Quarta-feira, 19 de Novembro de 2008

UM DUELO (DES)EDUCATIVO

Estava na hora de uma viragem quando a mulher da situação que tinha visto os profes adormecer nas delícias de Cápua, lendo à luz da crítica o livro do destino, despertou do fatal letargo em que jazia a educação e abrindo os olhos de Argus em que julgava brilhar a centelha do génio, acendeu o facho da guerra civil e, descendo do leito de Procusta, enfiou as botas de sete léguas da rebeldia, vestiu uma camisa de onze varas, envergou a túnica de Nessus e a toga de Catão e cobriu a cabeça com o manto diáfano da mais vergonhosa e destemperada desvergonhice. Abriu as folhas volantes da lei, viu que a estrela de primeira grandeza do palco do mundo lusitano iluminava o seu acanhado lar doméstico através de um rasgo de heroismo dspótico e avassalador e começou a disparar em todas as direcções.

Lavou como Pilatos as mãos na água de Letes e mandou afeitar-se no barbeiro de Sevilha. Mas, como os cabelos da fortuna se tivessem enovelado na tesoura de Átropos, manobrada magistralmente pelos docentes e pelos síndicos que se opunham aos devarios da ministra, foi necessário recorrer à espada síndica de Democles para cortar o nó górdio da excessiva burocracia.
Sentada, em seguida, no banco dos réus à mesa do orçamento comunitário, abrindo a boca do inferno e com os dentes de Cadmo, comeu o que julgava ser um bife do boi Apis, uma costeleta de bode expiatório, a maçã de Páris e provou o néctar dos deuses vindimado na adega do Sócrates, apadrinhada pelos restantes áulicos da corte do Rei Arthus.
Abrindo, em seguida, o guarda roupa do teatro lírico, vestiu o hábito talar e mulheril, meteu no bolso a democracia dialogante do concílio dos deuses e apoiando-se no bordão da sua imponente importância laudatória, fechou a sublime porta da concertação social, com a chave do discurso inflamatório e desafiante, sem recuar um milímetro nas suas pretensões reformadoras. Não pôde cobrir-se com a capa que Martinho tinha segura por um fio e ficou a descoberto toda a sua argumentação falaciosa que chegou a tocar as fímbrias ventosas da mentira e da calúnia.
Querendo servir-se do carro do triunfo para passar as águas do facilitismo humbroso e não tendo no bolso senão uma lira de Orfeu, cinco réis furados e um pequeno óbulo de Belisário e não chegando tão insignificante quantia para pagar o preço de um democrático entendimento, pediu ao patrão o escudo de Minerva e à Providência cautelar a silva do zodíaco mas, um e outro, aferindo pela balança da justiça a urgência da necessidade, alegou o seu programa reformista  como possuido do elixir do mais acendrado sucesso escolar.
Marchou logo com ligeiro passo de Calais para o porto de abrigo e tomando a passgem das Termópils na barca de Caronte, foi deitar-se debaixo de uma árvore genealógica à espera que as constestações amainassem. Mas, encontrando no caminho da perdição um inimigo figadal que tem comandado as tropas rumo a uma vitória mais que merecida, desfazendo o disfarce do anonimato no manto da hipocrisa, impeliu com tal força do destino uma pedra de escândalo contra a calcanhar de Aquiles do adversário que este, quase baqueando no abismo da derrota, fez a sinistra bater com a cabeça na rocha de Tarpeia para ver se acordava do sonho dormido em que vive.
Acudiram logo os satélites do popder que lhe lançaram aos pulsos as cadeias do amor e sendo citada por vários autores e trazida à tela da dicussão, foi-lhe intimada a sentença de Salomão que a condenou ao suplício de Tântalo e teve que pagar as custas do processo de Rasga.
Finalmente, calaram-se as trombetas de guerra, tendo vindo à fala as consciências de antes mais empedernidas que, diante dos argumentos liminares e das vozes consensuais da cosnciência popular e das vozes da razão dos avaliandos, puseram fim a este braço-de-ferro que durara já por tempo mais que demasiado. E tudo se conseguiu e se voltou a um novo modelo de avaliação exequível e simplificado para honra dos opositores e o sucesso escolar dos alunos. No fim ouvia-se um piar de aves agoirentas que repetiam: «piu!… piu!…piu!… a ministra já saiu!».
 
publicado por argon às 15:08
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