Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

não dá a bOTA com a perdigOTA

 

INTRODUÇÃO
 
Está na berra falar-se, de novo, das despesas faraónicas que o governo Sócrates está na disposição de fazer: o novo aeroporto, a ponte sobre o Tejo, as barragens, as auto-estradas e o TGV. O custo total, a preços 2009, são da ordem dos 14 mil milhões de euros, barragens e auto-estradas excluídas. O TGV – 7.500 mil milhões; Ponte – 1,5 mil milhões; Aeroporto – 5 mil milhões. A estes custos há que acrescentar, pelo menos, uns 30%: obras a mais, despesas não previstas, aumento dos materiais e da mão de obra, aumento de juros. A oposição afirma que, com um governo em fim de mandato e com os resultados que são uma censura ao governo, Sócrates não deve avançar com estas obras que comprometem o futuro de várias gerações de portugueses.
Eu estou convencido que ele vai recuar, como aconteceu com a localização da OTA.
O futuro dirá.
Por isso, lembrei-me de mostrar aos meus leitores o texto que escrevi e publiquei sobre a OTA na altura em que este assunto era o pão nosso de cada dia das discussões.
 
Não dá a bOTA com a perdigOTA
 
O nosso país é o país das polémicas e da risOTA. Comparo aquelas aos escândalos: uma polémica ou escândalo só acaba quando aparece outra a que se pretende dar a nOTA de primazia. A última e mais acesa polémica é sobre onde será construída a nova aeroOTA. O governo socratino sempre disse e manteve que era na OTA. Inquestionavelmente. E disse com aquela certeza como quem põe um ponto final na questão OTÁrica, mesmo que usando de mentira e da batOTA.
Mas eis que Portugal preside à UE, desde o dia 1 de Julho. Nada mais funesto para a tranquilidade que os graves problemas a resolver no âmbito da CE a 27 reclamam, do que o ruído frenético e ensurdecedor da localização da nova aeroOTA. Por isso, recuando, deu luz verde aos estudos de uma nova localização que seria ALcochOTA. José Sócrates, grande patriOTA, rejubilou com esta nova fatiOTA, como se lhe tivesse saído o euromilhões e pôs à frente, para explicar a cambalhOTA, o desértico ministro «jamé» que não teve pejo em dizer que todas as opções, além da OTA, o satisfazem e merecem um estudo, como se se tratasse de uma nova rOTA, e não se importando com a chacOTA a que se prestou, em defesa da OTA, quando fez o célebre discurso do deserto e acrescentou, como que jurando, «aqui... «jamé»». Uma anedOTA, este ministro dito das Obras Públicas!
Portas abertas, o leque de opções não se esgOTA: agora, a Portela mais 1 (Alcochete); depois, a Portela mais 2 (Alcochete e Sintra). E por aí fora! E, desta sorte, se calaram as vozes que eram mais do que as nozes.
Mas há outra razão para que Sócrates finja que largou a hipótese OTA: o seu então candidato à Câmara de Lisboa, António cOsTA (até no nome tem OTA disfarsadamente incrustada!) era o único que torcia pela OTA. Era, por assim dizer, um bOTA-abaixo das outras opções. Mas para ganhar mais votos, o seu novo discurso de campanha omitiu a discursOTA da OTA, calando e fingindo concordar com todas as outras hipóteses. E, assim, por seis meses, Sócrates deixou de ouvir falar num tema que era um pomo de discórdia e, para ele, um pesadelo, assim calando toda a vozearia mediática indígena.
Porém, uma coisa é certa: Sócrates só aguarda, por razões pouco convincentes e anti-populares, a localização do novo aeroporto na OTA. E será OTAmente que ele se vai comportar, depois da presidência portuguesa. Para mal das gerações presente e das futuras que pagarão a pesadíssima factura..
Imaginemos que, das entranhas da Portela (só o imaginar causa horror – « horribile dictu», dizem os latinos) brotasse um terramoto, para dar lugar à OTA. Seria possível, se fôssemos um país rico. Mas nem os ricos a arrasariam nunca (deitar à rua milhares de milhões, não iriam nisso!; aproveitavam-na e acrescentavam-lhe outra OTA mais pequena.
Os ingleses, dOTAdos de sentido de poupança (por isso, são um país rico), ainda hoje têm a funcionar (eu vi quando lá estive) em exclusivo, passados 50 anos sobre o seu aparecimento, os autocarros de dois andares (lembram-se?), em Londres, para o serviço público de transportes. Portugal, Lisboa, também os tinha. Estavam, ainda, em bom estado e desapareceram. Como não houve explicação, são legítimas todas as hipóteses: ou foram desmantelados, ou foram deitados para o lixo e foram substituídos pelos modernos autocarros marca Mercedes e Volvo. Por esta e por outras é que somos um país pobre, sobretudo de mentalidade, mas janOTA!
Dizem que o aeroporto da Portela é para destruir quando estiver construído o seu substituto. Ora bem. Não consta que tenha havido um só país que tenha arrasado qualquer aeroporto existente porque foi construído outro.
Dizem os pró-OTA que Lisboa já não supOrTA o ruídos dos aviões. Mas a verdade é que, a caminho da OTA, eles continuarão a sobrevoar Lisboa, seguindo a mesma rOTA.
Quanto ao TGV, citem-me um só país pequeno como Portugal, mesmo rico, com muita nOTA (Países Baixos, Suécia, Holanda, Dinamarca) que tenha TGV. Não têm, nem precisam.
Ninguém estranhará se, com o TGV e a opção OTA, Portugal vier a dar uma grandecíssima cambalhOTA.
.
POR isso, termino com a seguinte
 
QUADRA
 
Deixa passar
Esta linda brincalhOTA,
Ca gente vamos gastar
‘Té cairmos em bancarrOTA!
 
ARGON
 
Assino, de vez em quando, não vá alguém julgar que copio os textos que aparecem aqui, no 'Diários de ARGON'.
&
 
publicado por argon às 22:26
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