Sábado, 23 de Janeiro de 2010

ELOGIO DOS POETAS

 

Para o Manuel Alegre, poeta 
 
Se não houvesse poetas, o que seria do mundo em que vivemos?
São eles que aplacam as iras divinas em dias de tempestade e trazem aos homens as venturas de um vento bonançoso;
são eles que levam Deus a ter compaixão dos homens e a perdoar as suas infidelidades;
 são eles que, através da sua arte, fruto da sua imaginação criadora, dão beleza ao universo com as suas pinceladas de arte não evanescente, naqueles pormenores indispensáveis à sua integral compreensão;
são eles que completam o acto de criar naqueles aspectos que Deus esqueceu ou não teve tempo, durante os sete dias da Criação;
são eles que, com a sua voz maviosa, mas acutilante, denunciam as injustiças, as guerras, os morticínios, as hecatombes, provocados pela impiedade dos homens, sedentos de poder a todo o peço;
 são eles que, no silêncio recolhido da sua imaginação, fabricam mundos de sonho, de felicidade, de bem-estar;
são eles que, rasgando horizontes, penetram nas regiões abscônditas do além, onde reina a paz, a quietação e os «murmúrios de búzio»;
são  eles que enriquecem a língua – quais deuses criadores dum mundo verbal e, rompendo códigos da norma, dão ao significante novos significados irrompendo, com inteira liberdade, por caminhos nunca andados;
são eles que, sem alardes, nem recompensas, numa afirmação de devoção total, cruzam os espaços do infinito, «dando novos mundos ao mundo»;
 são eles que, sem medos, nem receios, se atrevem a caminhar pelos espaços imateriais da utopia - «o sonho comanda a vida», e nos revelam os segredos do mundo criado e do incriado;
são eles que, contra ventos e marés, propõem as mudanças para a construção de um mundo melhor;
são eles, enfim, uma classe de consagrados – não é poeta quem quer, o poeta é um eleito - o poeta nasce, o prosador faz-se.
*
PS: mas a que propósito vêm os «murmúrios de búzio», parece que tão fora de contexto?
Se quer saber, pergunte ao ARGON. Ele responderá, com toda a simpatia e cordialidade.
 
publicado por argon às 12:49
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