Domingo, 31 de Janeiro de 2010

ELOGIO DO INVERNO - UM EXERCÍCIO DE ESTILO

 

 
Para a Clara Ferreira Alves que odeia o Inverno
 
Eu odeio, detesto, abomino, com um sentimento enraizado, o inverno
Clara Ferreira Alves, Expresso, Rev. Única, 16.01.2010
 
A estação do ano que mais me agrada, aquela que, na verdade, mais me enche as medidas do corpo e da alma, é a estação do ano que dá pelo nome de Inverno.
Nem o Verão, com o seu sol esplendoroso, nem a Primavera com as suas tardes amenas e manhãs deliciosas, nem o Outono com as sua ventanias desfolhantes e as suas nuvens pardacentas e tristonhas se harmonizam com o meu perfil de homem beirão, curtido, desde a nascença, pelas bátegas das chuvas, pela brancura das neves álgidas, pela água em gelo dos cântaros, pelas visões da natureza como que em hibernação e pela crosta dos campos lambidos pelas geadas.
É tão agradável tiritar de frio; tão comovente sentir as frieiras nos bicos dos pés e nas pontas das orelhas; tão aprazível sentir por todo o irmão corpo os ritmos harmoniosos de uma camada difusa de calafrios; tão poético sentir o corpo arrepiado ao sabor de uma nívea frescura de uma linda noite de invernia; tão simpático e refrescante ser castigado por uma inesperada e desprevenida molha; tão reconfortante apanhar uma refrescante saraivada puxada pelo vento suão; tão simpático e aprazível deslizar sobre a brancura imaculada da neve, num clima de temperaturas negativas!
Se soubessem a alegria, o entusiasmo, a comoção, o prazer, a paz e quietação do espírito quando vejo uma pessoa a queixar-se das intempéries do tempo e das inclemências do clima, a irritar-se contra uma «natureza em tudo aborrecida», puxada pelo vento e batida pela chuva! Não encontro palavras para descrever este meu sentimento de um indescritível paisagístico, porque extraordinário e excepcional, raro e singular!
Oh querido Inverno, meu querido e estimado Inverno! Quem te não ama, não te compreende; quem te não estima, é porque te não conhece; quem se revolta contra ti, não sabe definir a beleza; quem te lastima, é porque nunca teve uma gripe; quem de ti mal diz, é porque nunca curtiu uma constipação; quem te esconjura, não sabe o que é viver, quem te ridiculariza, não fala coerentemente, quem te não elogia, não sabe o que é um ‘delirium tremens’!
Que harmonioso o som de um a... tchim! Que melodia num tossir segundo as leis da repetição e da alternância! Que beleza acústica numa fala fanhosa e esganiçada! Que visão deslumbrante no espanejar do lenço, arrancando o nariz a golpes de pulmões! Que espectáculo de maravilha um nariz abatatado e vermelhudo!
Só quem nunca sentiu febre; só quem jamais sentiu arrepios; só quem nunca teve um repetido ataque de tosse; só quem nunca sentiu as narinas entupidas, frieiras nos pés e nas mãos, é que terá alguma desculpa por não saber apreciar as virtualidades benfazejas que estão por detrás das aparências borrascosas do Inverno.
Espirros? Ai, gosto tanto de espreitar a ginástica malabarista que os acompanha!
Por minha parte, não me lembro de alguma vez ter estado com gripe A, B ou C. Talvez por ter sido vacinado em garoto pelas inclemências disparatadas das invernias.
Lá fora, ai que lindo frio e que valente saraivada de granizo, empurrada por uma forte ventania!
Eu sou um optimista: espero passar o resto deste Inverno sem cair engripado com a gripe sazonal porque, a primeira do alfabeto, já lá vai e mata menos do que aquela.
Cá dentro...
A...tchim!
- Santinho!
- A... tchim! A ...tchim! Ah ...tchim!
Dizem-me que é a…tchim que ela começa!...
ARGON
publicado por argon às 21:53
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Sábado, 30 de Janeiro de 2010

ME EXPLIQUEM!

Temos visto e ouvido o Sócrates, bem como o seu ministro das Finanças. Quem não nos conheça, nem conheça o país que temos, julgará que este país é um país rico, sem dificuldades económicas.

Efectivamente, só ouvimos o 1º ministro a cagar milhões. Até parecem coelhos a tirar da cartola!

A pergunta é esta:

Onde vai ele buscar todos estes milhões com que diz vai fazer isto e aquilo? Onde vai ele buscar os 45 mil milhões para dar cobertura às obras faraónicas que diz que vai executar?

Eu não sei, mas se alguém souber, diga-me e diga aos portugueses.

Temos visto que, para os ricos: bancos, grandes empresas e empresas do Estado, algumas a dar prejuízo como a RTP, há milhões para distribuir. Só não há para os pobres e para os reformados que vão levar este ano com metade de um oito.

Tenho ouvido dizer a quem sabe que as obras faraónicas serão pagas pelos nossos netos e bisnetos, sem culpa e sem proveito nenhum.

O que dirá  história daqui a duas gerações sobre o Sócrates' Com certeza, não vão dizer bem dele. mas já cá não estará para ajustarem contas com ele.

*

A PROPÓSITO DE BELMIRO DE AZEVEDO

 

É um grande senhor e um homem rico ( não no género do Loureiro 'banqueiro' que se gaba que é um homem rico ( não é, está, ficou!, sabemos como) que emprega muitos milhares de portugueses, embora lhes pague pouco (refiro-me ás caixas dos super e hipermercados).

Há dias disse que Cavaco é um ditador e sobre o Manuel Alegre disse-lhe que tivesse juízo.

Não venho aqui criticá-lo. Mas ele, no fim, disse uma coisa que muita gente ficou a matutar:

 

«Eu mudo de carro de 14 em 14 anos».

Sobre isto, ouça a seguinte anedota: 

 

Uma lebre encontra uma leoa e diz-lhe:

- Faço todos os anos muitos filhos e tu só fazes um.

- É verdade, responde a leoa. Eu não faço senão um filho:

MAS É UM LEÃO! 

disse-lhe a leoa em voz firme, forte e temerosa!

*

publicado por argon às 21:41
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Terça-feira, 26 de Janeiro de 2010

A FRAUDE DA GRIPE A

 

Se os meus leitores estiverem bem recordados, hão-de notar que as notícias que nos chegaram, primeiro, via internet e hoje nos jornais sobre a burla da gripe A, já perto de dois meses antes, eu tinha alertado para a enormidade escandalosa num artigo que, tinha acabado de publicar.
Efectivamente, tanto a Internet, como os jornais de hoje, denunciam a atitude da Organização Mundial de Saúde (OMS) para o facto de ter embarcado na conversa dos Laboratórios que teriam inventado a gripe A e lhe deram uma ressonância de pandemia (pan – grego, total), só para enriquecerem. (Neste caso equipararam-se aos bancos, o que deu no que deu).
Eu só não dei os números, porque não eram, ainda, conhecidos, dos milhões de cada país que acorreu a encomendar milhões e milhões de vacinas que tiveram de pagar e, não as tendo dado, como desejariam, porque a doença fora, apenas, uma epidemia e os governos começaram a ver a resistência das pessoas contra a vacinação.
Aqui, em Portugal, era nítido o interesse da ministra em despachar todas as vacinas e fingia que não compreendia a resistência dos médicos e enfermeiros que se negavam a lavar com a vacina.
Eu denunciei a ministra da Saúde e chamei-a de «ministra da Gripe A», porque foi a que fez mais publicidade gratuita aos laboratórios. Sempre me fez muita confusão a ministra dar a entender que não tinha mais nada que fazer do que impingir a vacina e em todos os dias, a todas as horas, em todos os canais de televisão, anunciava as mortes à medida que iam surgindo, um dia mais uma, outro mais outra, às vezes nenhuma. Mas ela esquecia que várias pessoas que ela disse que morreram da gripe A não era verdade, porque já tinham outras enfermidades. A gripe A só veio apressar a morte que, possivelmente, estaria certa. Em Portugal morreram 97 pessoas, em acidentes nas estradas morreram, em 2009, 739.
Os vários países da Europa não sabem o que hão-se fazer aos milhões de vacinas de sobra. Eu, no meu artigo, dizia que os vários países, teriam que as deitar para o caixote do lixo.
Agora, há um partido que vai interrogar o governo sobre se é tudo isto verdade e a OMS, que previu a morte de 71 milhões de pessoas, (morrerem, em todo o mundo, 14 mil, menos do que todos os anos com a gripe sazonal), vai responder, também numa reunião que foi adiada para dar lugar ao Haiti.
Antes que o inverno se encarregasse de, com a mesma gripe A, ter morto a própria Gripe A, a ministra já dizia que ia vacinar todas as crianças e, depois, todos os escolares do país. Eu sabia que era para ver se despachava as vacinas e não ter que as mandar para o lixo.
Dizem os entendidos que a Gripe A foi a maior fraude na saúde, deste século. O mesmo tinha acontecido com as ‘vacas loucas’ e com a 'gripe das aves' que não provocaram a hecatombe que se pensava e anunciavam aos quatro ventos.
É assim este mundo onde impera o deus dinheiro e a obsessão do lucro a qualquer preço1
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publicado por argon às 15:06
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Segunda-feira, 25 de Janeiro de 2010

A LOUREIRAL FIGURA

Este meu artigo vem a propósito de uma notícia veiculada pelo 'Diário de Notícias' de hoje sobre Dias Loureiro e da sua loureiral figura de banqueiro. Diz o leitor .

Depois de estranhar que Dias Loureiro, além de fazer a sua vida normal (como se nada tivesse acontecido, digo eu), tenha declarado publicamente que é rico.

Prossegue, dizendo:

Ainda bem que nos tempos difíceis que atravessamos haja alguém que, com a sua inteligência, qualidades de trabalho e sagacidade consegue enriquecer em pouco tempo.

E termina a dizer que isso é para compensar aqueles que, trabalhando honestamente uma vida inteira, não passam da cepa torta.

É claro que o que ele diz não é um elogio a Dias Loureiro, mas fala através da ironia, querendo dizer precisamente o contrário.

Mas eu gostaria que o leitor não tivesse usado a ironia. Seria mais assertivo e teria sido melhor compreendido.

É que Dias Loureiro não foi com a sua inteligência, nem com as suas qualidades de trabalho e muito menos de sagacidade que enriqueceu. Enriqueceu porque, em peimeiro lugar, o colocaram numa função em que pudesse ganhar muito dinheiro, mesmo se nada fizesse, e não estando preparado para o cargo. Teve um padrinho ou cunha que o colocou num banco que, por azar, não para ele, mas para os accionistas e depositantes, levou à falência. Aliás, a imprensa fala de negócios ruinosos de centenas de milhões a que a sua inteligência e sagacidade conduziram.

Segundo o leitor, Loureiro teria afirmado que é rico. Ele não é rico, ele está rico, toda a gente sabe donde lhe veio a riqueza que conseguiu ou outros conseguiram por ele, nos momentos do saque e nos ordenados obscenos, em muito pouco tempo. confirmando o ditado que diz que 'ninguém enriquece a trabalhar'.

Em terceiro lugar, é verdade que ele, Loureiro, leva uma vida normal. Porque vive neste país do faz-de-conta. Se vivesse na América não diria isso e já teria sido julgado e preso,ou preso e julgado e preso. Preso não saberíamos porquê, porque ele tem dito sempre que está inocente. E como 'é rico', não tem direito a ir de cana. seria, até, um escãndalo.Ele e todos os da sua igualha aboletaram-se num «fartar vilanagem« e toda a gente os conhece e lhes sabe os nomes.

Vejam o Madoff na América que fez uma fraude de 50 mil milhões de dólares. confessou o crime e, apenas num ano, foi julgado e preso. apanhou 150 anos de cadeia e foram-lhes confiscados os bens.

Aqui os nossos 'banqueiros' andam a pavonear-se e a dizer que são ricos. e, sem vergonmha, vão ás televisões a largar bocas.

Aliás, o Rendeiro do BANCO POPULAR PORTUGFUÊS, que tem os credores todos à perna, diz que vai voltar aos negócios.

Se quisermos um país melhor, que funcione, teremos que emigrar.

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publicado por argon às 21:52
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Domingo, 24 de Janeiro de 2010

AS LOUÇÃNIAS DE ESTILO DO SR. LOUÇÃ

O sr. Louçã é um demagogo. Porqueê? porque diz as coisas que o povo gosta de ouvir. É muito fácil dizer isto e aquilo: por exeplo, que o governo deve diminuir o emprego, os ricos devem pagar mais-valias, a justiça devia funcionar bem, ser rápida, atempada e julgar, os ricos deviam pagar a crise; o Estado devia acabar com os pobres deste país que já somam dois milhões; e outras enormidade como estas. Toda a gente sabe que gostaria que tudo isto fosse possível. Mas Louçã só larga bocas. Porque não está no arco do poder. Coisa que ele abomina porque se viesse a ser poder,  e defendesse as suas teorias, num mês destruiria o país. Mas ele quer continuar a largar bocas. É muito facil dizer que o governo devia acabar com o desempre. Diga lá o sr. Louçã, como se faz, para Sóctares fazer e todo o país aplaudir. Mas ele nunca apresenta soluções e as que apresenta são enexequíveis. Reparem que ele atira com números como quem respira, números que o cidadão comum não tem possibilidade de conferir e saber da sua exactidão.

Mas, agora, com Alegre a fazer-lhe companhia, Cavaco que se prepare. Eu, se fosse a Cavaco, não me candatava. Para ser presidente de quê? De uma espécie de país,sem poder nenhum e só para receber ataques soezes do Louçã  e do Alegre? Sim, porque Louçã não tem respeito por ninguém, enxovalha tudo e todos.

A verdade, porém, é que o PSD é uma manta de retalhos, sem coesão, sem emenda, nem vergonha. Cada um puxa para seu lado, para mal dos portuguses que não vêm alternativa a Sóctrates, o mandão e aquele que há-se ficar na história como o endividador do país, das gerações presentes e das futuras.

Então, na Educação, conseguiu, com a Maria de Lourdes, dar cabo das Escolas e tirar todo o prestígio e autoridadae aos professores. Felizmente, já emendou um pouco a mão com a nova ministra. Quatro anos perdidos, deitados para o caixote do lixo. Coisa que nenhum país da Europa, rico, seria capazes de fazer!

Mas é o governo e os políticos que temos, que de política não percebem nada, pelo que já demontraram e continuarão a demosnstrar e a defender os seus interesses, em vez de defnderem os do país.

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publicado por argon às 12:59
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Sábado, 23 de Janeiro de 2010

OS CINCO D D D D D

 

 

Uma das maiores glórias do 25 de Abril, de que os revolucionários se vangloriavam, era  terem conseguido o êxito político em toda a linha que traduziam pelas seguintes palavras, todas começadas pela letra D:

 

 

DESCOLONIZAÇÃO

 

DEMOCRACIA

 

DESENVOLVIMENTO

 

Entretanto, com o correr do tempo, as coisas deixaram de ser tão cor de rosa e, pouco tempo depois, apenas restou a DEMOCRACIA. Mesmo esta, tem sofrido tratos  de polé e é um arremedo de uma verdadeira democracia.

Quanto à descolonização, já correram rios de tinta, E eles, revolucionários e aproveitadores, é o que se sabe. «Angola é nossa», de Salazar passou a «Angola é dele», do Estado Angolano que acaba de nacionalizar todas as terras, não sobrando nada para os angolanos que ficaram pior do que estavam. Só uma minoria da elite do partido ficou com a parte de leão.  

Dantes, combatíamos naquilo que era nosso, para defendermos o que era nosso ou poderia vir a ser, também, nosso; antes, fazíamos a nossa guerra; agora, temos que  fazemos a guerra dos outros. O regime de Angola, em 1976, correu com todos os brancos portugueses daquela terra onde estivemos 500 anos. E o regime post-25 fugiu de lá e não quis, ou fez por não poder, sequer, trazer de lá nada, tal como de lá vieram todos os portugueses.

Quanto ao desenvolvimento, trata-se de um desenvolvimento que nem merece o nome, é um desenvolviomento ao contrário, desde há muitos anos, mercê das políticas e dos políticos que nos ciouberam em sorte

e que de política pouco sabem, se definirmos política como a arte de governar o povo; em vez do povo, para o povo, porque eles só sabem governar-se a si mesmos e aos amigos e compinchas que estão a sacar chorudos e abscenos ordenados e reformas douradas, em oposição aos dois milhões de pobres.

Agora, já nem a Espanha nos quer!

 

 

Pois, agora, há a acrescentar a estes três DÊS que se resumem a um, mais dois: chamam-se

 

DÍVIDA

 E

DÉFICE

 

Pois após a crise internacional e nacional, temos que admitir que foram acrescentados mais estes dois DÊS ou,se quiserem, um duplo D.

Abro o manuel de sobrevivência e leio:

Défice atinge 38,6 milhões de euros por dia. Por dia, meus senhores!

Já viram alguma vez o «senhor presidente relativo do conselho» como irinicamente lhe cahama António Ribeiro Ferreira, jornalista do C. M, a afligir-se com isso, ou a falar alguma vez nisso? Não, senhores: pelo contrário: só caga millhões! que dia que distribui para este e aquele, para isto e para aquilo. mas onde vei ele desencantar tantos milhões? Eis o mistério mais impenetrável que a oposição derspreza e ignora.

O saldo das contas públicas negativo cifra-se em mais de 14 milmilhões de euros.O que equivale a um défice de 9%.

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:

 

 

 

 

 

publicado por argon às 21:40
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ELOGIO DOS POETAS

 

Para o Manuel Alegre, poeta 
 
Se não houvesse poetas, o que seria do mundo em que vivemos?
São eles que aplacam as iras divinas em dias de tempestade e trazem aos homens as venturas de um vento bonançoso;
são eles que levam Deus a ter compaixão dos homens e a perdoar as suas infidelidades;
 são eles que, através da sua arte, fruto da sua imaginação criadora, dão beleza ao universo com as suas pinceladas de arte não evanescente, naqueles pormenores indispensáveis à sua integral compreensão;
são eles que completam o acto de criar naqueles aspectos que Deus esqueceu ou não teve tempo, durante os sete dias da Criação;
são eles que, com a sua voz maviosa, mas acutilante, denunciam as injustiças, as guerras, os morticínios, as hecatombes, provocados pela impiedade dos homens, sedentos de poder a todo o peço;
 são eles que, no silêncio recolhido da sua imaginação, fabricam mundos de sonho, de felicidade, de bem-estar;
são eles que, rasgando horizontes, penetram nas regiões abscônditas do além, onde reina a paz, a quietação e os «murmúrios de búzio»;
são  eles que enriquecem a língua – quais deuses criadores dum mundo verbal e, rompendo códigos da norma, dão ao significante novos significados irrompendo, com inteira liberdade, por caminhos nunca andados;
são eles que, sem alardes, nem recompensas, numa afirmação de devoção total, cruzam os espaços do infinito, «dando novos mundos ao mundo»;
 são eles que, sem medos, nem receios, se atrevem a caminhar pelos espaços imateriais da utopia - «o sonho comanda a vida», e nos revelam os segredos do mundo criado e do incriado;
são eles que, contra ventos e marés, propõem as mudanças para a construção de um mundo melhor;
são eles, enfim, uma classe de consagrados – não é poeta quem quer, o poeta é um eleito - o poeta nasce, o prosador faz-se.
*
PS: mas a que propósito vêm os «murmúrios de búzio», parece que tão fora de contexto?
Se quer saber, pergunte ao ARGON. Ele responderá, com toda a simpatia e cordialidade.
 
publicado por argon às 12:49
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Sexta-feira, 22 de Janeiro de 2010

ANGOLA E A VENEZUELA DE CHAVEZ

Angola acaba de aprovar por uma maioria mais quwe absoluta a nova Constituição.

Venho ao assunto apenas para dar conta de duas normas constiucionais que marcarão o rumo de Angola socialista do futuro:

1. José Eduardo dos Santos, há 30 anos no poder, fica sagrado como presdente vitalício, sem necessidade de eleição - haverá elições para a chefia do estado, ma votadas, apenas, por uma classe de consagrados eleitos por ele.

2. A Constituição regista que todas as terras de Angola são, a partir de agora, pertença do Estado angolano.

 

CHAVEZ

 

Este Chavez é uma anedota cada vez mais caricata:

Se não sabiam, ficam a saber que o terramoto do Haiti foi provocado pela América do Norte.

Portanto, a partir de agora, muito juizinho. Ai daqueles que hostilizarem os Estados Unidos: podem levar com um terramoto m cma. É um aviso para o Bloco de Esquerda e para o PCP. Toca a fazer as pazes com quem nunca vos defendeu e vos hostiliza - A América, donde vêm, segundo eles, todos os males do mundo.

Portanto, senhor Louçã, deixe de ter computadores e tantas outras excrescencia banais das novas tecnologias. Porque têm a marca dos americanos.

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publicado por argon às 14:16
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AS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS

Faz hoje quatro anos que Cavaco Silva foi eleito Presidente da República portuguesa. Por tal motivo, lembrei-me de dar a conhecer aos meus potenciais leitores o texto integral que, na altura do fim da campanha, escrevi, mas não cheguei a publicar. Será, porventura, um texto oportunio, agora que Manuel Alegre, a um ano de distância, encetou a maratona. Esperemos que não chegue esfalfado à meta de chegada e tenha tantas forças como agora parece ter na marca de patida, sem competidores, ainda.

No entanto eu aconselharia Alegre a esperar pelo seu adversário, porque dois porquinhos comem melhor do que um só.

O texto é o seguinte:

 

Estas eleições presidenciais, como nenhumas outras, merecem ser objecto de reflexão para o cidadão comum, para políticos e jornalistas e objecto de estudo nas nossas universidades. Pelo modo como decorrem e pelos ensinamentos a tirar. Tem várias originalidades. Os candidatos dividem-se em dois grupos: a esquerda e a direita. No primeiro, quatro candidatos, os quatro cavaleiros do apocalipse, um a dizer mata, outro esfola, contra o candidato chamado Cavaco Silva. Soares, armado em «pai da pátria», afirmou que se candidatava só para evitar que Cavaco saísse avenidamente vencedor. Os quatro têm, apenas, uma coisa em comum, que os desune: todos (des)afinam pelo mesmo diapasão: são todos contra. Contra Cavaco Silva. É a característica mais definidora. Mário Soares entrou a partir a loiça toda, como um elefante numa loja de porcelana. No (de)bate contra Cavaco atirou a matar, dispara(ta)ndo em todas as direcções. Excedeu-se. Todos concordam, só ele não. Disse-lhe das boas. Sem provas. Disse, depois, que não foi agressivo. Disse que foi contundente, mas não agressivo. Ignora que contundente tem uma carga negativa mais forte (latim: contundere - esmagar, esmigalhar, moer) do que agressivo. Ele pensava que era tiro e queda, que eram favas contadas. Afinal, saiu-lhe o tiro pela culatra e não se farta de dar tiros no pé. Mas Cavaco tem provado ser um osso duro de roer. Todos os quatro se têm comportado como um jogador de futebol que, em vez de dar chutos na bola, passa o jogo todo a dar caneladas nos adversários. Para ver se o põe fora das quatro linhas. Mário Soares, bem como os restantes, movem-se, no campo da luta política, naquela zona de sombra entre o adversário e o inimigo. A abater por qualquer preço. Mesmo à custa de o caricaturarem. Com soberba grosseria. Ou de fazerem dele um papão. Sem atenderem a meios. Mário Soares, por duas vezes teve momentos de lucidez, ao afirmar que não voltava a criticar Cavaco. Mas foi sol de pouca dura. Não tendo assunto, voltou sempre à carga, até ao fim. Sem emenda. Os argumentos: primeiro, criticavam-no porque não falava. E foi enquanto não falava e ainda nem sequer se tinha candidatado que, na primeira sondagem, ganhou aos já quatro candidatos em prova, o não-candidato chamado Cavaco Silva, com a percentagem mais elevada. Cavaco apresentou-se como candidato a pedido insistente não só dos eleitores da direita, mas também dos quatro e franjas de seus apoiantes. Uma vez candidato, os seus quatro adversários já tinham um bombo da festa para (a)baterem. Depois, passou a ser criticado por falar. Preso por ter cão, preso por não ter. O único propósito dos seus adversários: descobrir gaffes no seu discurso, para as denunciar e o acusar de ser um perigo para a democracia. A revolução dos três Dês falhou no 3º - o Desenvolvimento. Cavaco insiste nas dificuldades do país e oferece-se para o ajudar a sair da crise. Este candidato, por vezes, faz um jogo de oposição entre o desafogo económico de Espanha e a recessão de Portugal. E pergunta porquê. A resposta é simples: afinal, a Espanha foi o melhor beneficiário (estrangeiro) do 25 de Abril - aprendeu muito connosco. Soube evitar o que não devia fazer, pondo os olhos no que aqui se fez, fazendo as coisas que aqui deram para o torto, ao contrário. Dirão: mas a Espanha não teve a ditadura, uma guerra colonial, nem a descolonização. Engano: teve a ditadura de Franco, teve a guerra civil (um milhão de mortos) e tem a ETA que, sem desarmar, lhe tem dado molho pela barba. Depois da guerra, ficou na miséria total. Num clima de ódio visceral do após-guerra, os espanhóis tiveram que se reconciliar com eles próprios. E souberam sair por cima.

Mas acontece que há uma diferença entre o discurso dos quatro e o de Cavaco: eles sentem que não têm nada a perder. Podem dizer - e dizem! os maiores dislates sobre tudo e sobre coisa nenhuma. Afirmam sem vergonha nem rebuço que a vitória de Cavaco é uma «distorção do processo democrático» e vai provocar a queda do governo. Se fora Cavaco a dizer o mesmo contra um candidato do lado oposto, caía o Carmo e a Trindade. Acontece que, aparentemente, ninguém os censura, por isso. E a razão é esta: porque sabem que não ganharão e não precisam de ter postura de Estado. Os dislates dos quatro não terão consequências. Ninguém lhes pedirá contas, o que dizem não é levado a sério. Por isso, Cavaco mede bem as palavras e não se excede, nem comete gaffes. Sabe que o inimigo, não tendo programa, nem futuro, espreita. O cidadão comum, no qual me incluo, pensa que Cavaco devia responder na mesma moeda aos adversários. Mas, pensando bem, ele está no bom caminho: porque quer marcar a diferença, não quer atacá-los, nem os tem atacado («tenho que me conter»), quer dar e tem dado um carácter de seriedade e honestidade à campanha, embora ele saiba que o seu adversário principal tem telhados de vidro. Bastava lembrar como Soares infernizou Cavaco no seu segundo mandato, fez-lhe a vida negra, também com as presidências a que eufemisticamente chamou «abertas», - só visitava os podres do país, para atirar com a lama à cara de Cavaco. Pior só Paulo Portas em O Independente. Fez dele bode expiatório, como se ele fora o culpado de todos os males. Ele, Soares, faz por esquecer, por uma questão de conveniência política. Cavaco podia ter-lhe respondido à letra. Mas não o fez para evitar descer ao nível dos seus adversários. Como os argumentos utilizados mantêm Cavaco à frente, lançam mão de uma campanha contra as sondagens e contra os jornalistas, os maus da fita, neste jogo sujo de acusações gratuitas e de intrigas. Mas pela boca morre o peixe. Por todas as razões invocadas, só há um candidato que dá garantias de seriedade e de sucesso: chama-se Aníbal Cavaco Silva e é a única esperança para os portugueses.

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publicado por argon às 13:52
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Quinta-feira, 21 de Janeiro de 2010

UM CASO SINGULAR

 

 

A RTP apresentou ontem, depois do telejornal, uma reportagem que me deixou um pouco transtornado. Antes de ter adormecido, fiquei a matutar no assunto da reportagem.
Passo a dar uma súmula, tanto mais que as informações que recolhi, são insuficientes, porque não era meu propósito, à partida, escrever sobre o assunto, para que eu possa fazer a amostragem do tema como desejaria. Mas, do que vi, passo a apresentar.
Tratava-se do destino de uma criança após a separação matrimonial dos pais. O pai não quis dar a cara e negou-se a falar. A mãe apareceu várias vezes, toda chorosa e lacrimosa, com a voz embargada pelos tratos de polé a que a sua filha foi sujeita por imposição de um senhor chamado profissionalmente de juiz..
O caso passou-se assim: o juiz de Portalegre determinou, sentenciou, decretou, que a criança tinha que ser internada no Lar Betânia, em Vendas Novas, onde está há sete meses. Motivo alegado pelo juiz por seu livre, único e prepotente alvedrio: a criança sofre de perturbações mentais, a criança não está no seu perfeito juízo, porque odeia o pai (foi esta a acusação!), ao dar mostras de não lhe agradar a companhia do pai. Por outra palavras mais técnicas e ajustadas que o juiz invocou: a criança tem a «síndrome de alienação parental». Porquê?. (Na reportagem aparece um vizinho da casa do pai a dizer que ouvia a criança chorar constantemente, enquanto esteve em casa e à guarda do pai).
A reportagem, muito bem documentada, apresenta os testemunhos de vários especialistas, alguns apareceram por diversas vezes, tais como: advogados, psicólogos, educadores, a condenarem o julgamento do juiz. Uma advogada, de código em mão, dizia que, antes da aplicação desta sentença, o juiz - fixem o nome, por favor, Nuno Duarte Bravo Negrão, tinha várias penas a aplicar que vinham descriminadas na lei, por ordem. Chegaram a testemunhar advogados mediáticos e psicólogos que são prato constante das televisões, como o bastonário dos advogados, Marinho Pinto, o advogado Rogério Alves, ex-bastonário da Ordem dos Advogados, um outro que não recordo o nome, o psicólogo Eduardo Sá e todos afirmaram que a criança devia ser tida em atenção, defendendo-se os seus direitos, um deles, o de estar com a mãe, e a não ser maltratada. Não houve um único interveniente que estivesse do lado do juiz! A própria Organização Mundial de Saúde apareceu a afirmar que a síndrome de alienação parental não é considerada uma doença, ao contrário do que determinou o juiz, para fundamentar a sua decisão.  
A certa altura, as imagens mostraram o Lar Betânia, em Torres Novas. Mas nunca mostraram a criança, onde vive internada. E, certamente sem ter os afectos que merece e que lhe são necessários para a vida. Apareceu o director do Lar, um pastor de uma confissão religiosa não católica – não fixei o nome, que se mostrou intransigente e a defender a sua instituição e as suas regras. A reportagem afirmou que este senhor faz colecção (a expressão é minha) de Lares. Tem, nada mais, nada menos do que 37 (trinta e sete) em Portugal. Se todos forem como o de Torres Novas: uma grande quinta, grandes modernos e luxuosos edifícios... Devo acrescentar que na frontaria de entrada do Lar está escrito: IPSS. O que quer dizer que recebe subsídios do Estado, isto é, dos nossos impostos e toda a gente sabe que esta, como tantas outras, embora com o estatuto de instituição sem fins lucrativos, está em contradição com a letra dos estatutos, ao exibir tão obscenamente tão rico património com os sinais mais que evidentes exteriores de riqueza. E o mais grave é que não paga impostos!!! Este é o maior flop e uma das maiores vergonhas da nossa democracia de trampa. Este pastor dirige a instituição com mão de ferro e, presumo, com pouca afeição em favor das crianças. Digo isto porque foi o que mostrou a reportagem. Efectivamente, a reportagem apresentou a mãe a telefonar para o Lar a solicitar que lhe deixassem dar mais do que um brinquedo à criança, no Natal. A ‘voz’ do Lar foi sempre dizendo e manteve, que só podia oferecer uma prenda. A mãe só pode ver a filha uma vez por semana e só durante uma hora precisa e, possivelmente, pensarão os espectadores do programa como eu pensei, com alguém de guarda.
A mãe apresentou-se no programa lavada em lágrimas pelo que sucedeu à sua filha. E, o que não é normal, até o avô a chorar a perda da neta.
Mas o que a mim me levou a ter dificuldade em conciliar o sono não foi o que acabo de descrever.
É que o programa ficou-se por aqui. Uma verdadeira reportagem devia ter incluído a voz e opinião do juiz a justificar a sua sentença que vai contra todas as opiniões, e que se mantém fria, sem coração, injusta. É bem verdade que o poder judicial é uma estrutura em que o juiz é dono e senhor da sua sentença mas, co’os diabos, a justiça deve ser feita para os homens e para as crianças e não contra, e não os homens e as crianças feitas para a justiça, como acontece neste caso.
Foi isto que me revoltou: o silêncio omnipotente do juiz! E o facto de, neste país, apenas haver duas crianças que merecem consideração. A Maddie e a Esmeralda! Então, e os ouros casos como este? Nestes dois casos ainda houve voltas e reviravoltas de várias instâncias judiciais a intervir. À Esmeralda ainda concederam ter uns pais afectivos que a trataram como filha e é disputada, depois disso, pelo pai biológico e a justiça ainda hoje anda às voltas com este caso que já cheira a esturro. Aqui há um só juiz com o seu posso, quero, mando e julgo. Com a insensibilidade de uma pedra.
Esta reportagem é como uma estátua colocada na praça pública sem cabeça...
Pelo exposto, podemos dizer que a reportagem da RTP esteve coxa, incompleta, não deu ao caso o fim que era suposto mostrar, mas apresentou o personagem principal fora do baralho, com o protagonista omisso, coisa que não pode acontecer, num romance, nem num filme, na vida.
Estou com a Clara Ferreira Alves quando ela diz que a justiça é cega, muda, coxa e marreca. E eu acrescento e marreta.
 
PS:
Estava este texto já todo escrito e revisto, quando, a propósito de virem transcritas na Intenet várias escutas no âmbito do «Apito ferrugento, perdão, dourado«, com a transcrição das escutas a Pintainho da Costa e Valentão Loureiro, ao eu ler as críticas de populares na internet a este propósito, um deles escreve:
Dr. (refere-se a Marino Pinto que advoga a abolição do segredo de justiça) , apesar de isto não vir a propósito, o meu pedido é que faça alguma coisa pela Maria, de 8 anos, que foi tirada à mãe por não querer o pai».
Esta MARIA que tem agora 8 anos, é a criança que eu referencio no meu texto.
*
publicado por argon às 18:03
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