Segunda-feira, 28 de Junho de 2010

A BOYADA

 

Nunca, durante governo nenhum, houve tantos ‘boys’. O que são os boys? São aqueles portugueses que arranjaram um emprego á custa de cunhas, geralmente a expressão diz mais respeito aos políticos. Como sabemos, a maior parte do país que mexe vive á custa dos favores do Estado que, por sua vez, emprega por motivos políticos, milhares de pessoas, muitas delas sem qualificações que justifiquem o cargo que ocupam. O mais grave, no meio disto tudo, é a constatação de duas realidades. A primeira: eles são legião. Em segundo lugar, eles auferem ordenados milionários, obscenos que bradam aos céus. Então, nas empresas públicas do Estado, eles são aos pontapés e são escolhidos pela cor partidária e, por isso, devem toda a obediência ao «chefe».

O país debate-se com uma grave crise económica. Mas esta é só para a maior parte, os de mais fracos recursos. Mas há uma elite que vive à grande e à francesa. Esta elite é constituída por políticos, por quadros superiores do Governo, quadros das empresas públicas e dos Bancos. Os administradores desta maralha aufere ordenados de milhões em cada ano e, no fim, ainda repartem o bolo daquilo a que eles chamam lucros, mas que a crise internacional veio descobrir que os lucros eram eles que os inflacionavam para o bolo ser maior. Uma espécie de saque. E toda a gente sabe quem são estes senhores e andam por aí à vontade, sem um remorso e sem uma acusação.

Andam afadigados à procura de caça no «Face Oculta» e eles estão aí com a «face desoculta», na maior das calmas. Chegam a dar ‘show’ nas televisões e entrevistas nos jornais e, suspeitos ou denunciados pela comunicação social, todos dizem, sem excepção, que estão inocentes, que não têm nenhuma dor de consciência. Eles comportam-se assim porque sabem que não há justiça em Portugal, eles nunca serão julgados e muito menos condenados. E toda a gente sabe que assim é.

Mas, descendo mais ao pormenor e ao concreto, reparem o que está acontecendo na PT, embrenhada no caso «Face Oculta». O senhor Rui Pedro Soares, de 32 anos de idade, foi alcandorado a administrador da PT e do Taguspark. Não tem currículo para isso. Subiu à custa de se tornar um menino bonito, filiado na JS, e manteigueiro de José Sócrates a favor da imagem do qual fez uns biscates no computador que agradaram ao «chefe».

«Choca que José Sócrates não perceba que ninguém mais entende como é que se pode ganhar 2,5 milhões de euros por ano de ordenado, como administrador da PT, aos 32 anos de idade e sem currículo algum que não o de militante da JS». Este homem ganha num ano o que um técnico superior principal da Administração Pública (topo da carreira, depois de muitos estudos, exames, concursos, competentes) leva 20 (vinte) anos a ganhar.

O próprio Presidente da República precisaria de 8 (oito) anos no cargo, para juntar aquela verba. Um ‘mileurista’, isto é um empregado que ganhe mil euros por mês (há muitos licenciados que nem ganham isso), teria que viver 200 anos para ganhar tanto como este nababo da PT.

Ele vale 8 vezes menos do que um administrador da PT e os quadros da empresa não velem, sequer, um vigésimo.

Mas se este senhor, tantos outros semelhantes, deve receber muito mais do que isso, porque acumula empregos nas administrações de outras empresas.

Teve que sair da empresa por ser suspeito de corrupto, apanhado nas malhas do processo «Face Oculta». Mas a empresa apressou-se a dizer, não fôssemos nós esquecer, que ele continua a fazer parte dos quadros da empresa. O Vara está fora do BCP e saiu por motivos semelhantes. Mas, apertados a dizerem a verdade, mentem e não a dizem, refugiando-se no segredo de justiça. Porque estes e outros da sua igualha, sabem que não vai acontecer nada, porque não há justiça neste país para os grandes, só para os pequenos. Daí o eles dizerem que estão de consciência tranquila e negarem todas as acusações.

Estes são, apenas, dois casos gritantes. Mas há muitos mais. O Governo nomeou mais de mil e trezentos assessores disto e daquilo. E os administradores das empresas públicas ganham milhões e, quando saem da empresa, recebem uma indemnização milionária (o figurão da PT recebeu 600 mil euros) e são logo nomeados administradores de outra empresa, os que não são acusados de suspeitos de corrupção. E há, até, reformados destes com reforma milionária que têm mais três empregos. Como foram reformados com meia dúzia de anos de trabalho, e são considerados «boys», depressa são nomeados como administradores de outras empresas. E, muitos, quando saem para irem para a reforma, ou para outra empresa, recebem milhões de indemnização. E tudo são dinheiros nossos, públicos!

São gastos megalómanos do governo, no seu conjunto, gasta à tripa forra com ordenados, carros de alta cilindrada, assessores, despesas de estudos a peritos e advogados, etc., etc., um sorvedouro de dinheiros públicos. (Sabe quantos carros tem o Estado, ao seu serviço, com condutor, etc.? São só 28 mil! O gabinete de Sócrates, para dar o exemplo de despesismo, tem ao seu serviço 12 carros!)

Os deputados do Reino Unido não têm lugar certo onde sentar-se, nem têm computador, (custo do equipamento de informática: 2 milhões e 110 mil euros; subvenção aos partidos representados na Assembleia da República: 13 milhões e 506 mil euros;  subvenções estatais para campanhas eleitorais: 13 milhões e 798 mil euros. Diversos (???): 13 milhões e 506 mil euros. Total da despesa orçamentada da Assembleia da República: 192 milhões 450 mil 356 euros e 61 cêntimos). Os ingleses não têm gabinetes, nem secretários, nem assessores, nem automóveis, nem condutores. não têm residência e viagens pagas, se vivem fora de Londres, - pagam pela sua casa em Londres ou nas províncias, pagam todas as suas despesas, normalmente, como qualquer trabalhador, não têm passagens de avião gratuitas, salvo quando ao serviço do Parlamento. E o seu salário equipara-se ao de um Chefe de Secção de qualquer repartição pública. O governo não alimenta escritórios de advogados, não tem «boys», nem favorece as grandes empresas de construção para obras públicas. É que eles são servidores do povo e não sanguessugas do mesmo.

Sabia que há uma deputada do PS, é deputada por Lisboa e mora em Paris? Se é deputada pela Europa, porque vem todas as semanas a Lisboa, o que custa aos contribuintes 5 mil euros por mês, viajando de avião em executiva, tudo à custa dos contribuintes? Chama-se Inês de Medeiros. E temos que estar contentes por estar a morar tão perto. Se escolhesse morar em Turquemenistão, na União Soviética, teríamos que lhe pagar muito mais. (Os deputados custam-nos, por ano, 12 milhões de euros).

 Na Noruega, o país mais próspero da Europa, os ministros não andam a passear-se em carros topo de gama, andam de metro. Não têm, nem querem TGV, só têm 200 quilómetros de estrada, não comemoram as suas datas emblemáticas com milhões de euros, como nós fazemos parta comemorar os 100 anos da República cujas comemorações nos vão custar cem milhões de euros. E os jogadores da Noruega nunca precisaram de pagar aos seus jogadores 400 salários mínimos por mês para que estes joguem à bola. E não há um excessivo peso do Estado nem as empresas andam à coca de subsídios do Estado. Mas este país é um país rico (porque sabe poupar e gastar).

Há dias estive na Inglaterra, onde percorri, por estrada, de carro 2.000 quilómetros e raramente via passar um carro topo de gama, quase tão raros como os corvos brancos, género Mercedes, BMW ou Audi. Então, Ferrari, não vi nenhum!

E vejam o estado a que isto chegou. E tudo isso, para quê?

Ouçamos o grito de revolta de uma senhora:

«Quero de volta a minha dignidade, a minha paz, a minha liberdade.

Quero de volta a lei e a ordem.

Quero liberdade e segurança.

Quero tirar as grades da minha janela.

Quero políticas, não quero hipócritas.

Quero sentar-me na calçada e estar de porta aberta nas noites de verão.

Quero a rectidão de carácter, a cara limpa e os olhos nos olhos.

Quero honestidade como motivo de orgulho.

Quero esperança e alegria.

Quero discordar do absurdo e da mentira em que vivemos.

Abaixo o «TER», viva o «SER!»

Artur Gonçalves

ADENDA que veio de um outro artigo meu:

António Champalimaud deixou em testamento para a fundação com o seu nome 500 milhões de euros (100 milhões de contos) para a investigação em medicina.( investigação na área da visão e trabalhos no terreno, em países em desenvolvimento de combate à cegueira e doenças dos olhos. !ª edição em 2008.

. 

publicado por argon às 22:50
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