Segunda-feira, 18 de Outubro de 2010

'CRIAÇÃO DE 150 MIL POSTOS DE TRABALHO' E 'O ZÉ PORTUGA'

ESTES TEXTOS FORAM PUBLICADOS NO DIA 15 DE OUTUBRO DE 2010. É como segue:

 

CRIAÇÃO DE 150 MIL POSTOS DE TRABALHO

 

Os meus leitores devem estar recordados que uma das promessas mais sonantes de José Sócrates, antes das eleições que lhe deram a maioria absoluta, foi que criaria 150 mil postos de trabalho. Poucos teriam sido os que acreditaram em semelhante benesse façanhuda. Mas foram suficientes para lhe darem a maioria absoluta. Como nunca conseguiu cumprir a promessa, os seus adversários políticos não se coibiam de, vez em quando, lhe atirarem à cara esta promessa, classificando-a de eleitoralista e demagógica. Os anos foram passando. E não é que ele vai, mesmo, cumprir esta promessa? É verdade e digo-o sem ironia.

Para satisfazer a possível curiosidade dos meus leitores, eis o perfil desta nova classe de empregados do Estado:

1. Trabalham o mais que podem, sem horário rígido de trabalho;

2. Trabalham sem folgas, nem descansos;

3. Não é necessário mandá-los trabalhar porque eles o fazem com vontade e determinação;

4. Não perdem tempo com outras actividades;

5. Não conversam, nem se distraem;

6. Não têm inveja uns dos outros;

7. Trabalham sempre com alegria e satisfação;

8. Não fazem nunca qualquer protesto e muito menos greve pelas suas condições de trabalho ou fraca remuneração;

9. Não dão prejuízo ao patrão, só dão lucro e muito lucro;

10. Nunca há o perigo de levarem o patrão à falência;

11. Não vivem de subsídios do Estado;

12. Não apresentam nunca nenhum caderno reivindicativo,

13. São muito individualistas e cada um trabalha o mais que pode para si e para o patrão,

14. Vivem e trabalham sempre em comunidade e nunca se zangam uns com os outros,

15. Cada um sabe o que tem a fazer e fá-lo com interesse e com dignidade,

16. Nunca se zangam uns com os outros, para eles a vida é o que é e conformam-se com a situação de cada instante, sem reivindicações, nem protestos.

17. Apresentam-se todos os dias ao serviço, nunca dão faltas e, no fim do trabalho, recolhem a casa para descansarem.

18. Ao outro dia, repete-se o dia de trabalho, sem que se fartem com a sua monotonia.

19. Gostam do que fazem e da alimentação que lhes é servida no local de trabalho.

20. Deslocam-se sempre a pé.

21. É raro terem um acidente de trabalho, mas estão seguros para o caso de qualquer acidente imprevisto.

22. Nunca mudam de fato e sentem-se sempre confortáveis com a fatiota com que se cobrem.

23. São ordeiros, embora gostem de escapar à vigilância do patrão, por motivos gastronómicos, pois são muito gulosos.

24. Trabalham sempre em grupo.

25. São vigiados pelo médico que cuida da sua saúde, não vá algum adoecer.

26. As condições descritas não os impede de se reproduzirem, para aumentarem a sua descendência.

27. Para acederem ao emprego têm que ter uma idade de adultos e serem aceites na comunidade de que fazem parte, constituindo, assim, uma espécie de família, ou grupo homogéneo.

28. Na comunidade há descriminação de género, isto é, predomina um dos sexos.

29. Cada grupo tem a dirigi-lo um ou dois chefes de grupo que os acompanham sempre em todas as horas de trabalho e zelam pelo seu trabalho e produtividade.

30. Como se trata de tantos empregados, - 150.000, dão para se constituírem muitas empresas, cada uma com características e estatuto semelhantes.

31. não há promoções na carreira, nem ordenado máximo, nem mínimo. Todos os empregados recebem por igual e são tratados da mesma maneira, sem queixumes. Aqui reina o verdadeiro socialismo!

No fim de cada ano, o trabalho de cada empresa será monitorizado de forma a fazer-se o balanço sobre o deve e o haver, o que terá como consequência, possivelmente, a reformulação de alguns conceitos e procedimentos, em ordem à obtenção dos objectivos propostos, estando envolvidos tantos meios e recursos.

Apesar de tanto voluntarismo, tanto trabalho e tanta aplicação e fidelidade – tudo em nome dos superiores interesses da Nação, não há distribuição de benesse ou bónus, não há feriados, nem fins-de-semana, não há transportes motorizados, não há vistorias de ASAE, nem de outras entidades fiscalizadoras da arte de bem viver e dos bons costumes, não há multas nem contra-ordenações, não há interferências do Estado ou das suas instâncias punitivas, e creio que nem sequer há pagamento de impostos. O braço da justiça e do fisco não chegam lá. E estão imunes ao bruabá ou ruído das cidades. Vejam lá se isto não é viver num cantinho do céu! E a empresa que gere estes activos ainda pode receber do Estado subsídios por cabeça, no caso de haver alguma fatalidade ou catástrofe natural, mesmo provocada por mão humana, como seja, por exemplo, um fogo florestal. Só tem um contra: são as inclemências do tempo, sobretudo nos meses frios do inverno.

A notícia:

150.000 cabras-bombeiro vão andar a pastar em Portugal e Espanha. O projecto, de 50 milhões de euros, visa prevenir os incêndios e criar mais de 500 empregos. Trata-se de um método de prevenção de incêndios florestais e de desenvolvimento rural sustentado. Desta forma, esta multidão de caprinos fará uma «limpeza» natural dos campos agrícolas abandonados, montes e trincheiras, enquanto comem. Com este programa, criar-se-ão 12 queijarias, 15 lojas de comercialização de cabrito, produtos lácteos transformados e dois matadouros.

A zona de actuação do projecto estende-se por um território fronteiriço de 9.000 quilómetros quadrados e 125.000 habitantes.

Comentários na Internet:

1. É só ver as cabras a pastar e os mesmos de sempre a meterem ao bolso.

2. A ideia parece boa, mas fazendo contas, dá 333 euros cada cabra. Parece que já está alguém a mamar as tetas sem elas darem leite. Assim, para saírem mais barato, o melhor seriam bodes.

3. Uma iniciativa inovadora:

Mais um esquema encabritado de sacar dinheiro à CE. Mais uns amigos do Pinóquio que arranjaram um esquema com os fogos para se safarem à grande, um projecto de 50 milhões dá para desviar muita pasta e arranjar muitos jobs para os boys-bois-cabras. As autarquias da vizinhança já devem estar a esfregar as mãos, vão pôr a família toda a pastar cabras com o subsídio que lhes pagam.

Fogos:

Agora que o governo acabou com os fogos deste ano por decreto, saiba que este ano arderam 117. 949 hectares de espaços florestais. Mais 58% do que a área ardida no ano anterior. Mas abre-se um precedente complicado de efeitos muito perversos pois, se as pessoas perceberem que se arderem os pastos recebem apoios para a alimentação animal, serão incentivadas a fazê-lo. É um incentivo para continuarem as queimadas para a pastorícia. O que advém do facto de o Ministério da Agricultura estabelecer indemnizações aos pastores que, por via dos fogos, tenham perdido áreas de pastagens, estabelecendo compensações que vão de 40 a 100 euros por cabeça de gado, conforme se trate de ovelhas, cabras ou vacas.

Méeeee!...

ARGON

 

O ZÉ PORTUGA

 

A NOTÍCIA:

Um tal Tomás Bacelo, 23 anos, não tendo conseguido fazer o ensino secundário, passou pelas «Novas Oportunidades» - uma escola de pronto-a-aprovar socratina, e, apenas em meia dúzia de meses fez dois módulos que lhe deram direito ao 12º ano e com acesso à Universidade à qual concorreu à frente dos alunos que suaram as estopinhas para conseguirem, em 12 anos, o 12º ano. Passou á frente de todos porque lhe deram a nota de 20 valores pelo único exame de Inglês que fez nesta escola repentista. Felizmente não foi para medicina senão, lá teríamos um médico que seria um susto e um desastre.

 

Com as «Novas Oportunidades»,

Já não quero ser doutor!

Longe, longe das cidades...

Eu, agora, vou ser pastor!

 

Argon

 

 

 

 

 

publicado por argon às 19:36
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