Segunda-feira, 20 de Dezembro de 2010

A SOCRATESLÂNDIA

 

Se és um bom português que soube impor um estilo

No tempo em que o PS, sem chefe para competi-lo;

 

Se conseguiste resolver um caso de falta de liderança,

Num tempo em que governar estava a ser de tardança;

 

Se entraste logo a matar, como um animal feroz,

E tiraste férias aos médicos de maneira mui veloz;

 

Se o partido socialista estava já em condições

De chamar o pai Sampaio para provocar novas eleições;

 

Se o Santana com as trapalhadas era um escândalo nacional

E havia uma boa maré para o tirar do pedestal;

 

Se a Assembleia da República governava em maioria,

Foi argumento a rejeitar em emergência de alforria;

 

Se dissolvida a Assembleia, com as eleições em mente,

Elas deram ao PS maioria absolutamente;

 

Se logo a seguir, para espanto, entrámos em ditadura

Do posso quero e mando, com denodo e sem fissura;

 

Se começou o Sócrates a destruir, todo armado em mandão,

O que estava bem de pé, assim do pé pr’á mão;

 

Se não olhava às suas vítimas, caindo, assim, pelo chão,

Sempre com mira na sua força e sempre em destruição;

 

Se começou pela Saúde, fechando Maternidades,

A eito e sem compaixão, num frenesim de excentricidades;

 

Se se seguiu a Educação, onde a Milu, num rodopio,

Destruiu tudo o que quis, segundo o seu alvederio;

 

Se sem atender aos protestos de todos os docentes,

Os veio a desacreditar com as normas mais indecentes;

 

Se fez cavalo de batalha com o ataque aos professores,

Sem atender ao seu trabalho, nem à excelência dos seus valores;

 

Se completamente ofuscada pela subida das estatísticas,

Introduziu o facilitismo, como uma das características;

 

Se obrigou todos os professores a trabalharem bem no duro,

Com substituições gratuitas, com o descaramento mais puro;

 

Se foi muito contestada pelas greves mais participadas

De toda a história das greves, no país das trapalhadas;

 

Se ao fim de quatro anos ela foi escorraçada

Do governo da Escola, depois dela destroçada;

 

Se houve novas eleições, sem haver alternativa,

Que deram ao PS uma maioria relativa;

 

Se a nova ministra da educação veio logo na peugada,

E apareceu, vinda do céu, a Isabelinha Alçada;

 

Se entrou com o pé direito, com ar doce e jovial

Como que a dizer a todos, ‘eu não vos quero fazer mal’;

 

Se a nova ministra começou por desfazer, sem espalhafato,

O que a Miluzona destruíra, voltando ao antigo formato;

 

Se o Estatuto do Aluno da ministra já cessante

Foi refeito e corrigido, coisa feita num instante;

 

Se a Milu veio a publicar os 24 grandes sucessos,

Esquecendo-se de publicar, os mais que foram insucessos;

 

Se no que respeita à justiça, não é das coisas mais nobres,

Porque pratica duas justiças, uma p’ra ricos, outra p’ra os pobres;

 

Se a nossa lenta justiça é dos casos mais lembrados:

Os pobres vão para a cadeia, os ricos são ilibados;

 

Pouco depois surgiu a crise, não estávamos preparados,

Por vivermos anos a fio, como se fôssemos endinheirados;

 

E chegámos à conclusão, pelo governo sempre ocultado,

Que vivêramos como ricos, mas com dinheiro emprestado;

 

Se fazias vida de rico, sempre sem dúvidas, nem dilemas,,

Atiravas com dinheiro, para cima dos problemas;

 

Julgavas que, assim mesmo, resolvias os problemas,

Afinal tu nos meteste em complicados dilemas:

 

Ou pagamos o que devemos, ou os nossos credores externos

cortam-nos cerce a ração e viveremos num inferno;

 

Onde já campeia a pobreza que inclui a classe média,

Contra uma cultura de gente abastada assaz e nédia;

 

Entretanto, o desemprego atingiu níveis brutais

E o Governo em desprezo, diz que não pode fazer mais;

E continuamos num país a viver em dois extremos:

Duma banda são os ricos, da outra os pobres que temos;

 

A aumentarem cada dia e passarem pela fome,

Sem que o governo se preocupe, ou as reformas tome;

 

Porque não quer tirar aos ricos, que a isso não estão dispostos,

E quem paga são os pobres, com o aumento dos seus impostos;

 

O dinheiro que existia é o mesmo que agora há,

Só que mal distribuído, isso para alguns é um maná;

 

E tudo isto porque o chefão nunca quis acreditar

Que já tínhamos entrado em crise, antes de lá fora rebentar;

 

Este atraso nas medidas que ele nem sequer tomou,

Atirou-nos para a miséria e foi assim que nos tramou;

 

Mas continua triunfante e como o Soares, pobretana,

Anda, a caminho da estranja, a vender dívida soberana;

 

E não vê que assim sendo, vai caindo em descrédito,

Em vez de vender dívida, devia vender crédito;

 

Mas continua na gastança e a sonhar com TGVês,

Com ideias megalómanas, a agir com insensatez;

 

E para se mudar de timoneiro valeria a Constituição,

Se fosse feita para os eleitores, em estado de desgovernação;

 

Só se pode dar remédio, só depois das eleições,

Até lá, apertar o cinto e sofrer muitas restrições;

 

Mas nunca tantos carros de luxo, nem férias a tão longe

Houve nestes anos perto, como está havendo hoje;

 

Quanto ao caso da economia, é o caso mais sofrido:

O Sócrates sem reformas, deixa-nos um país falido;

 

Se por mais que trabalhemos, ele nos deixa sem vintém,

Mete a mão aos nossos bolsos e não sabemos o que aí vem;

 

Se com a subida dos impostos o país é um desdém,

Com o Estado gastador, gasta, gasta o que não tem.

 

Se cada vez estamos mais pobres, como dizem por aí,

Parece que isto só endireita com a chegada do FMI.

 

Se escutamos o primeiro-ministro, o senhor que se ufana,

Com o seu sempre seu optimismo, com isso ele nos engana;

 

Se o país está aflito, e caminha para o desconhecido,

Porque ele ocultou o défice, o sem vergonha, o desmentido;

 

Se o Sócrates da pouca sorte nos está a defraudar

Com as contas ele nos engana, quem com ele pode concordar?

 

Se ele continua um teimoso com o ministro das finanças

A esvaziar os nossos bolsos e a gerar desconfianças;

 

Se carregou forte nos impostos sobretudo nos mais pobres

E os credores temos à perna, porque já não temos cobres;

 

Se prefere carregar nos impostos, do que a cortar nas despesas,

Onde é que está a justiça de semelhantes safadezas?

 

Eis que os nossos maus credores, a matilha que nos espreita,

Vai mandar-nos a breve trecho quem nos corte na receita;

 

Melhor fora anteciparmos, a fazer um ajuste maior,

Antes que venha aí alguém e fiquemos ainda pior;

 

Não é com cinquenta medidas, mais uma vã promessa,

Que isto lá vai ao sítio, todas elas feitas à pressa;

 

E quando se fizer a história, história, mesmo à séria,

O Sócrates ficará nela, como causa da nossa miséria.

 

Então se dirá, a saber, que ele viveu em desnorte

Pena não ter sido responsável pela nossa pouca sorte;

 

E terminemos este texto com a tese em que me fundo:

Merecíamos viver num país – o mais querido do mundo!

ARGON

publicado por argon às 22:32
link do post | comentar | favorito
|

.Argon

.pesquisar

 

.Maio 2012

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

13
14
15
16
17
18
19

20
21
22
23
24
25
26

27
28
29
30
31


.posts recentes

. QUERO SER UMA TELEVISÃO

. O ANDARILHO VAGAMUNDO

. BODAS DE OURO MATRIMONIAI...

. A GUERRA MODERNA POR OUTR...

. DEUS, SUA VIDA, SUA OBRA

. UM CONTRASTE CIONTRASTANT...

. FALEMOS DE LIVROS

. TENHO UMA PALAVRA A DIZER

. AS CINQUENTA MEDIDAS - UM...

. O SÍTIO ATÉ ERA LINDO...

.arquivos

. Maio 2012

. Janeiro 2012

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Maio 2008

. Fevereiro 2008

.favorito

. QUERO SER UMA TELEVISÃO

. O ANDARILHO VAGAMUNDO

. BODAS DE OURO MATRIMONIAI...

. A GUERRA MODERNA POR OUTR...

. DEUS, SUA VIDA, SUA OBRA

. UM CONTRASTE CIONTRASTANT...

. FALEMOS DE LIVROS

. TENHO UMA PALAVRA A DIZER

. AS CINQUENTA MEDIDAS - UM...

. O SÍTIO ATÉ ERA LINDO...

blogs SAPO

.subscrever feeds