Sábado, 16 de Maio de 2009

O GOVERNO DE ANTÓNIO GUTERRES

Hoje, venho à sua presença com um texto sobre António Guterres. É uma marcha-atrás no tempo, agora que Guterres anda aí, de novo, em grandes cartazes com aquele sorriso matreiro a que nos acostumou. Era o tempo dos esbanjamentos, do «fartar vilanagem». Muitos se aboletaram e, depois, é o que se sabe. 

Se as eleições de 95 te deram a vitória folgadamente,                                                               
E começaste  formar governo, como se forma normalmente;
 
Se tiveste logo a pouca sorte de dois ministros serem faltosos,
A contas com o senhor fisco, como se fossem dois ‘criminosos’;
 
Se para salvares a tua face eles pediram logo a demissão,                                                       
E tu lha deste, como bom pai, todo cheio de compreensão;
 
Se, para afogar este desdouro, tu lhes vieste a dar, depois,
Um bom tacho bem chorudo, - foram ‘jobs for the boys’;
 
Se deste largas ao coração com bons favores e tais,
Presidentes de empresas, a ganharem dezenas de vezes mais;
 
Se este processo exemplar do mais rico figurino
Havia de ser seguido pelo número dois S. Vitorino;
 
Se apresentado como santo e mártir, foi canonizado, cá nas ‘’baixuras’,
Mostrando tu com tais benesses, que tu amas as criaturas;
 
Se por todos mesmo os da oposição foi este ‘boy’ elogiado,
E o fisco veio apressar-se a considerá-lo todo ‘ilibado’;
 
Se tu lhe deste o lugar deixado e ele não quis retomá-lo
Porque, assessor de uma grande empresa, é muito melhor regalo;
 
Se com a EXPO 98 tu conseguiste um grande sonho,
- Transformar em paraíso um lugar sujo e medonho;
 
Se é verdade que não foste tu o inventor desta EXPOsição,
E dizem os opositores que tu foste simples continuação;
 
Se, com a desculpa dos ‘buracos’, apeaste o Comissário,
E nomeaste um ‘cor de rosa’, levando aquele a excedentário;
 
Se não deste continuidade simplesmente a esta obra só,
Onde todos os caminhos iam a dar à EXPO;
 
Se foi o orgulho do país, de características irreconhecíveis,
E quiseste fazer de Portugal uma EXPO a todos os níveis;
 
Se inauguraste com grande pompa, a longa Ponte TranstaGama,
A mega-ponte sobre o Tejo, - a bela PONTE VASCO DA GAMA;
 
Se a mega-feijoada foi um êxito, na véspera da inauguração,
Ficou uma ponte mui catita, um dos orgulhos da nação;
 
Se quando pensaste em aumentar o dinheiro da PORTAGEM
O receio do ‘busiNão’ te obrigou a fazer paragem;
 
Se fizeste coro com o ‘busiNão’dos da Ponte do Pragal
E, para evitá-lo, agora, inventaste a ‘portagem virtual’;
 
Se não te atreveste a ir para a frente com as PROPINAS dos estudantes
E mostraste, uma vez mais, um governo de hesitantes;
 
Se com as propinas dos estudantes tu evitaste ‘escarmuças’,
E mostraste, uma vez mais, um governo de meduças;
 
Se deixaste o «grilo na toca» e não te importaste nada,                                                            
Com o «ano grilado» dos estudantes, mas que «grande barracada!»;
 
Se te lembraste, em certa altura, qual governante sagaz e lídimo
De obrigar os estudantes a pagar o ordenado mínimo;
 
Se fizeste uma proposta destas, sem força nem convicção,
Para ver se os alunos lhe pegavam bem ou não;
 
Se com manifes tais e tantas tu deixas de fazer assédio
Com brandura e esquecimento – o tempo é o melhor remédio;
 
Se com tais procedimentos com diálogo e paciência
Tu julgas levar as coisas ao lugar e com decência;
 
Se tu foste bem avisado sobre o referendo ao ABORTO,
Embora com a tua religião, isso fosse um desconforto;
 
Se nem mesmo os bispos da Igreja vos obrigou à abstenção,
Nem mesmo cominando-vos com o anátema da excomunhão;
 
Se permitiste que avançasse, embora, como se demonstra,
Tu, com a mesma oposição, tivesses votado contra;
 
Se todo o mundo ficou a julgar que o resultado era vergonhoso,
Mas não houve novidade, fizeste dele caso desdenhoso;
 
Se continuaste a governar, como se nada acontecera
Tinha vencido o NÃO folgado, a abstenção é que vencera;
 
Se no que veio a seguir, o tal da REGIONALIZAÇÃO,
Vos obrigou a terçar armas, com muita determinação;
 
Se este assunto estava inquinado, tinha o fracasso no seu seio,
Porque estava bem patente - dividia Portugal ao meio;
 
Se nem o aviso do ‘Pai da Pátria’ que diz ser «um erro colossal»
Vos fez andar para traz, deixando inteiro Portugal;
 
Se as sondagens mentirosas vos mantinham na ilusão
E vos davam a maioria, mesmo sem contestação;
 
Se no dia da contagem vencera o NÃO, de novo,
E com 50 de abstenção, mostrou a reacção do povo;
 
Se com um resultado tão vergonhoso tinhas aos pés um país revolto,
E se riscou do dicionário – referendo, região, aborto;
 
Se a oposição dos marcelistas não se cala com o vozeiral
E acusa o governo PS de ligado ao CAPITAL;
 
Se os TRIBUNAIS são ineficazes e não julgam com prontidão
E deixam os mega-processos cair na prescrição;
 
Se não julgam atempadamente e administram justiça lenta,
«Que a justiça se cumpra» - diz Sampaio, de lupa atenta;
 
Se na JAE há corrupção e se manda fazer inquérito,
Mas o resultado nunca chega – para o governo o demérito;
 
Se este país se permite, sob a tua direcção,
Inventar nomes de greves da maior contestação;
 
Se alguns médicos minoritários entram em greve de serviço                                                   
E lhe chamam «self-service» sem que o governo tenha a ver com isso;
 
Se a Ministra da Saúde deixa a saúde nos hospitais
ao abandono nas urgências e em todos os serviços mais;
 
Se não cura de saber se esta greve é ilegal,
Só ao fim de cem dias, depois de um berreiro infernal;
 
Se o procurador no fim deste tempo vem dizer que, afinal,
Esta greve que «é uma cegada» é uma greve ilegal;
 
Se só então o primeiro-ministro aparece nas televisões
Depois de o Presidente da República influenciar as decisões;
 
Se Nossa Senhora de Belém que nestas coisas de TV
Leva quase a palma a Guterres, fora dela ele não se vê;
 
Se esta dita «história macabra» que mexe com a doença
«Não incomoda quem nos governa» e mostra uma grande indif’rença;
 
Se um crítico bem atento a esta greve de aflições
Veio dizer que ela convinha, por se pouparem uns milhões;
 
Se o sindicato se chama SIM e se portou sempre como NÃO,
E mostrou à saciedade que não há governação;
 
Se, para o escândalo desmascarar, o Marcelo entrou em cena
Declarando que tal greve é ‘ilegal, desumana e obscena’;
 
Se ninguém recebeu castigo, segundo a cada um coubera,
Vede bem que grande dano c’o aumento das listas de espera;
 
Se uma coisa é o que se diz e outra o que se faz,
Não havendo reparação, outra greve virá atrás;
 
Se o ano não correu bem, não se pode dizer aziago:
Vede o que nos aconteceu – o PRÉMIO NÓBEL de Saramago;
 
Se somos um povo basto ignorado pelos parceiros da CE,
Estivemos, então, na berra – Portugal mostrou quem é;
 
Se no discurso acutilante, Saramago não foi profundo,
Ele atacou «urbi et orbi» as misérias deste mundo;
 
Se nos progressos da tecnologia, ele se demorou uns instantes:
«Chega-se mais fácilmente a Marte, do que aos nossos semelhantes»;
 
Se tudo parecia bem, em dia de boa memória,
O dia viu nódoa negra, ‘uma bronca’ para a história;
 
Se a SIC mostrou a todos o discurso antes do dito,
Saramago se mostrou irado com a bronca do Moura Pinto.
 
Se o PARLAMENTO tem a fama de muito pouco trabalhar
É porque não tem um Belmiro a fazê-los madrugar;
 
Se fossem mais madrugadores e mais coisas fossem em frente,
Podíamos dizer então: trabalham ‘belmiramente’;
 
Se as sondagens te estão em alta e o ambiente político é de eleição,
Já a ministra ecológica tem à perna a CO-INCINERAÇÃO;
 
Se se fez muita contestação em Maceira e em Souselas,                                                           
Tu puseste, logo, com o diálogo, um lume brando sobre elas;
 
Se entre Elisa e Pimenta no termómetro subiu a febre,
E o povo em questão ‘tem medo, de lhe venderem gato por lebre’;
 
Se há quem pense, entre os teus, que ela, assim, não sai queimada,
Lembro que tem morrido gente só de ter sido chamuscada;
 
Se a escolha é irreversível, como a ministra garantiu,
Para que servem as promessas, de revisão, como se viu?
 
Se se trata de uma mistura entre lixo com diálogo,
Disse bem o Graça Moura ao chamar-lhe um «lixálogo»;
 
Se razões algumas de tristeza podes ter - e de abatimento,
Estás orgulhoso do nóvel EURO que já viu o nascimento;
 
Se cuidado, cuidadinho, não estraguem o bébé;
Ele ainda anda de fraldas, e gatinha, - é o que é!
 
Se é razão para festejar e para ter boas esperanças,
Lá se vai o nosso escudo no meio destas ‘escudanças’;
 
Se no frente-a- frente televisivo, antes da tua eleição,
Tu disseste com orgulho que a paixão era a EDUCAÇÃO;
 
Se, pelo andar da carruagem, vemos que foi uma loucura,
Pois toda agente está sabendo, que anda pelas ruas da amargura;
 
Se todas as centrais sindicais criticam a veleidade,
Acusando a educação de facilitismo, infantilidade;
 
Se, sabendo tu do desaire, de outra paixão hás cobiça,
Escolheste agora, há pouco, a SAÚDE e a JUSTIÇA;
 
Se pretendes proteger o homem e fazê-lo são, integral,
É um ataque profiláctico, tanto no físico, como no moral;
 
Se são duas valências de respeito que toda a gente almeja,
Não há nada mais urgente, oxalá, ora, assim seja!
 
Se a partir daqui, diz um cronista, os portugueses estão contentes,
«Podem ficar descansados, o que não podem é estar doentes»;
 
Se já dizem as más línguas – perdoai-lhes, por quem sois!
Que são «duas coisas prioritárias», mas que só «para depois»;
 
Se somos campeões da Europa em sinistros, eu bem sei,
- TOLERÂNCIA ZERO não é mais do que a aplicação da lei;
 
Se é uma medida de aplaudir, para evitar os acidentados,
Digamos que os ‘aceleras’ têm os seus dias contados;
 
Se todo o mundo a medida aprova com hossanas e alegrias,
Só é pena que a medida não contemple todas as vias;
 
Se este slogan é tão bonito, recebeu logo a aplicação:
«Competência zero, imagem máxima», disse do governo a oposição;
 
Se o Marcelo está na TV, dizer, às vezes, ele costuma:
«A melhor decisão do governo é não tomar decisão nenhuma»;
 
Se qual caixa de ressonância, tens um ministro fleumático:                                                      
Que à «picareta falante» opõe o «martelo pneumático»;
 
Se, procuras resolver tudo, à custa dos nossos milhões,
É preciso muita cautela e não criar ilusões;
 
Se o governo e a oposição deviam dar-se como amigos,
Pela fome do poder, porque se dão como inimigos?
 
Se o DIÁLOGO e o consenso são mantidos a todo o custo,
É que a indecisão política exclui qualquer um susto;
 
Se, na definição de um comentador, o diálogo é antidemocrático,
É uma «moda perigosa», mas é um recurso táctico;
 
Se os diálogos são constantes e em número são imensos,
Servem para adiar os conflitos, ou favorecer os consensos?
 
Se defendes que é uma boa maneira de haver paz e harmonia
Substitui as decisões e nem sequer, mesmo, as adia;
 
Se da nossa entrada no EURO e por efeito da EXPO
Ganhámos a autoestima, abaixo o ferrabodó!;
 
Se continuas em estado de graça, é caso para festejar:
«enquanto o Colombo abarrotar, pode Guterres descansar»;
 
Se as lojas se encontram cheias de tudo, tudo, em geral,
É sinónimo de estabilidade, de prazer e paz social;
 
Se foste sempre amigo do povo e, para o comprovar,
Basta que todos se lembrem do CAPITALISMO POPULAR;
 
Se na altura a coisa era certa e depois sofreu correcção,
Andam os investidores aflitos, por culpa da GLOBALIZAÇÃO;
 
Se és garante da paz social e queres favorecer todos,
E as facilidades de crédito são por este país a rodos;
 
Se, em princípio, está correcto e em teoria é uma excelência,
Podem famílias inteiras ficar ‘à rasca’, na insolvência;
 
Se não sabemos quanto tempo a abastança poderá durar,
Cuidado não nos iludamos com a «luminosidade do bem-estar»;
 
Se talvez por causa das críticas, que não estás a governar,
O governo em retiro «parou», «parou» só «para pensar»;
 
Se o partido está contente com a tua conduta e sageza,
Por isso foste outra vez eleito, «reconduzido à albanesa»;
 
Se em S. Julião os ministros aplaudiram as tuas proposições,
Foi porque elas tinham a ver com os próximas eleições;
 
Se com um perfil tão mediático e uma AD nado-morta em beleza,
Candidata-te a Primeiro Ministro! Voltas a ganhar, com certeza!
 
Se com um discurso a cair bem, sempre no goto do teu povo,
Candidata-te a Primeiro Ministro! Voltarás a ganhar, de novo!
 
Se os opositores insistem em emendar-te o decálogo;
Diz-lhes: É TEMPO DE GOVERNAR! PONTO FINAL NO DIÁLOGO!
  *                                                                                                                          
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

publicado por argon às 09:58
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