Segunda-feira, 26 de Julho de 2010

ANIMAIS NOSSOS AMIGOS - 2 - O GATO

 

Vamos falar de felinos. O gato doméstico que tanto abunda nas nossas casas, é um felino que, como todos os outros, tem unhas que arranham e pêlo que cai e feitio que «desafia». Comecemos por dizer que ele é uma contradição. Nenhum outro animal tem uma relação tão estreita com os humanos, tem uma incalculável capacidade de dar carinho, companhia e sossego – são especialmente afectuosos, leais e brincalhões mas, em contrapartida, exigem e obtêm inteira independência de movimentos. O cão é levado a passear, o gato passeia sozinho e nunca caça em grupo. O gato leva uma vida dupla: no lar é muito amoroso, é uma companhia íntima e muito dedicada; no exterior é dono de si próprio, uma espécie de animal selvagem, auto-suficiente, em constante alerta. Resumindo: tem hábitos de animal doméstico e comportamentos de animal selvagem. É que os gatos domésticos primeiro são caçadores de ratos e só depois são animais domésticos.

Só no século XIX se lhe deu importância, começou a sua promoção com competitivas exposições de gatos e com a criação de raças pedigree e começou a moda de se ter um gato em casa.

Há hoje umas quarenta espécies domésticas, cada uma com o seu carácter e características particulares.

Eles são menos exigentes que os outros animais, como, por exemplo, os cães: os gatos lavam-se, enterram as fezes, dormem a maior parte do tempo, não têm que ir à rua, comem pouco e não ladram.

Sendo predador por natureza, o gato está equipado fisicamente para capturar presas: o seu corpo é ágil, flexível e bem poderoso – corre rápido, principalmente em distância curta. Tem possibilidade de escalar e pular com facilidade. Mesmo que perca o equilíbrio, cai sempre de pé e pode sair ileso depois de uma queda de seis metros.

As pupilas são muito sensíveis à intensidade da luz, permitindo-lhe adaptá-las à sua maior ou menos intensidade. Sendo caçadores, os gatos estão bem adaptados à existência nocturna porque, através da retina, possuem o chamado tapete lúcido que é um instrumento intensificador da imagem que, com seus raios de luz, lhes permite reforçá-la, actuando como um espelho e reflectindo a luz para as células do cérebro. Daí o aspecto esverdeado e brilhante dos olhos quando são iluminados pelos faróis dos carros. Graças a isto, o gato é capaz de aperceber-se de movimentos e objectos em quase obscuridade total. E para escuridão total, o gato orienta-se pelo som, pelo cheiro e pela sensibilidade dos seus espantosos bigodes.

O sentido do olfacto é outro sentido que está nele muito desenvolvido: ajuda-o a localizar outros gatos, e as presas. As moléculas odoríficas que flutuam no ar são capturadas pela língua, entrando em contacto com o órgão vomeronasal, localizado no céu da boca, ficando em comunicação com a cérebro que traduz a informação e orienta o comportamento.

Os pêlos dos bigodes, cruciais para a sua sobrevivência, dão-lhe informações adicionais proporcionadas pelas vibrissas (pêlos dos bigodes) que, além de detectarem obstáculos, captam a direcção do vento, o que pode ser de grande valor para fins de caça. Além de serem umas verdadeiras antenas, sensíveis ao contacto, funcionam, como detectores de movimentos no ar e são vitais para as caçadas nocturnas. São as pontas dos bigodes que lêem os pormenores da silhueta da presa e dos seus mais pequenos movimentos e informam o gato sobre como deve reagir à presença de obstáculos, evitando-os. Os bigodes possuem um conjunto de terminais nervosos que transmitem informações sobre quaisquer contactos ou alterações de pressão do ar. Em regra, um gato possui vinte e quatro bigodes, doze de cada lado, implantados em quatro filas horizontais. Além das vibrissas, o gato possui outros pêlos reforçados noutras zonas do corpo: por cima dos olhos, no queixo, e, surpreendentemente, na parte de trás das patas dianteiras.

A respeito deste felino doméstico, há uma série de características e comportamentos que são comuns a todos eles e que se manifestam no seu dia-a-dia: eles ronronam para exprimir prazer e afecto para com o dono e para deixarem a mensagem de que está tudo bem; gostam de ser acariciados; raspam o tecido da cadeira favorita dos donos; voltam-se de costas quando vêem o dono; roçam as suas pernas quando o cumprimentam; outras vezes, saltam nas patas traseiras em sinal de cumprimento; tacteiam o colo do dono com as patas da frente; passam grande parte do dia a tratar do pêlo – uma forma patusca de fazerem a toilete, e a lamberem o focinho, - mesmo quando este não está sujo porque, não possuindo glândulas sudoríficas como nós, de modo que não podem usar a transpiração como método de arrefecimento, ao lamberem o pêlo repetidamente, nele depositam a maior quantidade possível de saliva cuja evaporação actua da mesma forma  que a evaporação do suor na nossa pele; têm o hábito de abanarem a cauda; urinam nos muros do jardim; choram quando os deixam sair e voltam logo a chorar para os deixarem entrar; arqueiam o dorso em sinal de medo, alarme e defesa quando vêem um cão desconhecido, mas acamaradam com cão conhecido, chegando a tornar-se companheiros inseparáveis deste, principalmente quando criados em conjunto, desde tenra idade; abanam a cauda quando estão na fase da caça a um pássaro; sopram diante de um cão ou de outro predador; movem a cabeça de um lugar para outro quando vêem a presa; normalmente, brincam com a presa antes de matarem.

A gata muda os gatinhos para um novo ninho pegando-os pelo pescoço, sem os aleijar; os gatos fazem um grande alarido aquando dos galanteios, diferente do alarido durante o acasalamento; lambem o focinho, mesmo quando este não está sujo.

Quando acordam, entretêm-se a cumprir uma espécie e ritual ocioso: espreguiçam-se, movendo todos os músculos e articulações e, assim, fazerem circular o sangue; primeiro, bocejam de modo exuberante, depois, esticam as patas dianteiras e traseiras e arqueiam o corpo.

Eles têm hábitos brincalhões, reflexo dos seus instintos básicos de caça. Brincam atirando com os brinquedos ao ar para lhes darem vida, transformando-os num pássaro vivo, espécie de pseudo-presa. Normalmente, brincam com a presa, antes de a matarem, passando por várias fases: 1. aproximam-se furtivamente da presa; 2. saltam fulminantemente sobre ela; 3. apanham-na, mas não a matam; 4. brincam com ela viva; 5. finalmente, dão uma mordidela fatal no pescoço da presa. E, por vezes, chegam a entregar ao dono as presas acabadas de apanhar.

Há no nosso linguajar comum certas expressões e ditados populares com base no comportamento do gato: gato escaldado de água fria tem medo; passar como gato por brasas e cão por vinha vindimada; quem não te cão, caça com um gato; um saco de gatos; fazer gato-sapato; aqui há gato! Ter olhos de  gato. impingir gato por lebre; de noite, todos os gatos são partidos; Fulano e Cicrano dão-se como o cão e o gato. Há também o verbo gatinhar que se aplica às crianças para indicar uma das fases dos primeiros passos.

Com este texto, cujo retrato gatístico deve deixar todos os gatos babosos pelos elogios que lhe teço, espero que os gatos da minha terra, muitos tão desprezados e tão maltratados, passem a ter melhor sorte da parte dos humanos a quem eles só sabem distribuir companhia, carinho e  afeição.

O fabulista francês La Fontaine dedicou nada menos que sete fábulas a este animal o qual, na disputa com outros animais, sai sempre por cima.

A investigação científica mostrou que o facto de se possuir um gato ou outro animal de estimação reduz os níveis de stresse e o risco de ataque cardíaco nas pessoas. O que me leva a soltar o grito:

Toda a gente a ser dona de um gato! Já!

- Miau!

- Renhaunhau!

 

publicado por argon às 13:51
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