Quinta-feira, 11 de Fevereiro de 2010

O PAÍS ONDE

 

Vamos hoje visitar um país que tem a forma de um rectângulo, se debruça sobre o Atlântico e a sua capital mira-se nas águas caudalosas do rio Tejo, que vem de Espanha.
Mas esse país fica onde, perguntarão aqueles que nunca o visitaram ou que não sabem da sua existência.
 
É o país ONDE.
PORTUGAL
O PAÍS ONDE que mais e durante mais tempo tem conseguido viver acima das suas posses;
O PAÍS ONDE se realizam mais semanas gastronómicas e com maior sucesso;
O PAÍS ONDE mais se critica o governo;
O PAÍS ONDE a identidade entre contrários atinge a maior conformidade na continuidade;
O PAÍS ONDE que tem a maior disparidade entre ricos e pobres;
O PAÍS ONDE os estudantes menos estudam e mais (re)clamam pela qualidade do ensino;
O PAÍS ONDE é muito fácil acabar com as coisas e é impossível voltar a pô-las de pé;
O PAÍS ONDE um aborto nas hospitais públicos é grátis (custo: 3 milhões de euros em 2009) e o nascimento de um bebé custa dinheiro;
O PAÍS ONDE mais se clama por direitos e menos por deveres,
O PAÍS ONDE os deputados da Nação passam a maior parte do tempo a deputar o sexo dos anjos, sem chegarem a um consenso;
O PAÍS ONDE há maior índice de funcionários públicos;
O PAÍS ONDE o Estado tEm filhos e enteados na sua forma de remuneração dos seus funcionários;
O PAÍS ONDE as urbanizações têm menos espaços verdes;
O PAÍS ONDE os ricos são cada vez mais ricos e em maior número e os pobres cada vez mais e mais pobres;
O PAÍS ONDE os bancos obrigam os seus depositantes a pagar taxas por eles fazerem o favor de guardarem o nosso dinheiro;
O PAÍS ONDE que tem os combustíveis mais caros de toda a CE e onde o Estado mete mais a unha contra os contribuintes;
O PAÍS ONDE há uma entidade fiscalizadora da concorrência dos preços dos combustíveis que é a mais cegueta, ao não ver nem reconhecer que há concertação de preços;
O PAÍS ONDE mais há tentativas de controlo da comunicação social pela Estado a que isto chegou;
O PAÍS ONDE o Governo se gaba da descida do défice à custa da receita, em vez de ser à custa da despesa de um Estado despesista, glutão e insaciável;
O PAÍS ONDE o Estado tem milhentas empresas públicas cujos quadros superiores recebem remunerações obscenas e milionárias e, no fim, repartem as sobres, locupletando-se com milhões de dinheiros públicos;
O PAÍS ONDE que tem um primeiro-ministro que vomita milhões para despesas supérfluas e para outras sumptuárias e não tem um euro para os pobres,
O PAÍS ONDE impera mais o sinal menos,
O PAÍS ONDE as viaturas motorizadas, vulgo, automóveis, têm uma dupla tributação;
O PAÍS ONDE há mais produtores de cera por metro quadrado;
O PAÍS ONDE mais rapidamente se esgotam os bilhetes para os espectáculos de monstros sagrados estrangeiros;
O PAÍS ONDE o futebol é mais importante do que a economia, a política ou a religião e passa à frente de tudo nos programas de televisão;
O PAÍS ONDE os jogadores, treinadores e quejandos ganham ordenados de milhões, com resultados práticos medíocres;
O PAÍS ONDE que tem um governo que se preocupa demasiado com o bem-estar, a alimentação, segurança, a saúde e informação dos portugueses, a ponto de agredir os mais elementares deveres de respeito pelas liberdades públicas e individualismo dos cidadãos, pela actuação exagerada das entidades que de reguladoras têm, apenas, o nome;
O PAÍS ONDE os políticos, empresários, banqueiros, arguidos, mais mentem, declarando sempre a sua inocência.
O PAÍS ONDE  a justiça é mais lenta e menos produtiva, batendo o record de julgamentos mediáticos sem fim, por causa da possibilidade infinda dos recursos que a lei atribui à defesa, rumo à prescrição que põe termo ao castigo dos prevaricadores que declaram vitória e triunfalismo que ofendem a moralidade e a ética públicas, castigando-se, assim, as vítimas;
O PAÍS ONDE se assiste à mistura promíscua entre o poder executivo e o judicial, com claro prejuízo para a aplicação atempada e justa da justiça;
O PAÍS ONDE o futebol e a política se envolvem em negociatas que, apesar de julgadas, são uma perda de tempo de dinheiro público, porque nunca se apura nenhum culpado com pena efectiva, para escarmento público;
O PAÍS ONDE tem de haver sempre um caso escandaloso ou promíscuo que envolva dinheiros públicos sacados ilegalmente por figuras públicas e, quando um acaba, por conveniência não se sabe de quem, é para dar lugar a outro não menos mediático e barulhento;
O PAÍS ONDE nenhum tribunal conseguiu aplicar prisão efectiva a nenhum arguido mediático ou poderoso, com excepção de Vale e Azevedo que, em Londres, vai troçando da justiça portuguesa.
O PAÍS ONDE há um parlamento que mais sofre de diarreia verbal acrimoniosa
O PAÍS ONDE que se vê envolvido na crítica dos mercados internacionais às seus finanças públicas e é associado à Grécia e à Espanha, os três, repare-se! – socialistas.
O PAÍS ONDE que dá as maiores oportunidades e cursos aos estudantes universitários rumo ao desemprego;
O PAÍS ONDE a palavra mais pronunciada ultimamente é a palavra «corrupção»;
O PAÍS ONDE todos os acusados ou suspeitos de corrupção se dizem sempre, sem excepção, inocentes e de consciência tranquila;
O PAÍS ONDE a corrupção se tornou numa espécie de vírus que tem atingido os mais altos de cargos das empresas públicas;
O PAÍS ONDE com os salários mais baixos da CE;
O PAÍS ONDE os combustíveis estão mais tempo altos do que baixos e descem sempre menos;
O PAÍS ONDE o governador do Banco de Portugal ganha mais do que qualquer congénere da Europa e da América;
O PAÍS ONDE os mendigos e os sem abrigo são cada vez mais jovens;
O PAÍS ONDE há dinheiro a mais, sempre no bolso dos mesmos;
O PAÍS ONDE os professores passam 1261 horas na escola, mais do que em outro país e com muito pouco resultado;
O PAÍS ONDE que gasta 10 milhões de euros por cem anos da República Portuguesa, o que perfaz 100 mil euros por ano para comemorar os 100 anos da República;
O PAÍS ONDE que gastará 700 mil euros para o combate à pobreza no Ano Europeu do Combate à Pobreza;
O PAÍS ONDE o sucesso escolar é uma miragem, apesar dos muitos milhões investidos e de as estatísticas dizerem o contrário;
O PAÍS ONDE se terçaram armas, numa luta estúpida e sem glória, pela imposição da avaliação dos professores, em vez de se cuidar da avaliação dos alunos, como era antigamente;
O PAÍS ONDE que tem um chefe de um governo minoritário que, ao formar governo, nenhum partido do arco não governativo se entendeu com ele e, por isso, nenhum quis fazer parceria com ele, et pour cause! Ou seja, nenhum quis vincular-se ao carácter do primeiro-ministro que, em vez de ser a solução, desde há muito, é o problema da nossa 'apagada e vil tristeza'.
Em suma:
O PAÍS ONDE mais lindo e querido do mundo!
*
 
 
 
publicado por argon às 18:21
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