» da educação;
 
Se és um homem viajado de Lisboa a Calecu
e seis primeiros-ministros europeus dizes tratar por tu;
 
Se soubeste dar resposta firme ao «manifesto anti-Portas» (7)
e com a reacção de Aveiro tu nem sequer te importas;
 
Se tens acima da clientela o pundonor da criatura
e soubeste muito bem arrumar a «Candal figura»; (8)
 
Se no «exame» marcelista tens sempre nota de distinção,
ao contrário de tantos outros que mereciam reprovação;
 
Se as sondagens e o «D.N.» te dão como vencedor
e nos mostram quanto vales na ideia do eleitor;
 
Se a parafernália mediática já decidiu o vencedor,
dizes bem: «para que serve votar no outro senhor?»;
 
Se tens o perfil adequado e és uma força da natureza,
CANDIDATA-TE A PRIMEIRO-MINISTRO!
GANHAS, COM CERTEZA!
………
Notas: 1 – Marcelo Rebelo de Sousa, jurista, político, prof. universitário, jornalista e comentador político.
(2) - Mário Mesquita - prof. Universitário e analista político.
(3) - Vasco Graça Moura - escritor, tradutor, político e comentador.
(4) - A rosa é o símbolo da PS. A expressão veio da boca da Rainha Santa Isabel, mulher de D. Dinis, rei de Portugal, reportando-se ao célebre «milagre das Rosas».
(5) - Vicente Jorge Silva - jornalista, antigo director do PÚBLICO, político e comentador político.
(6) - Adriano Cerqueira - funcionário da televisão RTP. E comentador do desporto automóvel.
(7) - Paulo Portas - jornalista, antigo director do Independente, político.
(8) - Candal - na altura, advogado, político e figura frontal, muito controversa.
publicado por argon às 12:41
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PORQUE DEIXEI DE SER SÓCIO DO ACP

 

 Foi em Agosto de 2005. Estava, com a família, a passar as férias numa pequena aldeia, Campo Benfeito, capital do teatro (virei ao tema com os pormenores), do concelho de Castro D'Aire, onde tenho uma casa de férias. Tinha ido a Lamego fazer compras. No regresso, mesmo à entrada  da autoestrada Vila Real-Viseu, o meu carro negou-se a andar. Deitei a moeda ao ar e chamei o ACP de que sou sócio há 30 anos, em vez de chamar a Companhia de Seguros. Foi o meu erro.
Imediatamente, me pus, via telemóvel, em contacto com o ACP, para que me viessem rebocar o carro e levar, de taxi, os quatro passageiros que levava.
O reboque não demorou a chegar. O pior foi a chegada do taxi. O A.C.P., com toda a fama que tem de prestador fiel de serviços, demorou a apresentar dois taxis   três horas e 20 minutos. Estava à distância de um quilómetro de Lamego. Foi o resultado de dez chamadas via telemóvel!!! que o ACP me devia ter pago e não pagou. Apesar de o meu carro ser um BMW 520 D, não esteve imune a uma avaria na estrada. Aqui não há ricos nem pobres, carros bons e carros menos bons. Carros de alta ou de baixa cilindrada. Todos são iguais perante as 'leis' da avaria.Até aqui. o sol quando nasce, é para todos.
Quando acabaram as férias, escrevi ao ACP dando conta dos pormenores do caso , protestando e pedi que o meu contrato com o ACP fosse cancelado. O ACP respondeu-me a pedir desculpa, confirmou todos os meus dados, disse que ia averiguar, mas nunca foi capaz de assumir as responsabilidades, nem culpar ninguém pela anomalia.
O ACP ainda me telefonou, mais tarde, para eu não desistir de ser sócio, mas eu, com esta patifaria sem nome e tendo feito as contas sobre os dinheiros avultados dispendidos a favor de uma instituição que era suposto ajudar-me, deitando contas ao deve e haver, verifiquei que, durante esses trinta anos, apenas chamei o ACP três vezes. Façam as contas  às centenas de euros que eu despejei no ACP. O défice é francamente negativo.
No entanto, o ACP está-se marimbando para o meu caso. Não precisa dele para limpar a sua imagem. É, apenas, menos um sócio. Isso não reduz em nada os proventos chorudos do ACP que continua a receber grossas maquias todos os meses, dos seus milhares de sócios.
Afinal, se todos os automobilistas fizessem contas ao deve e ao haver, talvez desistissem como eu, Mas é moda, dá status ser do ACP. É como ter um cartão do Unibanco. É chique, nada mais!
*
 
 

 

 
 
                                        
 
 
 
 
publicado por argon às 11:56
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Sábado, 30 de Maio de 2009

O FÁCIL E O DIFÍCIL

 

JOGO DAS DIFERENÇAS
O FÁCIL E O DIFÍCIL
 
É fácil criar inimigos – é difícil fazer amigos;
É fácil destruir – é difícil construir;
É fácil ganhar dinheiro – é difícil gastá-lo bem;
É fácil ser ignorante – é difícil ser ilustrado;
É fácil pedir um segredo – é difícil guardá-lo;
É fácil apaixonar-se – é difícil amar;
É fácil ser-se ditador – é difícil ser democrata;
É fácil ser-se clemente – é difícil ser-se justo;
É fácil discutir o novo aeroporto – é difícil acertar na sua localização;
É fácil conspurcar o chão – é difícil ganhar hábitos de higiene;
É fácil falar – é difícil ser falado por bons motivos;
É fácil dizer-se democrata – é difícil sê-lo de verdade;
É fácil prometer – é difícil cumprir;
É fácil acreditar – é difícil mudar de religião;
É fácil baldar-se às aulas – é difícil aprender sem elas;
É fácil ser pobre – é difícil ser rico;
É fácil aumentar o número de desempregados – é difícil diminuir o desemprego
É fácil dizer-se inocente – é difícil confessar-se culpado;
É fácil invejar o sucesso alheio – é difícil construir o próprio;
É fácil baixar as regalias dos funcionários públicos – é difícil repor o poder de compra;
É fácil pôr uma casa em venda – é difícil vendê-la;
É fácil fazer um programa de governo – é difícil governar bem;
É fácil dar - é difícil retribuir;
É fácil esquecer – é difícil ser reconhecido;
É fácil ofender – é difícil esquecer a ofensa;
É fácil entrar num labirinto – é difícil sair dele;
É fácil ser um pinga-amor – é difícil amar de verdade;
É fácil ser-se um D. Juan – é difícil comprometer-se;
É fácil casar – é difícil segurar o casamento;
É fácil bajular – é difícil servir;
É fácil entrar preso – é difícil sair da prisão;
É fácil ser pecador – é difícil ser santo;
É fácil perder tempo – é difícil administrá-lo bem;
É fácil ser-se levado pela publicidade – é difícil não cair em tentação;
É fácil ser famoso – é difícil merecê-lo;
É fácil atacar – é difícil pôr-se na defensiva;
É fácil dizer mal – é difícil dizer bem;
É fácil no futebol chutar a bola – é difícil meter golo;
É fácil ser o último – é difícil ser o primeiro;
É fácil adoecer – é difícil curar-se;
É fácil os deputados inflacionarem seus vencimentos – é difícil aumentar-se a função pública;
É fácil desfazer uma imagem – é difícil repará-la;
É fácil ser despedido no emprego – é difícil arranjar emprego qualificado;
É fácil ir à Escola  – é difícil chumbar;
É fácil ir encostado ao bordão de peregrino – é difícil, ao da velhice;
É fácil ser romântico ou idealista – é difícil ser prático e realista;
É fácil mandar bocas – é difícil fazer obra de mérito;
É fácil afinar as cordas da guitarra – é difícil afinar as cordas da garganta;
É fácil desmentir um governante – é difícil ele retratar-se;
É fácil prender um inocente – é difícil acertar no culpado;
É fácil acusar um pedófilo – é difícil obrigá-lo a reconhecer  a sua culpa;
É fácil acusar um colarinho branco – é difícil condená-lo, metê-lo e mantê-lo na prisão;
É fácil ir aos arames – é difícil ter paciência;
É fácil comprar um carro – é difícil mantê-lo e pagá-lo;
É fácil fazer um aborto – é difícil aumentar a natalidade;
É fácil levantar um falso testemunho – é difícil repor a verdade;
É fácil dar um conselho – é difícil seguir um bom exemplo;
É fácil aceitar um elogio – é difícil ouvir uma censura;
É fácil ficar com rugas – é difícil disfarçá-las;
É fácil ver-se ao espelho – é difícil, conformar-se com a imagem;
É fácil fazer economia doméstica – é difícil fazer economia de mercado;
É fácil dar a liberdade – é difícil garantir a segurança;
É fácil falar dos problemas – é difícil ignorá-los;
É fácil encolher no necessário – é difícil poupar no supérfluo;
É fácil dialogar – é difícil tomar uma decisão drástica;
É fácil convencer um ignorante – é difícil (com)vencer um teimoso;
É fácil ser de um clube – é difícil mudar para outro;
É fácil jogar na lotaria – é difícil comprar o número premiado;
É fácil receber uma aula – é difícil dá-la;
É fácil escrever um livro – é difícil vendê-lo;
É fácil estar em ministro – é difícil ser ministro;
É fácil julgar os pobres – é difícil condenar os ricos;
É fácil diminuir o défice à custa dos pobres – é difícil fazê-lo à custa dos ricos;
É fácil menos défice aumentando os impostos – é difícil, cortando nas despesas;
É fácil fazer gastos com o dinheiro alheio – é difícil fazê-lo com o próprio;
É fácil fazer o discurso da pobreza – é difícil diminui-la;
É fácil acusar – é difícil provar;
É fácil julgar os erros alheios – é difícil reconhecer os próprios;
É fácil pedir perdão – é difícil perdoar;
É fácil exibir a vitória – é difícil assumir a derrota com dignidade;
É fácil sonhar todas as noites – é difícil lutar por um sonho;
É fácil proibir – é difícil cumprir;
É fácil ver o conta-quilómetros a andar – é difícil ver o (des)conta-euros;
É fácil enriquecer depressa – é difícil enriquecer devagar;
É fácil habituar-se às drogas – é difícil sair delas;
É fácil elogiar o 25 de Abril – é difícil fazer o 25 de Abril dos marginalizados,
dos excluídos e dos injustiçados;
É fácil caluniar – é difícil elogiar;
É fácil viver o presente – é difícil adivinhar o futuro;
É fácil andar na moda com calças rotas e coçadas - é difícil fazer face aos gastos da moda;
É fácil preencher o boletim – é difícil acertar no euromilhões;
É fácil servir-se – é difícil servir;
É fácil fazer contas com a máquina de calcular – é difícil fazer contas de cabeça;
É fácil propor a remuneração salarial da função pública – é difícil discuti-la e chegar a acordo;
É fácil tocar um assobio – é difícil aprender a tocar um instrumento musical;
É fácil viver com uma reforma milionária - é difícil viver com o ordenado mínimo;
É fácil ler este texto – é difícil os difíceis dele.
   ARGON                                                                                                          
 
 
publicado por argon às 22:32
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OS APLICADORES OU O ATESTADO DE INSANIDADE DOS PROFESSORES

 

1. Hoje a classe dos professores volta à rua numa manifestação contra as medidas do ministério. A Escola, que devia ser um lugar de excelência, onde reinasse a paz e a concórdia, é uma autêntica barafunda e um dos sítios do mundo mais maus para se passar grande parte do tempo, por obrigação, a trabalhar ensinando e formando os jovens, para poderem enfrentr com êxito as incógnitas de um futuro exigente e competitivo.
Hoje, quero trazer para aqui dois textos que li recentemente.
Um é da autoria de um socialista que já foi ministro, que escreve todos os domingos um artigo de opinião no jornal «Público» e que toda a gente tem por competente, sabedor, sensato, patriota. Chama-se António Barreto. Escreveu um texto, no domingo passado, a que deu o título de «Aplicadores». Ao ler este texto, se eu fosse ministra da educação, pediria logo a demissão e entregava a rédeas desta barafunda e desta destruição chamada educação, ao maior responsável pela hecatombe educativa que ele conseguiu nas escolas do meu amado país
Não quero ser maçador, mas cito, apenas, algumas passagens que mais me impressionaram:
« O ministéro trata os professores como se fossem imaturos e aldrabões. Não admite a autonomia. Abomina a iniciativa e a responsabilidade. Cria um clima de suspeição. Obriga os professores a comportarem-se como robôs.» Na verdade, ele critica ferozmente as regras que o ministério manda ler (nem uma palavra da cabeça deles aos alunos) aos alunos em situação de exame, na sala de aulas. As instruções são emitidas como se  os proessores fossem analfabetos, imbecis, irresponsáveis, idiotas e ignorantes. É um compêncio de infantilidades.
E o texto termima assim:
«Todos estão exaustos. Todos sentem que o ano foi em grande parte perdido. Pior: todos sabem que a escola está, hoje, pior do que há um ano».
É caso para acrescentar: prendam já os responsáveis pela destruição da escola em Portugal. São uns autênticos dementes! Como é que toda a gente vê isso e só eles, os padagagos, não?
 
2. O segundo texto é da autoria do filósofo José Gil e vem publicado no jornal «Público» de hoje.
Só lhe fiz uma leitura apressada no meu jornaleiro, uma leitura quase clandestina. Mas, mesmo assim, retive algumas ideias principais.
 
«O ministério conseguiu virar todos contra todos».
Os parâmetros da avaliação submergiram as aprendizagens.
Perdeu-se a relação afectiva professores/alunos.
«Quem és tu?» - pergunta, invectica um aluno para um seu professor?
Terá de vir uma toda geração para repor as coisas no seu lugar. Porque, digo eu, destruir é muito fácil e muito rápido. Construir é difícil e moroso.
E o mais grave de tudo é que, apesar de tanto trabalho, de tanta reunião, de tanta zanga, de tanta teimosia, de tanto choro a ranger de dentes, de tanta burocracia, a verdade manda que se diga que o sucesso escolar é um inêxito. Os resultados são maus, para o esforço dispendido, apesar das estatisticas falseadas e de todos os facilitismos dos exames.
Na educação é o que se sabe. Na justiça é o que toda a gente diz.
O próximo governo que vier, se for de outra cor partidária, terá muito que fazer, terá muito que desbastar, para conseguir reparar – e só conseguirá em parte da destruição.
Termino com uma citação do grande Fernando Pesoa, só que, ao contrário:
Nada valeu a pena, porque a alma dos predadores foi muito pequena.
*
AS ELEIÇÕES EUROPEIAS
Os portugueses sabem muito pouco sobre a CE cuja campanha começou há seis dias e se prolonga até véspera do dia das eleições, ou seja, 7 de Junho. Pois não é que os partidos, sobretudo os dois maiores, PS e PSD, em vez de esclarecimentos e aumento da informação sobre a CE, passam todo o tempo a acusarem-se disto e daquilo?
Vital Moreira é um coleccionador de gaffes a que o PS vai pondo cobro como pode. É que ele saltou da teoria para as práticas políticas. Escrever escrevia ele muito o que lhe dava na gana, sem medo de contraditório, que não havia. Escrevia o que lhe apetecia, sem ser incomodado. Agora, não: as coisas mudaram de figura, da paz da universidade para o palco da realidade política.
Quase todos os dias inventa mais uma invectiva: a última – a da responsabilidade das «figuras gradas do PSD» na destruição do BPN. Responsabiliza o PSD pelo caso BPN. Talvez para se vingar das acusaões do caso Freeport de que o PS é acusado, nas suas figuras mais gradas, vulgo José Sócrates.
Quer dizer: os candidatos passam as campanhas em acusações permanentes, - partidos contra partidos. Isto é a politica à portuguesa. Coitados, eles não sabem nem querem fazer política de outra maneira. E queixam-se que os portugueses não ligam nanhuma às eleições e aos políticos. E que se prevê forte abstenção. De quem é a culpa?
*

 

publicado por argon às 12:19
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Sexta-feira, 29 de Maio de 2009

UM DESCONTO DO VAI-E-VOLTA

 

 

Hoje fui meter gasolina no meu carro, munido de um recorte do Diário de Notícias que dá direito a um desconto de 5 cêntimos na BP. Foi recusado este recorte que todos os dias o D.N. publica. E explicaram porquê. Porque a empresa BP tem um contrato sobreposto com o LIDL. Hoje, calhou a passar por um posto da BP e tinha em grandes parangonas: Desconto de 12 cêntimos. Reparem como é que a coisa funciona. em cada 20 litros que meto (de cada vez) dão-me um papel com um desconto de 12 cêntimos. Para ter direito, tenho que me deslocarr ao LIDL fazer compras e é descontado na caixa. O LIDL. por sua vez, entrega ao cliente um papel com direito a descontar 12 cêntimos na BP. E assim sucessivamente até ao infinito. È uma dança do vira - ora agora viras tu, que eu já virei. É um rodopio que obriga os que estiverem dipostos a abastecerem-se de produtos vendidos só no LIDL. É um jogo do vai e vem! E o contrato com o D.N., petguntar-me-ão. Naturalemnte continuará a ser rejeitado pelos automobilistas detentores do recorte. Sem dor de consciência porque o lucro não olha a meios.

publicado por argon às 22:36
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Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

TÍTULOS E TÍTULOS

O diário de Notícias de hoje traz uma ilustração de quase meia página com  o treinador (calculo) do Barcelona a pairar no vácuo, depois de atirado ao ar pelos jogadores do Barcelona, de mãos no ar. Uma bela foto, diga-se.

E, ao lado, como que a explicar o inexplicável, traz esta frase:

 

«Barcelona rouba Liga dos Campeões a Ronaldo».

 

É uma daquelas frases parvas, tolas, que só mostra a cegueira de certos jornalistas

Eu vi parte do jogo, a partir do meio . E verifiquei que o Barcelona deu uma lição ao Ronaldo (digamos assim) que, coitado, chorava de tristeza no fim, como um derrotado no seu orgulho de muitas vezes vencedor.

Aqui não houve nenhum roubo, o que pressupõe batota. Que não foi o caso. O Barcelona mereceu vencer e venceu bem. O resto são cantigas. O Ronaldo não pode vencer sempre!

 

Outro título do D.N.

PS retira apoio a Constâncio

.

Numa das páginas interiores desenvolve o tema. E diz a notícia que o partido socialista deixa cair o (des)governador do Banco de Portugal que é PS e indefectível, porque há indícios de negligência, uma coisa que toda a gente sabia, mesmo sem precisar de ter tirado um curso de economia. O que ele negou sempre, para fazer companhia a todos os grandes mentirosos que andaram a sacar para o bolso deles anos a fio.

Quando é que surgirá um político ou economista ou gestor ou um dos donos do futebol que venha dizer-se culpado disto, ou daquilo? Nunca!

E a nossa justiça? Ora a passo de caracol, ora a passo de caranguejo. Sem pressa e sem vontade.

Todos veremos, no fim, todos a serem ilibados. Depois do branqueamento de ecapitais, haverá o branqueamento de culpas.

Lembram-se do Tapie, ex-ministro francês que esteve preso? De um graúdo da banca espanhola que foi para a prisão?

Aqui, ninguém vai preso!

publicado por argon às 13:43
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O SENHOR DO JAGUAR

Estou a hesitar se hei-se enviar, ou não, esta frase para o Diário de Notícias. Depois de me não terem publicado uma frase que, por sinal, António Barreto, desenvolveu em meia página no Público o que eu resumi em 6 linhas de uma coluna de jornal, e depois de ter protestado junto do provedor dos leitores, - o que valeu 2 respostas deste à minha pessoa, sem chegar a nenhuma conclusão, embora me prometesse particpar do resultado final, sem nunca me chegar, resolvi dar parte das minhas preocupações aos meus potenciais leitores.

A frase (ainda sujeita a correcção e parfeiçoamento):

 

Por mais batedores que tivessem actuado para fazerem sair o coelho da toca, este negou-se, sempre, em sair a coberto da  imunidade protectora. Mas eis que ele saíu imediatamente, logo que entrou na toca o furão chamado Oliveira e Costa.

 

 

Refiro-me ao «valentão», Loureiro - a Loureiral figura dos tempos modernos. Eis que chegou à televisão pavoneando-se no seu (seu, ou nosso?) Jaguar e dizendo que não tinha nada a temer. Ele disse isso porque sabe o estado em que está a nossa justiça. Pelas ruas da amargura, julgando, apenas, os pilha-galinhas.

 

Foi um roubar vilanagem!

 

Todos roubaram o mais que puderam. E, agora, todos mentem, dizendo que não têm nada com isso, que o que fizeram foi tudo legal. Ele, aqui há tempos, dizia que não se lembrava de nada que tivesse feito ou assinado. Disse, por outras palavras, que andava ali - no BPN, aos papéis. Mas a verdade é que ele se apresentava sempre, no fim do mês, a receber chorudas quatias e nos finais  de ano, recebia o bolo dos prémios mais que chorudos. E têm-se descoberto muitas anomalias. Só não se consegue descobrir para onde foi o dinheiro. E nós, contribuintes, estamos a arder com milhares de milhões, sem termos nada com isso!

Assim vai este país com o governo ditatorial e esbanjador que temos!

publicado por argon às 12:30
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PATRÕES, CE, TREINADORES E JOGADORES

Nunca concordei que um empregado esteja sempre contra o patrão. Por princípio, acha que o patrão não devia existir. Entra, assim, em colisão, com o bom senso que lhe devia dizer que é ele que o sustenta, que lhe garante o pão. Recordam-se da OPEL da Azambuja onde os trabalhadores nunca concordaram com fazer um acordo de cavalheiros com a empresa? E aconteceu a empresa fechar e todos foram para a rua. Comparem com a Autoeuropa onde os trabalhadores chegam, por certas cedências, a uma plataforma de entendimento com a empresa. E ela continua de pé e de portas abertas.

É o que me fazem lembrar certos deputados europeus, portugueses, que são frontalmente - nunca o disfarçaram, contra a Europa, contra a CE. E, no entanto, eles estão a comer à farta à mesa da CE e dão a impressão que pouco trabalham, pois estão cá sempre e a todas as horas, bem visíveis, na televisões, a mandar bocas.

Refiro-me aos deputados da CE e seus candidatos - do BE e do PCP.

Reparem nesta tirada do Miguel Portas: « Ronaldo dá-nos vantagens, Barroso, não». A mim, o Ronaldo nunca me deu nenhuma vantagem. Vai tudo para o bolso dele. Não se pense que o não admiro e não esteja orgulhoso por ser português ele eu. Eu entendo que a CE não deixaria de ser democrática se só admitisse aqueles que fossem a favor dela, pelomenos de vez em quando, isto é: que não fossem contra a sua existência. Os que defendem que a CE é isto e aquilo, dizem sempre cobras e lagartos, deviam ficar de fora. Estes senhores que vivem à custa da CE ninguém nunca os ouviu dizer bem dela.

Outra do mesmo anti-CE: «Senti-me mais útil em Gaza do que em Bruxelas». Então, proponho que seja destacado em Gaza e que seja Gaza a pagar-lhe pela tebela de Gaza.

E que saia da CE. El confessa-se um inútil na CE. E quantos haverá como ele?

*

Ainda a propósito do ídolo do Miguel Portas leio, nos jornais de hoje. «Ronaldo e Mourinho campeões». Afinal, parece que não é só Mourinho que é bom treinador. Ele saíu do F.C. Porto e este continua a ser campeão; o Manchester United ficou sem Mourinho e este ano voltou a ganhar. Mesmo sem Mourinho.

Eu sempre defendi uma tese indefensável: que quem faz as equipas são os jogadores e não, em absoluto, os treindores. As provas estão à vista desarmada de toda a gente que não seja facciosa ou obcecada por Mourinhos. Por mais que se diga e escreva, a verdade é que sem bons jopgadores em espírito de equipa, não há bons clubes, nem bons resultados. E parece que esta verdade anda muito esquecida. Os donos da bola destronam treinadores e dão-lhes milhões por se irem embora e por terem feito má figura - não há empresa nenhuma que faça uma barbaridade dessas. É verdade que houve empresas financeiras, vulgo, bancos e companhias de seguros que fizeram assim: deram milhões aos gestores de topo, mesmo à custa do falseamento das contas e falências, etc, mas estas não são empresas honestas, são predadores que nos atiraram para a miséria colectiva.

Voltando a ligar o fio da meada: Mourinho foi-se para Itália, mas ficou a equipa; Mourinho foi-se do FC.P., mas a equipa ficou. As equipas de Lisboa que não têm treinador de jeito e são despedidos, é porque não há equipa. Mas os jornais, sobretudo, os desportivos, só fazem grandes parangonas dos melhores jogados quando brilham, o que é raro. Dos fracos não dizem nada. E os jogadores não são penalizados por terem más prestações. Isto ainda é assunto tabu no futebol. Não há avaliação de todo o plantel, a nível individual.

*

 

publicado por argon às 12:29
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Domingo, 17 de Maio de 2009

PENSATEMPOS ARGONÍSTICOS - 4

Nunca concordei que um empregado esteja sempre contra o patrão. Por princípio, acha que o patrão não devia existir. Entra, assim, em colisão, com o bom senso que lhe devia dizer que é ele que o sustenta, que lhe garante o pão.

É o que me fazem lembrar certos deputados europeus, portugueses, que são frontalmente - nunca o disfarçaram, contra a Europa, contra a CE. E, no entanto, eles estão a comer à farta à mesa da CE e dão a impressão que pouco trabalham, pois estão cá sempre e a todas as horas, bem visíveis, na televisões, a mandar bocas.

Refiro-me aos deputados da CE e seus candidatos - do BE e do PCP.

Reparem nesta tirada do Miguel Portas: « Ronaldo dá-nos vantagens, Barroso, não». A mim, o Ronaldo nunca me deu nenhuma vantagem. Vai tudo para o bolso dele. Não se pense que o não admiro e não esteja orgulhoso por ser português ele eu. Eu entendo que a CE não deixaria de ser democrática se só admitisse aqueles que fossem a favor dela, pelomenos de vez em quando, isto é: que não fossem contra a sua existência. Os que defendem que a CE é isto e aquilo, dizem sempre cobras e lagartos, deviam ficar de fora. Estes senhores que vivem à custa da CE ninguém nunca os ouviu dizer bem dela.

Outra do mesmo anti-CE: «Senti-me mais útil em Gaza do que em Bruxelas». Então, proponho que seja destacado em Gaza e que seja Gaza a pagar-lhe pela tebela de Gaza.

E que saia da CE. El confessa-se um inútil na CE. E quantos haverá como ele?

*

A Europa é Vital.

«Olhe que não, olhe que não», cito Álvaro Cunhal.

O título é curioso e original. A Europa é vital, toda a gente sabe. Mas é 'vital' com letra pequena, não com letra grande, como quer o articulista, que é do PS.

*

Ainda a propósito do ídolo do Miguel Portas leio, nos jornais de hoje. «Ronaldo e Mourinho campeões». Afinal, parece que não é só Mourinho que é bom treinador. Ele saíu do F.C. Porto e este continua a ser campeão; o Manchester United ficou sem Mourinho e este ano voltou a ganhar. Mesmo sem Mourinho.

Eu sempre defendi uma tese indefensável: que quem faz as equipas são os jogadores e não, em absoluto, os treindores. As provas estão à vista desarmada de toda a gente que não seja facciosa ou obcecada por Mourinhos. Por mais que se diga e escreva, a verdade é que sem bons jopgadores em espírito de equipa, não há bons clubes, nem bons resultados. E parece que esta verdade anda muito esquecida. Os donos da bola destronam treinadores e dão-lhes milhões por se irem embora e por terem feito má figura - não há empresa nenhuma que faça uma barbaridade dessas. É verdade que houve empresas financeiras, vulgo, bancos e companhias de seguros que fizeram assim: deram milhões aos gestores de topo, mesmo à custa do falseamento das contas e falências, etc, mas estas não são empresas honestas, são predadores que nos atiraram para a miséria colectiva.

Voltando a ligar o fio da meada: Mourinho foi-se para Itália, mas ficou a equipa; Mourinho foi-se do FC.P., mas a equipa ficou. As equipas de Lisboa que não têm treinador de jeito e são despedidos, é porque não há equipa. Mas os jornais, sobretudo, os desportivos, só fazem grandes parangonas dos melhores jogados quando brilham, o que é raro. Dos fracos não dizem nada. E os jogadores não são penalizados por terem más prestações. Isto ainda é assunto tabu no futebol. Não há avaliação de todo o plantel, a nível individual.

*

O Belmiro de Azevedo falou belmiramente. Disse que os ordenados dos trabalhadores deviam ser reduzidos para metade. E os gestores e administradores das empresas deviam manter os exorbitantes salários auferidos, incluindo o prémios e recebimentos de resultdos.

Não há dúvida, falou belmiramente. Se trabalhador é aquele que trabalha ele entra em contradição porque também é trabalhador. Mas receber ele e quejandos só metade, está quieto, ó mau!. Toda a gente sabe que ele trabalha, que obtem resultado sempre muito bons, mas fica-lhe mal sair-se com uma tirada dessas. Parece que teve uma óptima ocasião de estar calado. 

No entanto, se com isso o país saísse da apagada e vil miséria em que se encontra, num espaço de tempo curto, nenhum 'trabalhador' hexitaria na receita. Mas não é o caso.

*

 

publicado por argon às 09:50
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Sábado, 16 de Maio de 2009

O GOVERNO DE ANTÓNIO GUTERRES

Hoje, venho à sua presença com um texto sobre António Guterres. É uma marcha-atrás no tempo, agora que Guterres anda aí, de novo, em grandes cartazes com aquele sorriso matreiro a que nos acostumou. Era o tempo dos esbanjamentos, do «fartar vilanagem». Muitos se aboletaram e, depois, é o que se sabe. 

Se as eleições de 95 te deram a vitória folgadamente,                                                               
E começaste  formar governo, como se forma normalmente;
 
Se tiveste logo a pouca sorte de dois ministros serem faltosos,
A contas com o senhor fisco, como se fossem dois ‘criminosos’;
 
Se para salvares a tua face eles pediram logo a demissão,                                                       
E tu lha deste, como bom pai, todo cheio de compreensão;
 
Se, para afogar este desdouro, tu lhes vieste a dar, depois,
Um bom tacho bem chorudo, - foram ‘jobs for the boys’;
 
Se deste largas ao coração com bons favores e tais,
Presidentes de empresas, a ganharem dezenas de vezes mais;
 
Se este processo exemplar do mais rico figurino
Havia de ser seguido pelo número dois S. Vitorino;
 
Se apresentado como santo e mártir, foi canonizado, cá nas ‘’baixuras’,
Mostrando tu com tais benesses, que tu amas as criaturas;
 
Se por todos mesmo os da oposição foi este ‘boy’ elogiado,
E o fisco veio apressar-se a considerá-lo todo ‘ilibado’;
 
Se tu lhe deste o lugar deixado e ele não quis retomá-lo
Porque, assessor de uma grande empresa, é muito melhor regalo;
 
Se com a EXPO 98 tu conseguiste um grande sonho,
- Transformar em paraíso um lugar sujo e medonho;
 
Se é verdade que não foste tu o inventor desta EXPOsição,
E dizem os opositores que tu foste simples continuação;
 
Se, com a desculpa dos ‘buracos’, apeaste o Comissário,
E nomeaste um ‘cor de rosa’, levando aquele a excedentário;
 
Se não deste continuidade simplesmente a esta obra só,
Onde todos os caminhos iam a dar à EXPO;
 
Se foi o orgulho do país, de características irreconhecíveis,
E quiseste fazer de Portugal uma EXPO a todos os níveis;
 
Se inauguraste com grande pompa, a longa Ponte TranstaGama,
A mega-ponte sobre o Tejo, - a bela PONTE VASCO DA GAMA;
 
Se a mega-feijoada foi um êxito, na véspera da inauguração,
Ficou uma ponte mui catita, um dos orgulhos da nação;
 
Se quando pensaste em aumentar o dinheiro da PORTAGEM
O receio do ‘busiNão’ te obrigou a fazer paragem;
 
Se fizeste coro com o ‘busiNão’dos da Ponte do Pragal
E, para evitá-lo, agora, inventaste a ‘portagem virtual’;
 
Se não te atreveste a ir para a frente com as PROPINAS dos estudantes
E mostraste, uma vez mais, um governo de hesitantes;
 
Se com as propinas dos estudantes tu evitaste ‘escarmuças’,
E mostraste, uma vez mais, um governo de meduças;
 
Se deixaste o «grilo na toca» e não te importaste nada,                                                            
Com o «ano grilado» dos estudantes, mas que «grande barracada!»;
 
Se te lembraste, em certa altura, qual governante sagaz e lídimo
De obrigar os estudantes a pagar o ordenado mínimo;
 
Se fizeste uma proposta destas, sem força nem convicção,
Para ver se os alunos lhe pegavam bem ou não;
 
Se com manifes tais e tantas tu deixas de fazer assédio
Com brandura e esquecimento – o tempo é o melhor remédio;
 
Se com tais procedimentos com diálogo e paciência
Tu julgas levar as coisas ao lugar e com decência;
 
Se tu foste bem avisado sobre o referendo ao ABORTO,
Embora com a tua religião, isso fosse um desconforto;
 
Se nem mesmo os bispos da Igreja vos obrigou à abstenção,
Nem mesmo cominando-vos com o anátema da excomunhão;
 
Se permitiste que avançasse, embora, como se demonstra,
Tu, com a mesma oposição, tivesses votado contra;
 
Se todo o mundo ficou a julgar que o resultado era vergonhoso,
Mas não houve novidade, fizeste dele caso desdenhoso;
 
Se continuaste a governar, como se nada acontecera
Tinha vencido o NÃO folgado, a abstenção é que vencera;
 
Se no que veio a seguir, o tal da REGIONALIZAÇÃO,
Vos obrigou a terçar armas, com muita determinação;
 
Se este assunto estava inquinado, tinha o fracasso no seu seio,
Porque estava bem patente - dividia Portugal ao meio;
 
Se nem o aviso do ‘Pai da Pátria’ que diz ser «um erro colossal»
Vos fez andar para traz, deixando inteiro Portugal;
 
Se as sondagens mentirosas vos mantinham na ilusão
E vos davam a maioria, mesmo sem contestação;
 
Se no dia da contagem vencera o NÃO, de novo,
E com 50 de abstenção, mostrou a reacção do povo;
 
Se com um resultado tão vergonhoso tinhas aos pés um país revolto,
E se riscou do dicionário – referendo, região, aborto;
 
Se a oposição dos marcelistas não se cala com o vozeiral
E acusa o governo PS de ligado ao CAPITAL;
 
Se os TRIBUNAIS são ineficazes e não julgam com prontidão
E deixam os mega-processos cair na prescrição;
 
Se não julgam atempadamente e administram justiça lenta,
«Que a justiça se cumpra» - diz Sampaio, de lupa atenta;
 
Se na JAE há corrupção e se manda fazer inquérito,
Mas o resultado nunca chega – para o governo o demérito;
 
Se este país se permite, sob a tua direcção,
Inventar nomes de greves da maior contestação;
 
Se alguns médicos minoritários entram em greve de serviço                                                   
E lhe chamam «self-service» sem que o governo tenha a ver com isso;
 
Se a Ministra da Saúde deixa a saúde nos hospitais
ao abandono nas urgências e em todos os serviços mais;
 
Se não cura de saber se esta greve é ilegal,
Só ao fim de cem dias, depois de um berreiro infernal;
 
Se o procurador no fim deste tempo vem dizer que, afinal,
Esta greve que «é uma cegada» é uma greve ilegal;
 
Se só então o primeiro-ministro aparece nas televisões
Depois de o Presidente da República influenciar as decisões;
 
Se Nossa Senhora de Belém que nestas coisas de TV
Leva quase a palma a Guterres, fora dela ele não se vê;
 
Se esta dita «história macabra» que mexe com a doença
«Não incomoda quem nos governa» e mostra uma grande indif’rença;
 
Se um crítico bem atento a esta greve de aflições
Veio dizer que ela convinha, por se pouparem uns milhões;
 
Se o sindicato se chama SIM e se portou sempre como NÃO,
E mostrou à saciedade que não há governação;
 
Se, para o escândalo desmascarar, o Marcelo entrou em cena
Declarando que tal greve é ‘ilegal, desumana e obscena’;
 
Se ninguém recebeu castigo, segundo a cada um coubera,
Vede bem que grande dano c’o aumento das listas de espera;
 
Se uma coisa é o que se diz e outra o que se faz,
Não havendo reparação, outra greve virá atrás;
 
Se o ano não correu bem, não se pode dizer aziago:
Vede o que nos aconteceu – o PRÉMIO NÓBEL de Saramago;
 
Se somos um povo basto ignorado pelos parceiros da CE,
Estivemos, então, na berra – Portugal mostrou quem é;
 
Se no discurso acutilante, Saramago não foi profundo,
Ele atacou «urbi et orbi» as misérias deste mundo;
 
Se nos progressos da tecnologia, ele se demorou uns instantes:
«Chega-se mais fácilmente a Marte, do que aos nossos semelhantes»;
 
Se tudo parecia bem, em dia de boa memória,
O dia viu nódoa negra, ‘uma bronca’ para a história;
 
Se a SIC mostrou a todos o discurso antes do dito,
Saramago se mostrou irado com a bronca do Moura Pinto.
 
Se o PARLAMENTO tem a fama de muito pouco trabalhar
É porque não tem um Belmiro a fazê-los madrugar;
 
Se fossem mais madrugadores e mais coisas fossem em frente,
Podíamos dizer então: trabalham ‘belmiramente’;
 
Se as sondagens te estão em alta e o ambiente político é de eleição,
Já a ministra ecológica tem à perna a CO-INCINERAÇÃO;
 
Se se fez muita contestação em Maceira e em Souselas,                                                           
Tu puseste, logo, com o diálogo, um lume brando sobre elas;
 
Se entre Elisa e Pimenta no termómetro subiu a febre,
E o povo em questão ‘tem medo, de lhe venderem gato por lebre’;
 
Se há quem pense, entre os teus, que ela, assim, não sai queimada,
Lembro que tem morrido gente só de ter sido chamuscada;
 
Se a escolha é irreversível, como a ministra garantiu,
Para que servem as promessas, de revisão, como se viu?
 
Se se trata de uma mistura entre lixo com diálogo,
Disse bem o Graça Moura ao chamar-lhe um «lixálogo»;
 
Se razões algumas de tristeza podes ter - e de abatimento,
Estás orgulhoso do nóvel EURO que já viu o nascimento;
 
Se cuidado, cuidadinho, não estraguem o bébé;
Ele ainda anda de fraldas, e gatinha, - é o que é!
 
Se é razão para festejar e para ter boas esperanças,
Lá se vai o nosso escudo no meio destas ‘escudanças’;
 
Se no frente-a- frente televisivo, antes da tua eleição,
Tu disseste com orgulho que a paixão era a EDUCAÇÃO;
 
Se, pelo andar da carruagem, vemos que foi uma loucura,
Pois toda agente está sabendo, que anda pelas ruas da amargura;
 
Se todas as centrais sindicais criticam a veleidade,
Acusando a educação de facilitismo, infantilidade;
 
Se, sabendo tu do desaire, de outra paixão hás cobiça,
Escolheste agora, há pouco, a SAÚDE e a JUSTIÇA;
 
Se pretendes proteger o homem e fazê-lo são, integral,
É um ataque profiláctico, tanto no físico, como no moral;
 
Se são duas valências de respeito que toda a gente almeja,
Não há nada mais urgente, oxalá, ora, assim seja!
 
Se a partir daqui, diz um cronista, os portugueses estão contentes,
«Podem ficar descansados, o que não podem é estar doentes»;
 
Se já dizem as más línguas – perdoai-lhes, por quem sois!
Que são «duas coisas prioritárias», mas que só «para depois»;
 
Se somos campeões da Europa em sinistros, eu bem sei,
- TOLERÂNCIA ZERO não é mais do que a aplicação da lei;
 
Se é uma medida de aplaudir, para evitar os acidentados,
Digamos que os ‘aceleras’ têm os seus dias contados;
 
Se todo o mundo a medida aprova com hossanas e alegrias,
Só é pena que a medida não contemple todas as vias;
 
Se este slogan é tão bonito, recebeu logo a aplicação:
«Competência zero, imagem máxima», disse do governo a oposição;
 
Se o Marcelo está na TV, dizer, às vezes, ele costuma:
«A melhor decisão do governo é não tomar decisão nenhuma»;
 
Se qual caixa de ressonância, tens um ministro fleumático:                                                      
Que à «picareta falante» opõe o «martelo pneumático»;
 
Se, procuras resolver tudo, à custa dos nossos milhões,
É preciso muita cautela e não criar ilusões;
 
Se o governo e a oposição deviam dar-se como amigos,
Pela fome do poder, porque se dão como inimigos?
 
Se o DIÁLOGO e o consenso são mantidos a todo o custo,
É que a indecisão política exclui qualquer um susto;
 
Se, na definição de um comentador, o diálogo é antidemocrático,
É uma «moda perigosa», mas é um recurso táctico;
 
Se os diálogos são constantes e em número são imensos,
Servem para adiar os conflitos, ou favorecer os consensos?
 
Se defendes que é uma boa maneira de haver paz e harmonia
Substitui as decisões e nem sequer, mesmo, as adia;
 
Se da nossa entrada no EURO e por efeito da EXPO
Ganhámos a autoestima, abaixo o ferrabodó!;
 
Se continuas em estado de graça, é caso para festejar:
«enquanto o Colombo abarrotar, pode Guterres descansar»;
 
Se as lojas se encontram cheias de tudo, tudo, em geral,
É sinónimo de estabilidade, de prazer e paz social;
 
Se foste sempre amigo do povo e, para o comprovar,
Basta que todos se lembrem do CAPITALISMO POPULAR;
 
Se na altura a coisa era certa e depois sofreu correcção,
Andam os investidores aflitos, por culpa da GLOBALIZAÇÃO;
 
Se és garante da paz social e queres favorecer todos,
E as facilidades de crédito são por este país a rodos;
 
Se, em princípio, está correcto e em teoria é uma excelência,
Podem famílias inteiras ficar ‘à rasca’, na insolvência;
 
Se não sabemos quanto tempo a abastança poderá durar,
Cuidado não nos iludamos com a «luminosidade do bem-estar»;
 
Se talvez por causa das críticas, que não estás a governar,
O governo em retiro «parou», «parou» só «para pensar»;
 
Se o partido está contente com a tua conduta e sageza,
Por isso foste outra vez eleito, «reconduzido à albanesa»;
 
Se em S. Julião os ministros aplaudiram as tuas proposições,
Foi porque elas tinham a ver com os próximas eleições;
 
Se com um perfil tão mediático e uma AD nado-morta em beleza,
Candidata-te a Primeiro Ministro! Voltas a ganhar, com certeza!
 
Se com um discurso a cair bem, sempre no goto do teu povo,
Candidata-te a Primeiro Ministro! Voltarás a ganhar, de novo!
 
Se os opositores insistem em emendar-te o decálogo;
Diz-lhes: É TEMPO DE GOVERNAR! PONTO FINAL NO DIÁLOGO!
  *                                                                                                                          
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

publicado por argon às 09:58
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