Sexta-feira, 22 de Janeiro de 2010

AS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS

Faz hoje quatro anos que Cavaco Silva foi eleito Presidente da República portuguesa. Por tal motivo, lembrei-me de dar a conhecer aos meus potenciais leitores o texto integral que, na altura do fim da campanha, escrevi, mas não cheguei a publicar. Será, porventura, um texto oportunio, agora que Manuel Alegre, a um ano de distância, encetou a maratona. Esperemos que não chegue esfalfado à meta de chegada e tenha tantas forças como agora parece ter na marca de patida, sem competidores, ainda.

No entanto eu aconselharia Alegre a esperar pelo seu adversário, porque dois porquinhos comem melhor do que um só.

O texto é o seguinte:

 

Estas eleições presidenciais, como nenhumas outras, merecem ser objecto de reflexão para o cidadão comum, para políticos e jornalistas e objecto de estudo nas nossas universidades. Pelo modo como decorrem e pelos ensinamentos a tirar. Tem várias originalidades. Os candidatos dividem-se em dois grupos: a esquerda e a direita. No primeiro, quatro candidatos, os quatro cavaleiros do apocalipse, um a dizer mata, outro esfola, contra o candidato chamado Cavaco Silva. Soares, armado em «pai da pátria», afirmou que se candidatava só para evitar que Cavaco saísse avenidamente vencedor. Os quatro têm, apenas, uma coisa em comum, que os desune: todos (des)afinam pelo mesmo diapasão: são todos contra. Contra Cavaco Silva. É a característica mais definidora. Mário Soares entrou a partir a loiça toda, como um elefante numa loja de porcelana. No (de)bate contra Cavaco atirou a matar, dispara(ta)ndo em todas as direcções. Excedeu-se. Todos concordam, só ele não. Disse-lhe das boas. Sem provas. Disse, depois, que não foi agressivo. Disse que foi contundente, mas não agressivo. Ignora que contundente tem uma carga negativa mais forte (latim: contundere - esmagar, esmigalhar, moer) do que agressivo. Ele pensava que era tiro e queda, que eram favas contadas. Afinal, saiu-lhe o tiro pela culatra e não se farta de dar tiros no pé. Mas Cavaco tem provado ser um osso duro de roer. Todos os quatro se têm comportado como um jogador de futebol que, em vez de dar chutos na bola, passa o jogo todo a dar caneladas nos adversários. Para ver se o põe fora das quatro linhas. Mário Soares, bem como os restantes, movem-se, no campo da luta política, naquela zona de sombra entre o adversário e o inimigo. A abater por qualquer preço. Mesmo à custa de o caricaturarem. Com soberba grosseria. Ou de fazerem dele um papão. Sem atenderem a meios. Mário Soares, por duas vezes teve momentos de lucidez, ao afirmar que não voltava a criticar Cavaco. Mas foi sol de pouca dura. Não tendo assunto, voltou sempre à carga, até ao fim. Sem emenda. Os argumentos: primeiro, criticavam-no porque não falava. E foi enquanto não falava e ainda nem sequer se tinha candidatado que, na primeira sondagem, ganhou aos já quatro candidatos em prova, o não-candidato chamado Cavaco Silva, com a percentagem mais elevada. Cavaco apresentou-se como candidato a pedido insistente não só dos eleitores da direita, mas também dos quatro e franjas de seus apoiantes. Uma vez candidato, os seus quatro adversários já tinham um bombo da festa para (a)baterem. Depois, passou a ser criticado por falar. Preso por ter cão, preso por não ter. O único propósito dos seus adversários: descobrir gaffes no seu discurso, para as denunciar e o acusar de ser um perigo para a democracia. A revolução dos três Dês falhou no 3º - o Desenvolvimento. Cavaco insiste nas dificuldades do país e oferece-se para o ajudar a sair da crise. Este candidato, por vezes, faz um jogo de oposição entre o desafogo económico de Espanha e a recessão de Portugal. E pergunta porquê. A resposta é simples: afinal, a Espanha foi o melhor beneficiário (estrangeiro) do 25 de Abril - aprendeu muito connosco. Soube evitar o que não devia fazer, pondo os olhos no que aqui se fez, fazendo as coisas que aqui deram para o torto, ao contrário. Dirão: mas a Espanha não teve a ditadura, uma guerra colonial, nem a descolonização. Engano: teve a ditadura de Franco, teve a guerra civil (um milhão de mortos) e tem a ETA que, sem desarmar, lhe tem dado molho pela barba. Depois da guerra, ficou na miséria total. Num clima de ódio visceral do após-guerra, os espanhóis tiveram que se reconciliar com eles próprios. E souberam sair por cima.

Mas acontece que há uma diferença entre o discurso dos quatro e o de Cavaco: eles sentem que não têm nada a perder. Podem dizer - e dizem! os maiores dislates sobre tudo e sobre coisa nenhuma. Afirmam sem vergonha nem rebuço que a vitória de Cavaco é uma «distorção do processo democrático» e vai provocar a queda do governo. Se fora Cavaco a dizer o mesmo contra um candidato do lado oposto, caía o Carmo e a Trindade. Acontece que, aparentemente, ninguém os censura, por isso. E a razão é esta: porque sabem que não ganharão e não precisam de ter postura de Estado. Os dislates dos quatro não terão consequências. Ninguém lhes pedirá contas, o que dizem não é levado a sério. Por isso, Cavaco mede bem as palavras e não se excede, nem comete gaffes. Sabe que o inimigo, não tendo programa, nem futuro, espreita. O cidadão comum, no qual me incluo, pensa que Cavaco devia responder na mesma moeda aos adversários. Mas, pensando bem, ele está no bom caminho: porque quer marcar a diferença, não quer atacá-los, nem os tem atacado («tenho que me conter»), quer dar e tem dado um carácter de seriedade e honestidade à campanha, embora ele saiba que o seu adversário principal tem telhados de vidro. Bastava lembrar como Soares infernizou Cavaco no seu segundo mandato, fez-lhe a vida negra, também com as presidências a que eufemisticamente chamou «abertas», - só visitava os podres do país, para atirar com a lama à cara de Cavaco. Pior só Paulo Portas em O Independente. Fez dele bode expiatório, como se ele fora o culpado de todos os males. Ele, Soares, faz por esquecer, por uma questão de conveniência política. Cavaco podia ter-lhe respondido à letra. Mas não o fez para evitar descer ao nível dos seus adversários. Como os argumentos utilizados mantêm Cavaco à frente, lançam mão de uma campanha contra as sondagens e contra os jornalistas, os maus da fita, neste jogo sujo de acusações gratuitas e de intrigas. Mas pela boca morre o peixe. Por todas as razões invocadas, só há um candidato que dá garantias de seriedade e de sucesso: chama-se Aníbal Cavaco Silva e é a única esperança para os portugueses.

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publicado por argon às 13:52
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