Quarta-feira, 26 de Maio de 2010

UM PAÍS PAÍS POBRE DE PESSOAS RICAS

 

 

Portugal no passado (antes do 25 de Abril) era um país rico com pessoas pobres e tornou-se um país pobre de pessoas ricas porque, colectivamente, vivemos acima das nossas possibilidades.

Daniel Bessa, antigo ministro da economia

 

Estava há dias a falar com um amigo nova-iorquino que conhece bem Portugal.
Dizia-lhe eu, à boa maneira do “coitadinho” português:
- Sabes, nós os portugueses somos pobres ...
Esta foi a sua resposta:
Como podes tu dizer que são pobres, quando são capazes de pagar por um litro de gasolina, mais do triplo do que pago eu?
Quando se dão ao luxo de pagar tarifas de electricidade e de telemóvel 80 % mais caras do que nos custam a nós nos EUA?
Como podes tu dizer que são pobres, quando pagam comissões bancárias por serviços e cartões de crédito o triplo que nós pagamos nos EUA?
Ou quando podem pagar por um carro que a mim me custa 12.000 US Dólares (8.320 €) e vocês pagam mais de 20.000 €, pelo mesmo carro? Podem dar mais de 11.640 € de presente ao vosso governo, do que nós ao nosso.
Nós é que somos pobres: por exemplo em New York o Governo Estatal, tendo em conta a precária situação financeira dos seus habitantes, cobra somente 2 % de IVA, mais 4% que é o imposto Federal, isto é, 6%, nada comparado com os 20% em Portugal. E contentes com estes 20%, pagam ainda impostos municipais.
Além disso, são vocês que têm " impostos de luxo" como são os impostos na gasolina e gás, álcool, cigarros, cerveja, vinhos etc, que faz com que esses produtos cheguem em certos casos até a 300 % do valor original, e outros como imposto sobre a renda, impostos nos salários, impostos sobre automóveis novos, sobre bens pessoais, sobre bens das empresas, de circulação automóvel.
Um Banco privado vai à falência e vocês, que não têm nada com isso, pagam outro, uma espécie de casino, o vosso Banco Privado vai à falência, e vocês protegem-no com o dinheiro que enviam para o Estado. E vocês pagam ao vosso Governador do Banco de Portugal, um vencimento anual que é quase 3 vezes mais que o do Governador do Banco Federal dos EUA...
Um país que é capaz de cobrar o Imposto sobre Ganhos por adiantado e Bens pessoais mediante retenções, necessariamente tem de nadar na abundância, porque considera que os negócios da nação e de todos os seus habitantes sempre terão ganhos, apesar dos assaltos, do saque fiscal, da corrupção dos seus governantes e autarcas. Um país capaz de pagar salários irreais aos seus funcionários de estado e da iniciativa privada, tem que ser um país rico.
Os pobres somos nós, os que vivemos nos USA e que não pagamos impostos sobre a renda, se ganhamos menos de 3.000 dólares ao mês por pessoa, isto é, mais ou menos os vossos 2.080 €. Vocês podem pagar impostos do lixo, dos esgotos, sobre o consumo da água, do gás e electricidade. Pagam segurança privada nos Bancos, urbanizações municipais, enquanto nós, como somos pobres, nos conformamos com a segurança pública.
Vocês enviam os filhos para colégios privados, enquanto nós aqui nos EUA, as escolas públicas emprestam os livros aos nossos filhos, prevendo que não os podemos comprar.

Vocês pagam aos deputados que residem fora de Lisboa viagens e ajudas de custo, de cada vez que se deslocam ao Parlamento. Têm, até, uma deputada por Lisboa, de luxo, que todas as semanas saca do Estado 6 mil €/mês em viagem de avião em executiva e mais ajudas de custo para chegar a Paris, onde reside e nós não podemos dar-nos a esse luxo, porque não podemos esbanjar recursos e, ao fim de dois mandatos, esta deputada fica com uma choruda reforma vitalícia.

Vocês têm, até, um gestor de uma empresa pública que ganha, por mês, 20 vezes mais do que o Presidente da República e no fim do ano ainda recebe vários milhões de euros de prémios.

Vocês são um país rico, porque só um país rico faz obras faraónicas, como o TGV para Madrid, a terceira ponte sobre o Tejo, um novo aeroporto e novas auto-estradas. Só num país rico pode acontecer, como entre vós, que haja centenas de reformados VIP a receberem dois e três subsídios milionários de aposentação e continuem no activo a ganhar somas milionárias. A lista, nomes e quantitativos é pública, veio na Internet.

No nosso país seria impensável haver uma televisão do Estado que obriga todos os consumidores de electricidade a pagar, todos os meses, um imposto para a TV, que esta receba por ano uns milhões de subsídio do Estado, tenha uma carteira de publicidade como as privadas e, no fim do ano, ainda dá prejuízo de milhões (o meu amigo, poderia ter acrescentado, citando Camões: diga lá, ó criatura, «que segredos são estes da natura»).

Onde está o sistema de poupança, próprio dos países pobres, num país que todos os anos compra frotas de carros de alta cilindrada para os seus ministros e altos funcionários do Estado e ainda recentemente o IEFP comprou 400 carros novos para os seus dirigentes?

Poderemos chamar pobre a um país em que o Estado dá todos os anos a empresas de consultadoria e a empresas de advogados, por estudos, milhões de euros, prescindindo dos seus advogados e peritos que tem como seus funcionários? E tanto vocês são um país rico, que até nem tendes uma justiça igual para todos: tendes uma justiça para pobres e outra para ricos: estes nunca chegam à barra dos tribunais. E, em questões de corrupção, se há tantos ladrões, é porque há muito para roubar. E boas ocasiões e ligações para roubar o Estado.

Vives num país onde impera este juízo aceite pela generalidade dos portugueses: «fugir aos impostos não é crime, é legítima defesa».

Tendes, até, o partido do Governo que tem uma legião de «boys» e de «girls» aos quais dá empregos milionários, em desfavor do resto dos cidadãos que pagam impostos, isto é, que lhes garantem o sustento.

Porventura, pode considerar-se pobre um país que tem no seu sistema de Ensino Superior 4.900 cursos a funcionar, como actualmente?

O Governo vai taxar as mais-valias, mas os grandes grupos económicos vão ficar isentos. Se assim é, é porque o Governo não precisa do dinheiro dos ricos.

Por outro lado, há um gestor de um banco em fase de bancarrota que está a ganhar 3 milhões/ano, Joe Berardo dixit.

Além disso, há uma grande quantidade de Fundações que vivem dos subsídios do Estado. Estado rico, já se vê!

A Assembleia da República comprou, para os seus serventuários superiores uma frota de carros topo de gama no valor de 900 mil € - a Internet disse e mostrou.

Moralidade da história: Portugal, se não fosse um país «rico» (na perspectiva do texto), seria um país rico.

 

ARGON

 

*

 

O ZÉ PORTUGA

 

O PS apoiando Manuel Alegre para Presidente da República? Nunca uma campanha Alegre foi tão triste!

 

 

publicado por argon às 10:22
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