Segunda-feira, 28 de Junho de 2010

A ESTRADA MAIS BEM SINALIZADA DO PAÍS

Uma grande preocupação tem invadido todo o país por causa do elevado número de casos de sinistralidade nas nossas estradas. E com toda a razão. Basta ver todos os dias os noticiários da televisão e os títulos da comunicação social escrita para confirmarmos esta dura e trágica realidade. Os números são assustadores. Todos os dias morre gente nas nossas estradas. Portugal ocupa, neste aspecto, um dos lugares cimeiros, em termos de sinistralidade, na Europa civilizada. As entidades fiscalizadoras não se cansam de reforçar as brigadas de trânsito por ocasião de férias, de pontes ou de fins-de-semana prolongados. Os resultados parecem ser cada vez mais alarmantes. A verdade é que ninguém possui a varinha mágica para minimizar a situação. Toda a gente dá sentenças sobre as maneiras mais eficazes de estancar esta sangria desatada. Tudo parece permanecer como dantes, senão pior.

Todos apontam como uma das causas mais responsáveis pela hecatombe rodoviária a falta de sinalização ou a sinalização deficiente. E a verdade é que grande parte dos acidentes se deve a esta anomalia. «Fiscalização de sinalização em estudo há um ano» – titulava na primeira página o «Jornal de Notícias» do dia 19.08.01. O que prova que o Governo reconhece a necessidade de uma revisão profunda da sinalização.

Hoje, para enaltecer um caso raro nesta matéria, apraz-me trazer para esta coluna o resultado do que me foi dado verificar numa estrada do concelho de Sabugal, aquando de uma visita relâmpago que fiz à minha terra natal – Alfaiates, - uma povoação do (nosso) concelho de Sabugal.

A estrada a que me refiro é a que liga Vilar Formoso a Alfaiates, numa extensão de 24 quilómetros. É ver para crer. Apenas com três sinaléticas diferentes, fica esclarecido todo o trajecto da via: a proibição de ultrapassar, o respectivo fim de proibição e a sinalização de curva perigosa com setas bem vivas e bem postas, a dar a extensão da curva em número de uma, duas ou três, no máximo. O condutor, se seguir escrupulosamente os sinais rodoviários e se observar os limites de velocidade, pode conduzir sua máquina sem perigo. As rectas, sendo todas de pequena extensão e sendo as curvas pouco pronunciadas, quase poderíamos dizer que houve excesso de zelo na proliferação de tal sinalização. Mas, quando se trata de questões de segurança, nada é demais. 

É verdade que a estrada desliza numa superfície plana. Mais uma razão para os aceleras se afoitarem, acelerando desabridamente. No entanto, se cumprirem as regras claramente estampadas ao longo do percurso verificarão que têm a seus pés uma estrada com a maior garantia de segurança. Para os condutores que duvidarem do que deixo escrito, aconselho-os a fazerem a viagem de dia. Para os  ainda mais incrédulos, aconselho-os a fazerem-na de noite e verificarão, tanto pela maior luminosidade dos sinais, como  pela proliferação dos mesmos, que é verdade o que afirmo.

Mesmo quando as curvas são de pequeno ângulo, o automobilista é informado do espaço a partir do qual pode acelerar sem perigo, porque transpôs a curva e se lhe segue uma recta sem lomba. Então, naquelas que obrigam a uma tripla sinalização, o desenho da estrada é de tal ordem que, num breve relance de vista,  o condutor fica de posse de todos os elementos de segurança para poder avançar sem receio, nem perigo, porque todas as curvas são precedidas do sinal de proibição de ultrapassar, seguidas das setas e do sinal de fim de proibição de ultrapassagem.

Atrevo-me a dizer que, tanto o traçado como a sinalização desta via podem servir de modelo a outras estradas do país, - tão deficientemente traçadas e sinalizadas.

Para a diminuição dos sinistros nas nossas estradas, é imprescindível que o senhor automobilista cumpra as regras ou sinais que vão sendo assinalados ao longo das vias. O que não acontece, normalmente. Infelizmente, o condutor, – o condutor português, pois é dele que se trata, o que quer não é chegar, mas chegar depressa, passando pelos sinais de trânsito, sem os ler e muito menos com a intenção de os cumprir, procurando ultrapassar tudo e todos, a todo o custo. Daí que se possa aplicar ao condutor português em geral a seguinte definição de Wood Allen: «o condutor perigoso é aquele que vos ultrapassa, apesar de todos os vossos esforços para o impedir».

A terminar, deixo a seguinte máxima tanto para os aceleras, como para os outros: mais vale perder um minuto na vida, do que perder a vida por um minuto.

 

 

 

 

publicado por argon às 22:27
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