Domingo, 8 de Novembro de 2009

A PLURALIDADE DE ESTILOS NA PRÁTICA DEMOCRÁTICA

 

 
 
ESTILO SOCIALISTA
Somos um partido que defende as ideias de esquerda: a ideia da solidariedade social e dos valores fracturantes como o aborto, a casamento dos homossexuais, e dos gays, a eutanásia e as nacionalizações: mais Estado, igual a melhor Estado. O PS vai tentar governar ao centro na economia, e à esquerda nas opções de vida, conforme as circunstâncias. (Quer dizer: vai ser uma espécie de cata-vento),
 
ESTILO SOCIAL-DEMOCRATA
Somos pela propriedade privada, contra o braço tentacular do Estado. Defendemos as empresas, as grandes, as pequenas e médias. Defendemos os valores da liberdade responsável e do mérito. Combatemos a estatização das empresas e os facilitismos. Reprovamos as obras faraónicas TGV, aeroporto, 3ª ponte sobre o Tejo. Não queremos deixar dívidas aos nossos filhos e netos.
 
ESTILO CDS
Batemo-nos pelos direitos fundamentais, combatemos a fórmula de mais Estado melhor Estado, defendemos a família e os valores cristãos. Somos contra os temas fracturantes e pelos valores tradicionais do Ocidente.
 
ESTILO BLOCO DE ESQUERDA
Propomos uma taxa elevada para os lucros dos capitalistas, somos pelo abaixamento dos impostos e pela ajuda aos mais pobres e necessitados. Mas queremos um governo de esquerda e não este que se diz de esquerda e que governa à direita. Aumento das taxas às grandes fortunas. Penalização para o enriquecimento ilícito. Combate à corrupção.
 
ESTILO COMUNISTA
Defendemos com todas as forças os direitos dos trabalhadores e somos contra os capitalistas que são umas sanguessugas que vivem á custa do suor dos trabalhadores. Combatemos a precariedade do emprego e defendemos os desempregados. E queremos a pacificação das Escolas: acabe-se com o Estatuto da Carreira Docente, com a divisão dos professores em titulares e não titulares e com o fim da avaliação do desempenho. Propomos o alargamento das nacionalizações. Os capitalistas de grandes fortunas devem ser taxados com taxas muito elevadas. Abaixo os capitalistas exploradores! Vivam as nacionalizações!
 
ESTILO ELEITORAL
 Estamos em plena campanha para as eleições. O nosso partido baseado no nosso programa, promete aumento das pensões, abaixamento dos impostos, aumento do rendimento mínimo nacional, alargamento dos prazos de subsídio de desemprego para os desempregados, abaixamento do IMI, Magalhães gratuitos para todos os jovens, abaixamento das prestações dos empréstimos bancários para compra de casa e de bens de consumo, abaixamento da idade de reforma.
 
ESTILO FINANCEIRO
Falemos das nossas contas públicas, meus senhores. O país afunda-se cada dia mais pelos gastos exagerados de um Estado despesista que consome 50% do PIB. Estamos de tanga, como nunca estivemos. Quem irá pagar esta hemorragia financeira? Nós, os nossos filhos e netos! Uma vergonha! Daqui a pouco, já nem os estrangeiros nos emprestam dinheiro porque o esbanjamos, em vez de o investirmos. Estamos cada vez mais pobres! As contas públicas afundam-se e afundam-nos. O Titanic está a ir ao fundo e a orquestra continua a tocar, como se nada fosse!
 
ESTILO JORNALÍSTICO
Vamos ligar ao parlamento onde se encontra o nosso repórter que nos vai dar conta, em síntese, dos trabalhos desta tarde.
Continuou hoje a apreciação do programa do governo pelos partidos da oposição. O deputado do maior partido da oposição afirmou que este programa do governo é um embuste e uma aposta inexequível, só para enganar os portugueses. Parece a continuação do programa do governo anterior. Aliás, este governo comporta-se como o anterior, como se tivesse maioria absoluta, esquecendo-se que, com a maioria relativa, tem que negociar com os partidos da oposição. Segundo a oposição, o 1º ministro não está disposto a mudanças de fundo. Crê-se que se irá comportar como se a minoria fosse maioritária. ‘A cultura da negociação e do compromisso’ não é com ele. Não há alternativa. Teoricamente, diz que está disposto ao diálogo mas, na prática, tal não sucede, segundo o discurso do senhor 1º ministro. Por exemplo, no que toca ao estatuto da carreira docente, não quer voltar atrás e desfazer a vergonha das leis que fez. É necessário, voltar à estaca zero e fazer de novo um regulamento possível, sem a carga burocrática e devolvendo aos professores o respeito e a dignidade que lhes foram sonegados pela anterior ministra. Afirma toda a oposição.
 
ESTILO GRAMATICAL
O governo deve pautar-se substantivamente por leis exequíveis que defendam todas as classes profissionais. Deve acabar com a adjectivação qualitativa que mais não é do que uso indevido de uma linguagem verborreica que ofende os portugueses. Deve usar uma linguagem mais humilde e evitar o estilo irónico contra os adversários. Por outro lado, não deve atirar para a frente com números que ninguém está em condições de confirmar. Terá que ser mais transparente e verdadeiro.
 
ESTILO REVOLUCIONÁRIO OU ANARQUISTA
O melhor será inverter o ónus da prova – quem comete crimes, deve provar a sua inocência. Os pedófilos devem ser castrados quimicamente. A prisão preventiva deve abranger todos os que sejam constituídos arguidos. Os acusados de corrupção devem ser julgados com prazos curtos previamente definidos e os cidadãos devem ser esclarecidos sobre o andamento dos processos. Os banqueiros que cometeram fraudes e tomaram parte no saque dos dinheiros públicos e particulares devem devolver os dinheiros rapinados e ser responsabilizados pelos seus actos. As penas dos condenados devem ser cumpridas integralmente e nada de regalias aos colarinhos brancos que devem ser julgados como os pilha-galinhas. Acabe-se com os recursos dos poderosos e com as condenações com pena suspensa dos mesmos.
 
ESTILO NOTARIAL
Aos quinze dias do mês de Agosto último compareceram perante mim os senhores A e B, conhecidos políticos no activo que juraram fazer as pazes, descartando o facto de se encontrarem um na extrema-esquerda e outro na extrema-direita. O diferendo que os unia num ódio de estimação ficou adiado sine die. Seguiu-se a assinatura e o juramento, bem como a assinatura das testemunhas. E não havendo mais nada a declarar, aqui fica tudo registado, conforme a lei em vigor.
 
ESTILO PAR(a)LAMENTAR
Tem a palavra o senhor Primeiro Ministro
Senhor presidente, senhores deputados:
Ouvi com toda a atenção as intervenções de cada um dos representantes dos partidos da oposição. E quero aqui afirmar que nós governaremos segundo o nosso programa eleitoral. Foi esse que mereceu a aprovação dos portugueses. Apesar da maioria relativa, quem vai governar somos nós. Não se esqueçam que nós é que ganhámos as eleições. Fizemos uma ronda por toda a oposição e não encontrei nenhum partido que quisesse estabelecer uma coligação connosco. Seremos assim tão doentiamente contagiosos que ninguém queira assumir as suas responsabilidades? Não podem acusar-me de fugir ao diálogo e de me mostrar arrogante. Já lá vai o tempo em que eu era indomável, um animal feroz. Agora, quero ser cordeirinho. Mas devo acrescentar que o nosso programa é para cumprir dentro de toda a duração da legislatura. E aquele ou aqueles partidos que derrubarem este governo, sofrerão as consequências. Estou disposto a não ceder em nada que se oponha ao nosso programa. Especialmente no que toca à classe docente. Conseguimos pôr os professores na ordem, obrigámo-los a trabalhar e queremos que as estatísticas na educação não nos envergonhem. Continuarei a ir até ao fim com as reformas na educação. Doa a quem doer.
 
ESTILO DESPORTIVO
O nosso país devia acompanhar os países nossos parceiros que vão no pelotão da frente. Temos uma corrida longa a vencer. Temos que ser corredores de fundo, sempre apostados em chegar à meta em pouco tempo. Eu bem sei que é difícil porque haverá adversários como o défice em crescendo, a falta de competitividade das nossas empresas e a dívida externa não pára de crescer, bem como o desemprego.
 
ESTILO TROMPETEIRO
As estatísticas falharam. O nosso partido teve o dobro dos votos dados pelas estatísticas. Uma fraude. Agora, fazemos maioria com o governo. Este, se quiser governar, terá que se entender connosco. Somos um partido charneira, já que o maior partido da oposição se encontra em luta interna e muito fragilizado. Somos o partido que está em melhor posição para se entender com o governo. Mas temos que cobrar a factura, não abdicando da nossa matriz política.
 
ESTILO PESSIMISTA
Todos os dias há empresas a fechar e os empregados a serem despedidos, ficando no desemprego. O país está cada vez mais endividado. O espaço que separa os ricos dos pobres é cada vez mais alargado. Há muitas famílias com fome a viver à custa da caridade cristã. Entretanto, o número e riqueza dos ricos aumenta e o dos pobres aumenta em número e pobreza. O número de desempregado aumenta cada dia, sem fim à vista. Enfim, Portugal está cada vez mais pobre, sem vermos a luz ao fundo do túnel.
 
ESTILO OPTIMISTA
'Estou cada vez mais rico. Vejam o paradoxo: quanto pior está o país economicamente, mais eu ganho. Nunca pensei que houvesse tanta vista-grossa para o lançamento de esquemas de enriquecimento ilícito e chico-espertismos. Até parece que todos dormem: dorme o governo, a Assembleia da República, dormem as forças de segurança, dorme a justiça'.
Há um mundo subterrâneo que se governa à custa dos cidadãos e do Estado que é ludibriado por quem menos seria de esperar. Os corruptos ficam sempre a ganhar. De vez em quando, há uns escândalos, mas que é isso, para o tamanho do polvo que se mexe, impunemente, no escuro e na clandestinidade?
publicado por argon às 17:58
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